Esse país funciona na base da recompensa. O que eu acho ótimo, diga-se de passagem. Tudo aqui precisa ser conquistado. Desde pequenininho.
Explicando: Você só pode jogar video-game SE arrumar sua cama ( isso é meio óbvio, mas o "você" em questão costuma ser uma criança de 5 anos); você só pode assistir TV SE ajudar a tirar a mesa, você só pode comer o cookie SE provar o brócolis, você só pode isso SE aquilo... Em geral, uma tarefa cumprida vem sempre recompensada por algo que a criança queira.
Pode parecer chantagem, MAS é recompensa.
Recompensa pelo esforço me parece algo muito justo.
O sistema de recompensas é vigente nas casas e nas escolas nas mais variadas formas.
Uma forma muito comum é o uso de adesivos em pequenas tabelas. A criança ganha um adesivo para bons comportamentos, até completar um númer X definido pelos pais. Assim que o alvo é atingido, tem direito a um prêmio também definido pelos pais. Aqui em casa, são estrelinhas. E tudo funciona na base da estrela. Bom compotamento = ganha uma estrela. Mau comportamento= deixa de ganhar a estrela. Usei o método com o potty training ( terino para o uso do vaso e retirada das fraldas) da Laura - cada vez que usava o vasinho, ganhava uma estrela. A cada 5 estrelas - uma fileira completa - ela ganhava um pequeno prêmio (de um dólar ou menos). A cada tabela completa - 25 estrelas - um prêmio melhorzinho, como uma Barbie, por exemplo.
Nas escolas, todo bom comportamento é premiado, geralmente com adesivos.
A escola da Bia tem um sistema interessantíssimo chamado"classdojo",( tem uma opção do lado esquerdo que dá pra escolher português), em que os pais podem acessar o report semanal do comportamento da criança. São várias categorias, como trabalho em equipe, obediência `as regras e participação. Esse sistema é de adesivos virtuais e o mais interessante é que a própria criança se avalia e "se dá " o adesivo virtual no quadro, que na verdade é uma touch screen, seja o adesivo bom ou ruim. Por exemplo: a professora dá uma ordem e a criança não obedece. Na hora da pontuação, a professora pergunta `a criança se aquilo foi correto, a criança reflete e assume que não, e ela mesma "se dá" um adesivo negativo. Auto-avaliação - Eu acho isso fantástico!
No final da semana, as crianças têm acesso a uma "treasure box", uma caixa do tesouro com pequenos prêmios para escolher. Existem três níveis de prêmios, conforme a performance naquela semana. Quem teve mais de 80% de pontos positivos ganha os prêmios "melhorezinhos" ( Bia escolheu um par de óculos escuros). Crianças com performances piores, têm acesso a prêmios inferiores. E aí, muita gente pode discordar. E eu até gostaria de ouvir a opinião dos discordantes, porque eu sou muito a favor.
Eu acho que o esforço tem que ser recompensado, que o bom comportamento tem que ser estimulado. São pequenos, eu sei, mas é de pequenino que se torce o pepino ( é esse mesmo, o ditado?)
O episódio dos óculos foi especificamente interessante. Quando cheguei para buscar a Bia, ela estava toda fashion com seus óculos novos, "rosa-choque", recém adquiridos da treasure box. Laura viu e quis um também. Expliquei que aqueles eram da Bia. A professora, que é uma graça de pessoa, notou e trouxe um pra Laura também. Quando a Laura recebeu, desandou a chorar. Eu fiquei sem saber o que estava acontecendo, mas ela se fez entender: "PURPLE IS NOT MY FAVORITE COLOR!Buáááá" Quase morri de vergonha! Mas, em meio aos meus "Sorry" pra professora, e "Laura não faça isso", "Agradeça!" e "blá, blá, blá", eis que a Bia tirou seus óculos e trocou com a Laura ( PINK tem sido a cor favorita da caçula nas últimas semanas...) A professora ficou tão impressionada que não hesitou - abraçou a Bia e deu mais dois adesivos virtuais no report card dela, pela generosidade com a irmãzinha. Reforço positivo, como dizem.
Na escola da Laura, outro exemplo. Ela andava chorando ao acordar do naptime. Chorando não. Berrando compulsivamente - coisa que ela não faz com muita frequência, mas quando "precisa", sabe fazer com maestria. Então, a professora resolveu dar um adesivo pra cada vez que ela acordasse sem chorar. E assim, ao acordar, a professora a relembrava do adesivo. Quando chorava, não ganhava. E assim, parou de chorar, pra poder ganhar os adesivos. Ao final de 5 adesivos, ganhou um ursinho de plástico da professora e uma fantasia de Ariel da mamãe ( exagerei no presente, mas eu ia comprar de qualquer jeito).
Na escola da Julia tem sistema de recompensas também. Alunos que tiram uma quantidade x de notas A na High School (serve para os outros níveis também) se formam com honras. Recebem as honras nominalmente em seus diplomas e durante a cerimônia - "summa cum laude", "magna cum lade". O esforço é recompensado. E eu acho isso muito positivo.
No Brasil, dizer que o aluno é esforçado é quase um xingamento. O chique é ser "inteligente", "ter facilidade", ser "brilhante'. É bem conhecida a frase de Einstein ( e nem sei se é dele mesmo ou se é filosofia de internet, mas está valendo): "O sucesso* é 10% de inspiracão e 90% de transpiração."
Implementar o sistema de recompensas é privilegiar a transpiração. Isso é bom pra nossas crianças. Acho que transmite a mensagem de "depende de você", "você está no comando", "você pode ser/fazer melhor a cada dia". E acho que é isso que buscamos em todas as áreas da nossa vida. Melhor começar cedo.
Um amigo brasileiro que mora aqui deu a ideia pra sua irmã, que é professora em escola no Brasil. Ela não pôde colocar em prática. Não foi considerado "politicamente correto" pelos diretores da escola...
Há controvérsias sobre o assunto, eu sei, e espero ouvir posições diferentes nos comentários.
Acabei de ter uma ideia maravilhosa nesse sentido e corri pra escrever esse post, antes que eu desista.
Vou montar uma tabela para estimular as meninas pequenas a experimentar novos sabores de alimentos. Meus 10% de inspiracão!
Enfim, a tabela consistirá em alimentos novos a serem experimentados. Vai seguir o mesmo conceito: a cada alimento experimentado, uma estrela. : ao final de 5 estrelas, um pequeno prêmio. Ao final de 25, um prêmio melhor. Não precisa gostar do alimento, nem "raspar" o prato. Só quero que experimentem. Vamos ver seu eu consigo seguir com os 90% de transpiração.
No final do desafio, conto pra vocês. Se eu conseguir, quero um prêmio pra mim também. Já até sei o que será...
Aventuras de uma mãe brasileira vivendo nos EUA/ Adventures of a Brazilian Mom living in the USA
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sexta-feira, 27 de setembro de 2013
terça-feira, 17 de setembro de 2013
Fazer High School nos Estados Unidos - Back to School parte 4 ( o último)
Alguém aí já ouviu falar de projeção?
Não a projeção de imagens e sons, a projeção psicológica mesmo (os psicólogos de plantão que me perdoem a generalização do assunto, seu que a projeção não é bem assim, o negócio é mais embaixo e tem seu lado dark. Mas deixa a gente ser feliz com essa definição a seguir...)
Se vc nunca ouviu falar, explico: trata-se da atitude de atribuir a outras pessoas os seus desejos, sonhos e pensamentos mais secretos. No meu caso, o sonho não tem nada de secreto, (ninguém precisa ficar me analisando online, não perca tempo), o treco psicológico é bem explícito, mesmo. E pra quem dúvida, está em letras garrafais, sublinhado, em negrito e escrito de vermelho: Eu sempre sonhei em fazer High School nos EUA. Fiz de tudo para fazer intercâmbio, (inclusive desistir de ter festa de 15 anos). Preenchi todos os formulários, fiz prova de inglês, ensaiei até música de despedida dos amigos e da família (sei, eu não sou normal)... mas, na última hora meu pai não deixou. Sim, ele é maravilhoso, doce, amável, mas... era o dono da palavra final. Com tanta ternura e compreensão e fala mansa, que a gente obedecia mesmo morrendo de vontade de desobedecer. Sabedoria, meus leitores, sabedoria...
E eu então, guardei esse sonho num cantinho, junto com dezenas de outros que a gente guarda a vida inteira...Ops, não é esse o assunto.
Nave-mãe voltando pro planeta Terra.
Agora, finalmente, tenho a chance de realizar este sonho na minha filha mais velha, Miss Teenager, que faz High School aqui na América e que agora está loira (sempre tive esse sonho também, ter uma filha loira... Me julguem, vai.).
Ela é uma Senior, e pra quem não sabe, explico: É o último ano do Ensino Médio nos EUA. E isso está inevitavelmente acompanhado de um certo glamour...
A High School americana é composta por 4 anos, diferente do Brasil que são 3. Mas, no final das contas, se você somar Ensino Fundamental e Médio, temos os mesmos 12 anos, tanto no Brasil como nos Estados Unidos. Mas aqui no tio SAM, eles se dividem assim:
Elementary School - Kindergarten ao quinto ano.
MIddle School - sexto ao oitavo ano.
High School - nono ao décimo segundo ano. Os anos de High School também são chamados de "Freshman year" (9º ano), "Sophomore year"(10º ano), "Junior year"(11º ano) & "Senior year"(12º ano). Isto faz dos seniors os alunos mais "velhos"da escola, os que estão prestes a entrar no College ou University - daí todo o prestígio.
Existem outras diferenças. Uma que considero importante é a possibilidade de o aluno escolher as matérias que quer estudar. Nas outras fases, não pode. É um privilégio da High School.
Mas, não é essa bagunça toda que vocês podem estar imaginando. O negócio tem controle, lei e regra.
Existem uma quantidade mínima de créditos a preencher para se formar ao final de quatro anos. Você não pode simplesmente escolher culinária, fotografia, canto orfeônico e jazz... e achar que vai se formar com esse currículo.
Existe uma grade a se cumprir e inclui sim matérias como Inglês, Matemática, Ciências, História e Geografia, Artes e Língua Estrangeira e Educação Física. Dentro de cada uma delas, uma infinidade de classe são oferecidas. Por exemplo: ano passado a Júlia fez Ciências Aquáticas, que conta crédito para Ciências. Os créditos de Língua Estrangeira, ela já tinha - por ter feito milhares de anos de português no Brasil. Anyway, existem os graduation requirements, número de créditos para se formar. Mas, você pode ir além e ter mais créditos do que o necessário, o que te torna um candidato mais competitivo na entrada na Universidade.
Citando minha loirinha, embora já tendo os créditos em Língua Estrangeira, ela optou por fazer Francês como matéria eletiva ( podia ser corte-e-costura, manequim-e-modelo, teatro, etc...). Mas ela quis francês porque é très chic e também porque mamãe sempre sonhou em falar francês e ela é um projeção ambulante de mamãe, lembram?
Existe a possibilidade de fazer os créditos em nível de dificuldade também, isto é, você pode fazer a matéria regular, acelerada, pre´-AP e AP e Dual Credit ( AP- advanced placement e Dual Credit contam crédito pra faculdade. Quanto mais matérias AP Dual Credit você fizer, maior é sua competitividade. Se fizer tudo regular, ok. Mas, se fizer algo mais, ponto pra você. Literalmente.
O Sistema de Notas é bem diferente também. Tudo aqui é baseado no GPA - Grade Point Average.
Aí, a porca torce o rabo. Pra quem está acostumado com sistema de 0 a 10, é um pouco diferente você se acostumar em notas de letras.
Pra facilitar:
A=90-100
B=80-89
C=75-79
D=70-74
F=69 e abaixo.
Estranho não ter letra E...
E mais estranho ainda é o seguinte. Tirar 69 e tirar zero é a mesma coisa. A média mínima é 70. Se vc fizer menos de 70, está reprovado, tem que cursar de novo aquela matéria. Neste aspecto, sim, tirar nota aqui é mais fácil. Principalmente, se você vem de escola preparatória pra vestibular no Brasil ( fala WR!!), onde tirar 74 está bom demais! Aqui, com 74 você é um lixo de aluno.
Tem prova toda semana, toda atividade conta ponto, toda tarefa, todo detalhe é somado para garantir ao aluno uma boa nota. Basicamente, apenas os alunos irresponsáveis( os famosos malas) é que tiram notas ruins. O aluno aplicado, cumpridor de suas obrigações, terá notas boas.
A não ser que você seja um aluno de cursos AP, nesse caso, será mais difícil tirar nota.
Mas, vocês sabem... americano é meio doido. Então, depois de dar as notas em letras, eles traduzem tudo pro GPA ( não falei que a porca torcia o rabo?)
O GPA é uma média numérica onde cada uma das notas acima (A, B, C, D, e F tem um valor que vai de 0 a 7). Por exemplo, se você tirar A em um curso regular, ele vale 6 pontos (nota máxima). Se for em curso AP, vale 7. Se vc tirar um B em uma matéria regular, ele vale 5 pontos, mas se seu curso for AP, ou pre-AP ou dual credit, o mesmo B vale 6 pontos. É uma forma mais justa, mas mesmo assim, de endoidar a cabeça.
No final das contas, o que conta é o GPA. Todas as suas médias somadas e divididas pelo número total de créditos que você tem.
Depois disso tudo, você é "rankeado" com outros alunos da sua classe, ou seja, todos os alunos que vão se formar no mesmo ano que você. E, de acordo com suas notas, vc vai ocupar o primeiro quartil, segundo quartil, terceiro ou quarto ( 25% em 25%)
No Texas, as Universidades Públicas são obrigadas a aceitar os alunos que ocupam os top 10% das suas escolas . Por isso, o GPA é importante. A admissão é automática. Sem SAT e sem ACT ( aqui não temvestibular, mas tem esses dois testes para os mortais que não estão nos top 10% ou que pleiteiam faculdades fora do Estado ou ainda para algumas faculdades que exigem um score mínimo nestes testes.)
Tem muito mais coisa, mas posso adiantar pra vocês que vai um tempo até a gente digerir tudo.
Essa é bem minha realidade do momento. Credits, GPAs, SATs e ACTs da vida. Tudo porque também tive o sonho de fazer faculdade top na América e conto com minha loira pra realizá-lo.
Depois, a gente paga terapia pra ela.
Porque a mãe dela... é claro que já faz, né?
Se estiver interessado, dá pra conferir mais um pouco no post Helga e os Mustangs.
P.S.: Prometo que este é o último post da série "Back to School". Pelo menos, por um tempo.
quinta-feira, 5 de setembro de 2013
Back to School - Volta `as aulas parte 3
A segunda diferença é, ao meu ver, a maior de todas: O ensino público nos EUA é uma opção para famílias de classe baixa, média e alta.
Vou explicar melhor.
Até os 5 anos de idade, a escola é opcional e, portanto, o governo não paga por isso. Isso significa que não há escola pública pra essa faixa etária. É muito comum aqui as crianças até os 5 anos ficarem com as mães, que largam suas profissões para cuidarem dos filhos. (Muitas retornam para sua ocupação anterior depois que os filhos vão pra escola, outras gostam tanto de serem exclusivamente mães que assim permanecem para todo o sempre). Isso não causa espanto, não é considerado inadequado e nem existe preconceito. Pelo contrário, é até um certo "status" a mãe dizer que não trabalha fora e que sua vida é cuidar do marido, dos filhos e da casa.
Para as mães que trabalham fora, ou estudam, ou para mães que consideram importante a exposição precoce da criança ao ambiente de aprendizado, ou para mães que achem difícil lidar com a casa e com as crianças... enfim, a opção é sempre o ensino privado.
Em minha vida pessoal, alguns conhecidos e amigos me perguntam aqui nos EUA: "Se vc não está trabalhando, por que suas filhas pequenas estão na escola? Seria uma economia enorme se elas ficassem em casa." A minha resposta é simples: primeiro, não dou conta do recado de ser super-mãe em tempo integral. Segundo, porque quando viemos pra cá, uma coisa era certa: andar pra frente. Entendemos que sacrificar alguns luxos seria aceitável, mas NÃO ECONOMIAS COM SAÚDE E EDUCAÇÃO!! Isso sempre foi prioridade pra nós. Se ficássemos no Brasil, elas iriam pra escola (no Brasil, é comum e esperado que a criança vá pra escola a partir de 2-3 anos, muitas vezes antes disso). Sim, mesmo tendo babá(s), elas iriam. Aqui não seria diferente.
A partir dos 5 anos de idade, o ensino público passa a estar disponível, e assim será até a criança concluir o Ensino Médio - High School. As escolas públicas são bem heterogêneas. Existem escolas de altíssimo padrão de ensino e estrutura, assim como escolas sucateadas e de ensino fraco (como acontece com as escolas no Brasil , aqui também tem escolas boas e ruins). Mas, em geral, as escolas são boas.
O Estados têm um sistema de classificação, no qual as escolas são avaliadas em exemplary, recognized, academic acceptable e academic unacceptable / exemplar, reconhecida, aceitável academicamente, não-aceitável academicamente. Além dessa classificacão, as escolas são "rankeadas", isto é, são avaliadas e colocadas em um ranking ( americanos adoram ranking!!), com a performance/posição que a escola ocupano total de escolas da cidade, Estado e até do país. Por exemplo, escola X, exemplary, 5º lugar da cidade, 23º lugar do Estado. Também é possível ver a relação professor/aluno, a composição, étnica da escola ( % de negros, brancos, latinos, índios, asiáticos...pra quê, eu não sei...), e a performance em notas dos alunos, % de alunos que se formam, que entram na faculdade, etc, etc, etc... Interessante é que todas estas informações muitas vezes são achadas nos sites das imobiliárias. Isso mesmo. A primeira coisa que as pessoas pensam quando vão comprar ou alugar uma casa, é se a escola pública da área é uma boa escola.
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| A área escolar: Top priority para compradores de imóveis. |
Explicando:
Geralmente, as boas escolas estão nas boas áreas residenciais da cidade. A cidade está dividida em School Districts ( Distritos Escolares), que são organizações ligadas ao governo, porém independentes para coordenar as escolas daquela área. Os impostos pagos pelos imóveis variam de distrito para distrito, sendo mais caros nos melhores, o que eleva os preços dos imóveis nessas áreas. Mesmo assim, consegue-se uma grande diversidade dentro das escolas, com gente de todas as classes sociais tendo acesso ao mesmo padrão de educação. Não é como no Brasil, onde a escola pública é a única opção pra quem é pobre, e nunca uma opção pra quem pertence as classes média e alta. Salvo raríssimas exceções. Além disso, no Brasil, encontrar uma escola pública de qualidade é mais difícil do que encontrar uma agulha em um palheiro. Só consigo pensar agora em UMA escola pública no Rio de Janeiro, onde também tem filho de rico.
Outra coisa - se você está na subdivisão X daquela escola X- você só pode ir para aquela escola. Independente do número de vagas, a escola é "obrigada" a te aceitar. Em compensação, você não pode morar em uma attendance area X e frequentar a escola Y. Na hora da matrícula, eles vão pedir sua prova de residência - o contrato de aluguel ou as taxas pagas pela casa, com prova de endereço. Se quiser morar na X e frequentar a Y, você pode tentar uma permissão pra isso, desde que sobrem vagas.
Uma exceção são as escolas charter, misto de pública e privada, mas não conheço muito bem sobre a realidade dessas escolas, não vou me aventurar a falar sobre isso aqui. Fica para uma outra oportunidade.
![]() |
| Os distritos escolares de Houston e arredores. |
Então, se o país tem excelentes escolas públicas , como as escolas privadas sobrevivem?
A escola particular passa a ser uma opção para pais que buscam algo específico para seus filhos, que a escola pública não oferece. Por exemplo, quer oferecer educação cristã? A escola pública não oferece - o Estado é laico. Mas, tem uma porção de escolas batistas, presbiterianas, metodistas... que podem oferecer este tipo de ensino. Private. Mesma coisa para quem faz questão de uma educação católica - Escola Santa Cecília, São Tomás de Aquino, São Francisco e uma porção de outros santos. Private.
Escola hindu? Tem. Árabe? Tem. Escola para judeus? Tem também. Private, private, private.
Eu particularmente, nunca vi tanta opção de escola, não sabia que uma cidade pudesse ter tantas! Instituições bilíngues, com imersão em mandarim, italiano, alemão, japonês, coreano, chinês, (ainda não sei se tem em protuguês) Escolas de estilo europeu, escolas-internato, onde os alunos moram na escola, escolas muçulmanas, suiças, internacionais, e etc.
Quer escola só pra meninas? Tem. Só pra meninos? Tem também. Enfim, um arsenal de possibilidades. Pra todos os gostos ( e bolsos). Variando de 700 dólares a 2,500 mensais!!
Minhas filhas pequenas estudam em escolas cristãs, e estou muito satisfeita com o ensino e a abordagem oferecida. Mas, completando 5 anos, irão para a escola pública. Este também é um caminho muito natural - a criança ficar na escola particular durante a pré-escola e mudar para a pública no Kindergarten (Alfabetização). Aqui, faremos assim: ensino de primeira qualidade particular até que o Ensino Público esteja disponível - de primeira qualidade também. Sem (muita) dor na consciência. A não ser que algo extraordinário aconteça, do tipo: acordar milionária.
sexta-feira, 30 de agosto de 2013
Back to School - Volta `as aulas- parte 2
A primeira já citei no post anterior: o ano escolar.
Aqui, nos EUA, o início do ano letivo é no final agosto/início de setembro e o término se dá no final de maio/início de junho. No Texas, as escolas públicas não podem começar as aulas antes da quarta segunda-feria de agosto. É lei. As particulares podem, mas não saem muito do esquema, começam mais ou menos uma semana antes.
Durante o ano letivo, não se deixe enganar. Gostam de feriado, como no Brasil. A diferença é que aqui praticamente só as escolas têm esse tanto de feriado. O resto do comércio funciona normalmente quase 365 dias por ano.
Em compensacão, nas escolas - públicas e privadas - tem holidays e breaks pra ninguém botar defeito. É feriado e paradinha ( DE UMA SEMANA OU MAIS!!) por tudo que é motivo: Vamos lá:
Aqui, nos EUA, o início do ano letivo é no final agosto/início de setembro e o término se dá no final de maio/início de junho. No Texas, as escolas públicas não podem começar as aulas antes da quarta segunda-feria de agosto. É lei. As particulares podem, mas não saem muito do esquema, começam mais ou menos uma semana antes.
Durante o ano letivo, não se deixe enganar. Gostam de feriado, como no Brasil. A diferença é que aqui praticamente só as escolas têm esse tanto de feriado. O resto do comércio funciona normalmente quase 365 dias por ano.
Em compensacão, nas escolas - públicas e privadas - tem holidays e breaks pra ninguém botar defeito. É feriado e paradinha ( DE UMA SEMANA OU MAIS!!) por tudo que é motivo: Vamos lá:
1. DIA DO TRABALHO - FERIADO. Todos juntos para comemorar o dia do trabalho sem trabalhar, exceto as mães, que trabalharão dobrado nesse dia. Este ano cai no dia 2 de setembro. OU seja, as aulas mal começaram, e já temos o primeiro feriado prolongado do ano. Êba! (#sóquenão)
2. PARADINHA DO THANKSGIVING - Todos juntos para agradecer por qualquer coisa, incluindo uma semana inteirinha com mamãe e papai. O Dia de Ação de graças é comemorado na quarta quinta feira de novembro, mas o break dura a semana inteira.
3.PARADINHA DO NATAL E ANO NOVO - Todos junto celebrando o Natal por DUAS SEMANAS. Esperamos que papai possa estar presente nesse aí. De 22 de dezembro a 7 de janeiro.
4.PARADINHA DA PRIMAVERA - SPRING BREAK - Vamos celebrar o desabrochar das flores. Mais uma semana inteira com papai e mamãe observando as maravilhas da Natureza. De 8-15 de março este ano.
5. PARADINHA DA PÁSCOA - 4 dias, igual no Brasil. Só que aqui a "Semana Santa" é de Sexta `a Segunda. 18-21 de Abril.
6.TEACHERS IN SERVICE - Dias aleatórios, mudam de escola pra escola, em que os professores recebem treinamentos específicos.
7. BAD WEATHER DAY - Nunca entendi o motivo desse feriado. Dia do mau tempo, do clima ruim. Pode ter uma tempestade? Um furacão? Uma chuva torrencial? Tudo bem, mas marcar o dia do mau tempo UM ANO ANTES? Que metereologia louca é essa? Se alguém Souber, me avise por favor, porque continuo sem entender. Só sei que é feriado.
7. BAD WEATHER DAY - Nunca entendi o motivo desse feriado. Dia do mau tempo, do clima ruim. Pode ter uma tempestade? Um furacão? Uma chuva torrencial? Tudo bem, mas marcar o dia do mau tempo UM ANO ANTES? Que metereologia louca é essa? Se alguém Souber, me avise por favor, porque continuo sem entender. Só sei que é feriado.
De repente, não mais que de repente, chega maio outra vez. Férias de novo.
No próximo post, vou falar um pouco sobre os distritos escolares e as diferenças entre escolas particulares e públicas.
No próximo post, vou falar um pouco sobre os distritos escolares e as diferenças entre escolas particulares e públicas.
sábado, 24 de agosto de 2013
Back to School - Volta `as aulas - Parte 1
Eu não sei quem foi o louco, ensandecido, que decretou férias de três meses seguidos aqui nos EUA. Com certeza foi uma criatura pouco dotada de inteligência e, obviamente, do sexo masculino. Claro. Daqueles que acham que criança tem que ficar em casa, curtir a família, aproveitar os pais e blá, blá blá, mas eles mesmos saem de casa com a criança ainda dormindo e voltam pra casa com as crianças já na cama. Aí, fica facim, né, não? Felizmente, alguma mulher iluminada, culta e bem-informada, atenta `as necessidades psico-pedagógicas desses pequenos seres em formação que são as crianças - sei que foi mulher - foi lá e inventou a "Summer School", a Escola de Verão, que é a possibilidade de as crianças irem pra escola durante o período de férias. Aí então, ficou tudo bem, nenhuma mãe perdeu (totalmente) o controle emocional e o equilíbrio interior e todos foram felizes para sempre. Lembremos mais uma vez que na terra do tio SAM, babá e empregada full-time são luxos que muito pouca gente pode ter.
***
Não bastassem três meses de férias seguidos, a escola aqui tem vários "breaks" durante o ano letivo. Tudo aqui é motivo pra dar uma "paradinha" : treinar os professores, descansar os professores, aproveitar a Natureza, ficar com a família e claro, mais importante: arrebentar com a vida das mães, que não são mães apenas ( como se fosse pouco ser apenas mãe). São motoristas, lavadeiras, passadeiras, arrumadeiras, cozinheiras, governantas de suas próprias casas. Isso quando não são também, -além do já citado- médicas, enfermeiras, advogadas, corretoras, bancárias, vendedoras e qualquer outra categoria profissional que couber aí.
***
As aulas aqui terminam no final de maio e só reiniciam no final de agosto, ou no início de setembro. Graças a Deus, aqui em casa, as pequenas frequentaram a Summer School (bendita!!) e assim, a minha sanidade mental ficou pouco comprometida. Mesmo frequentando a escola no verão, as crianças tinham um horário mais relaxado, assim como o currículo escolar. Tinha mais brincadeiras do que conteúdo programático, mais tempo no playground, dias de levar bicicleta pra escola, e splash-days ( dias de brincar em piscinas e com aquelas fontes que ficam jogando aguinha - o calor aqui é de rachar tatu pela cacunda, como diz meu sábio pai).
Eu também deixei elas faltarem aula sempre que tinha uma outra programação em mente e por fim, ficaram 20 dias sem ir a escola no final de julho ( tempo para treinar os professores, descansar os professores, e claro, o mais importante: arrebentar com a vida das mães oferecer as crianças um tempo de descanso com a família.
***
terça-feira, 7 de maio de 2013
Detalhes
Depois ainda me perguntam por que eu amo tanto esse país...
(Placa de trânsito que alerta aos motoristas: Criança surda nesta área)
Quem sabe um dia nosso Brasil não aprende as coisas boas da América ao invés de importar tanto lixo?
sexta-feira, 14 de setembro de 2012
Helga e os Mustangs
Aviso aos navegantes: Hoje o post tá comprido!
Alguém aí lembra do "Hey, Arnold!?"
Helga era amiga do Arnold, o tratava com desprezo e agressividade, mas amava-o secretamente, e tinha até uma espécie de "altar" erigido a ele dentro do seu closet. Eu tenho a minha própria Helga, assim como tenho a doce Pollyana. Minha não-tão-doce-porém-não-menos-amada Helga é a emburradinha da família. Nada agrada, nada está bom. É brava e tem nariz empinado - literalmente - e é muito, mas muito difícil (mesmo!) de agradar... Helga fica brava porque quase não falo dela nos posts... ela fica brava com tudo, aliás. A lei é mais ou menos assim: "Tudo que você falar pode ser usado contra você mesmo." Então, cuidado! OU, traduzindo : "Não mexe com quem tá quieto!" Por isso, quase não escrevo...
Não adianta ela empinar a carroça, eu bem sei que no fundo do seu "closet", onde nenhum de nós tem acesso, ela guarda seu próprio altarzinho... E nele, o seu amor secreto...
Tudo bem então, o post hoje não tem nada de engraçadinho. Porque é sobre minha Helga, também conhecida por Júlia. Passo a chamá-la pelo verdadeiro nome a partir de agora, primeiro porque o nome dela é esse, e segundo porque eu adoro esse nome.: Júlia quer dizer Juventude. E não tem nome melhor pra ela. Não pela idade em que se encontra, mas porque ela é a filha da minha juventude, do amor da minha juventude, dos sonhos da minha juventude... Infelizmente, ela carrega o pesado fardo da primogenitura, o peso dos erros que os pais cometem, principalmente, com o primeiro filho. É o peso dos sonhos frustrados, projetados sobre as costas dos filhos, sabe? Como aquela mãe que queria ser bailarina e obriga a filha a fazer balé, mesmo que ela não goste. Sorte minha que a Júlia ama balé. Ufa!
Enfim, chega de mea-culpa, vamos ao que interessa. Essa semana teve o open-house da escola da Júlia. Já falei um pouco sobre a escola dela neste post aqui . Neste evento, todos os pais foram convidados a fazer o horário dos filhos, exatamente como eles fazem no dia-a-dia. Mais ou menos assim: Primeira aula com professor X na sala Y, segunda aula com professor W na sala Z. Ela imprimiu o horário dela pra mim, junto com um rabisco mapa da escola e lá fui eu. Achei a oportunidade incrível e pude observar um pouco das diferenças entre o Ensino Médio no Brasil e a High School nos Estados Unidos. Algumas, eu já conhecia, mas vivenciá-las foi a primeira vez. Minhas impressões:
Primeira diferença: OS ALUNOS TROCAM DE SALA E NÃO OS PROFESSORES.
A escola dela é enooooorme, com três andares e várias alas, ou pavilhões, divididos por cores. ALA AZUL, BRANCA, ACQUA, VIOLETA, CINZA e por aí, vai. Cada uma das aulas acontece em alas diferentes. A primeira aula pode ser no primeiro andar da ala AZUL e a segunda aula no terceiro andar de outro pavilhão da ala VIOLETA. Deu pra entender? Então, toca o sino e os alunos saem correndo para chegarem na sala que terão a próxima aula. É estranho pra gente, mas acho bem justo. Primeiro, por questão de HIERARQUIA e VALORIZAÇÃO DO PROFESSOR. Não é o professor que tem que sair como louco, carregando suas coisas e encontrar o aluno feito um príncipe sentado confortavelmente em sua sala... Quem precisa do conhecimento deve buscá-lo. Literally. Segundo, porque as salas são equipadas para a matéria que é dada nelas, como na FACULDADE no Brasil. Fazendo uma comparação com a MEDICINA , que é a única da qual posso falar: a auula de Anatomia não pode ser no LABORATÓRIO de PATOLOGIA, porque os cadáveres estão na sala de ANATOMIA.
Aí entra a segunda diferença: CADA SALA TEM OS RECURSOS NECESSÁRIOS PARA A MATÉRIA QUE É MINISTRADA NELA. Por exemplo: A Sala de Matemática e Engenharia, tem os softwares, calculadoras, telas i-touch e toda a tecnologia apropriada para o ensino do Cálculo, incluindo alguns modelos de trigonometria. A sala da PRINCIPLES OF HEALTH (Princípios de Saúde) tem alguns modelos anatômicos e pia para lavagem de mãos, com bancadas para a realização dos traballhos. A sala de AQUATIC SCIENCE tem uma série de aquários que os alunos vão poder (vão precisar de ) montar e manter durante todo o ano, criando um ecossistema aquático e estudando nele os princípios de química e biologia. [Fiquei morrendo de vontade de fazer parte dessa sala, Quase me inscrevi como voluntária. O professor é um fofo - um senhor de uns 70 anos, com terno e gravata borboleta, oceanógrafo da US NAVY- apaixonado pelo que faz! Os alunos vão poder escolher os peixes que querem, as algas, os corais, etc. Pensa que delícia!( A Júlia disse que quer o Nemo e a Dory.) Também terão a oportunidade de ir a um navio de pesquisa no Golfo do México.] Eu não fui nas outras salas, mas posso imaginar o escândalo que devem ser as salas de teatro, de culinária, de música. Sei que nessa última tem todos os instrumentos, inclusive violoncelos e pianos...
Para as matérias eletivas, temos mil e uma oportunidades, como FOTOGRAFIA, CULINÁRIA, MÚSICA, CORAL, TEATRO, CHEERLEADING (chefes de torcida), MODA, PINTURA, etc, etc, e etc...
E não pensem que é pra inglês ver , não. Quem opta por MÚSICA, por exemplo, geralmente são meninos-prodígio em algum instrumento, que farão carreira como músicos, sendo que alguns já tocam na Sinfônica de Houston... A outra eletiva da Júlia é o PERSONAL HEALTH. Nessa disciplina, ela vai ter oportunidade de entrar em hospitais e aprender in-loco: muito popular entre alunos que querem seguir carreira na área de Saúde. Daí nasce a quarta diferença: CADA SALA TEM ALUNOS DIFERENTES, DE ANOS DIFERENTES. Por exemplo: na língua estrangeira, tem a opção de francês, alemão, italiano ou espanhol. Você pode escolher qualquer uma delas... Para cumprir os créditos de Ciências, existem muitas opções, inclusive a tal Aquática. Existem várias opções compatíveis com o seu ano acadêmico. Além disso, existem matérias que comportam alunos de diversos anos escolares. Exemplo: a aula de Pré-Calculo é tipicamente de Seniors (12º ano - equivalente ao nosso 3º ano), mas a Júlia faz essa aula sendo Junior (11º ano, nosso 2º) , porque é muito inteligente ;) . Disso, tiramos uma conclusão: o conceito de turma é um pouco diferente do que temos no Brasil. A turma se organiza em CLASSES. A Júlia é da CLASS OF 2014, ou seja, alunos que se formarão em 2014 . São aproximadamente 600 alunos, distribuídos nas mas diversas salas, alas e pavilhões...
Também é possível ganhar créditos de Universidade ainda no Ensino Médio - são os chamados AP courses - advanced placement - em que o nível é mais alto, mais difícil. Porém, uma vez, concluído com sucesso, o aluno não precisara daquela matéria na universidade. A Matemática e o Inglês da Júlia são AP courses. Isso dá a ela uma vantagem, visto que as Universidades vêm com muito bons olhos os alunos que optam por este tipo de curso.
Quinta diferença: OS ALUNOS NUTREM UM VERDADEIRO AMOR PELA ESCOLA.
Cada escola tem identidade própria e os alunos se sentem parte dela. É um orgulho, uma sensação de pertencimento, coisa invejável. As escolas têm seus mascotes - eu não sei bem se o nome seria esse - Geralmente, mas não necessariamente, é um animal que simboliza a insituição a qual pertencem e todos os alunos daquela escola são reconhecidos como o tal animal/símbolo. São muito utilizados com propósitos atléticos, mas vai além disso. Na Memorial High School, são os MUSTANGS - cavalos americanos avermelhados do Oeste ( trazidos da Espanha, pois a América não tem cavalos, originalmente falando...). É só lembrar do High School Musical - eram os WILDCATS (gatos selvagens). Na escola da Beatriz, são os WARRIORS (guerreiros), mas também temos os LIONS, os EAGLES ( águias), SPARTANS (espartanos), e por aí, vai... Dessa diferença, surge a sexta: A ATLÉTICA É SUPER FORTE E ATUANTE. De fato, muitos alunos saem da High School com as vagas nas Universidades garantidas, pelo seu perfil como jogadores. Um dos colegas da Júlia é atleta olímpico - pratica Arco e Flecha. Um adendo: Há no TEXAS, atualmente, 1100 (hum mil e cem) alunos que não frequentam a High School regularmente, como os outros alunos - fazem os créditos escolares pela Internet, pois são OS ATLETAS QUE DISPUTARÃO AS OLIMPÍADAS DE 2016 NO BRASIL.
Outras diferenças são observadas nos hábitos e comportamentos dos alunos e pais. Muitas vezes, vão pra escola com a roupa que dormiram - chegam amassados, com "camiseta de político" e chinelos de dedo ( a escola pública não tem obrigatoriedade de uniforme). A maioria esmagadora dos alunos leva o lanche (almoço) de casa. (Não compram na cantina da escola.) Levam seus sanduíches e frutas nas sacolinhas de papel - as famosas paper bags (como as nossas sacolas de pão francês, só que pequenas). Apesar de pública e de qualidade, a escola é financiada também pela generosidade dos pais - leia-se: de pequenos trabalhos voluntários de mães donas-de-casa a volumosas quantias de dólares doados pelos pais abastados. A maioria se envolve, de alguma forma. Eu já vou me cadastrar para o voluntariado - já que a volumosa quantia de dólares está fora de cogitação, no momento.
Posso dizer que me sinto privilegiada de ser uma Mustang MOM ( mãe de uma Mustang).
Go, Mustangs, Go!
domingo, 15 de julho de 2012
Vamos `a... Biblioteca?
Uma de nossas milhares de tarefas como pais é a de conseguir imprimir nos nossos filhos o hábito da leitura. Quem lê mais, pensa mais, fica mais esperto, mais atento e mais crítico. Sem contar que ler é um hábito saudável que exercita a imaginação da criança (e do adulto também). E todos nós também sabemos que, quem lê muito, se comunica melhor e escreve melhor. E "quem escreve constrói um castelo, quem lê habita nele." Como eu quero ver minhas filhas construindo e habitando no maior e melhor castelo possível, o hábito da leitura é bem estimulado aqui em casa. Com a Júlia, que está no Brasil, considero minha missão quase cumprida. Ela gosta muito de ler e detona um livro em 2, 3 dias. E não é livrinho, não. É "livrão". Não é tudo que a agrada, mas quando ela gosta, sai de baixo. Em inglês ou português, lê com a mesma facilidade. As notas dela em literatura não me deixam mentir...
Na escola que frequenta (MHS), Julia precisou ler Shakespeare - com aquele inglês arcaico do século XVI (traduzindo: super difícil!). E ela foi super bem. O professor orientou os alunos a comprarem um livro chamando No fear Shakespeare (algo como "Não tema Shakespeare" ou "Shakespeare sem medo"). Chris levou-a a Barnes and Noble ( traduzindo: livraria dos sonhos - tradução livre bricadeirinha!) Essa loja é um espetáculo, um paraíso para os leitores. Eu entro lá e fico babando. Mas, por enquanto, não tenho muito tempo de ler quase nada. Entre uma panela, uma fralda e uma trouxa de roupa pra lavar, leio um pouco a Bíblia. E só.) Anyway, eles lá na livraria procurando o tal livro e a vendedora que os ajudou a encontrá-lo, deu a Júlia o seguinte conselho: "Shakespeare não se lê em silêncio, se lê em voz alta. Lembre-se que ele escreveu peças para serem encenadas. Shakespeare é teatral. E é muito importante que você leia em voz alta e faça as vozes dos personagens, assim, ficará mais fácil de você entender." Eu achei simplesmente o máximo ela receber essa orientação de uma vendedora de loja - que fez a diferença.
As livrarias de Houston são ótimas, mas os preços dos livros são salgadinhos. Principalmente pra gente, que não está ganhando e blá blá, blá... vocês já sabem. Uma alternativa maravilhosa é o uso da Biblioteca Pública de Houston - Houston Public Library. Na verdade, são 45 bibliotecas espalhadas pela cidade, e "tem sempre uma perto de você!!" ( de onde era mesmo esse slogan?) O uso é completamente gratuito. Você pode pegar até 50 livros por vez!! [Eu perguntei umas três vezes pra moça: "Fifteen(15)?" e ela me respondeu as três vezes: "Não! Fifty (50)!!" - é que eu fiquei escandalizada, gente!] E o melhor: de graça. Só precisa de um cartão magnético - que eles fazem na hora. Tudo que você precisa é de um documento de identidade com foto. Pronto. Você agora tem acesso ao catálogo de todas essas bibliotecas. Em um clique.
Sim, clique! Você pode ir no site, fazer a busca no catálogo, procurar o livro que você quer, adicionar ao seu cart (como se fosse comprar on-line), e ainda, ESCOLHER EM QUAL DAS 45 BIBLIOTECAS VOCÊ QUER PEGAR E DEVOLVER. Mesmo que o livro esteja na biblioteca-mais- longe-do-mundo de Houston, eles fazem o livro chegar até perto de você.
Eu e o Chris fizemos nossos Library Cards nas primeiras semanas que chegamos, mas eu ainda não tinha usado o meu. Até chegar a lista de livros da escola da Bia. Chegou pelo correio - eles adoram - uma listinha com 100 títulos(!!!) - para os pais escolherem de 10 a 20 - e lerem com seus filhos nas férias. É bom relembrar que são livros para alunos que ainda não sabem ler. Então, é para os pais lerem em voz alta com seus filhos. Na lista, eles explicam em breves linhas como fazer e também algo que chamou minha atenção: "Para todo leitor, existe um livro, mas nem todo livro é pra todo leitor." Uns, a criança vai gostar, outros não. Gosto não se discute, nem pra leitura. Por isso, achei interessante uma lista tão ampla: com certeza, de algum a criança irá gostar!
Espero muito que minhas filhas gostem de ler. Estamos fazendo nossa parte, eu acho.
Selecionei algumas fotos da Biblioteca Infantil do Children's Museum (já falei um pouco dele aqui e aqui) . Mas, eu ainda não tinha falado da biblioteca fofa que tem lá. E foi lá que eu peguei 7 dos 100 livros propostos. Ficarão aqui em casa por duas semanas (posso prorrogar a devolução por até seis semanas). E no final do prazo, posso devolver em qualquer biblioteca, ou ainda, renovar a locação e ficar com eles em casa.
Fácil. Cômodo. De boa qualidade. Gratuito. Tô dentro!
P.S.: Já lemos três!!
Estes foram os que eu trouxe pra casa.
quinta-feira, 7 de junho de 2012
A saga da escola - parte 2
Então...
Pelo pouco que vivenciamos nesses dias, posso escrever algumas mal-traçadas linhas sobre o assunto: ESCOLA PRA CRIANÇAS.
Todas as escolas - públicas e privadas- são bem rigorosas no quesito saúde. É uma exigência o cartão vacinal em dia. Eles checam MESMO. De verdade.
Memorial High School (public school) - Entreguei o cartão em português para a enfermeira e a ajudei na tradução. Uma das doses de varicela da Júlia ainda não tinha sido realizada, pois chegamos em abril e a dose deveria ser dada em 24 de maio. Na primeira semana de maio, chegou aqui em casa uma correspondência da escola, nos "relembrando" que a vacina iria vencer. Também na correspondência, vinha anexado uma requisição especificando qual vacina ela deveria tomar e uma folha com alguns lugares onde ela poderia tomar a vacina de graça ou a custos baixos. Como venceria apenas 24 de maio, não realizamos de imediato. Uma semana depois, como não havíamos realizado a vacina, a escola mandou de novo outra carta. A mesma coisa.
Antes de poder frequentar, Júlia passou por uma enfermeira que fez uns testes para checar se não havia problemas na coluna, além de teste de acuidade visual e auditiva.
Nós já havíamos realizado os testes no Brasil, porque pela internet, eu tinha visto que era uma exigência da escola. Mas, chegando aqui, fizeram os testes de novo.
BDCS e FBA (private schools) - Entregaram um formulário próprio da escola de vacinação e solicitaram que fosse preenchido por um médico. Além de exigirem o cartão vacinal, também exigiram o nome do médico, com telefone e endereço pra onde levar a criança em caso de emergência. Aliás, precisava de dois nomes. Dois médicos. Caso o pai não seja achado, a mãe não seja achada, o médico número 1 não seja achado... precisava do médico número 2. Entreguei o form com o nome de um médico só e eles não aceitaram. Precisei escrever no campo 2 "whomever on call" (quem estiver de plantão), porque essa poderia ser uma opção. Mas, tem que ter um segundo contato médico para emergência. Além disso, também deve-se levar um atestado médico em formulário específico de que sua criança é saudável.
Além disso ( de novo!), tive que preencher um formulário explicando que a criança não tem nenhuma alergia, nenhum problema de saúde, essas coisas. Na escola 1, Beatriz ainda teve que fazer um teste (assessment test), que checa as habilidades psico-motoras da criança. Mais 100$.
Bem, não serve só o contato médico...
Tem que providenciar também o contato de duas pessoas (mais duas) fora os pais - também não podem ser os médicos - em caso de emergência. Pensa o transtorno de arrumar 2 médicos + 2 pessoas para o contato de emrgência! Expliquei que não conhecia quase ninguém aqui (tem que ser da cidade), que não poderia sair pedindo isso para pessoas com as quais não tenho nenhuma intimidade. Pensem na cena: "Hi, I am Cristiane Santos. Nice to meet you, Fulana de Tal, quer ser o contato de emergência da minha filha??" Acabou o Christiano colocando como emergência um colega da turma dele lá do ELS.
Com tudo providenciado, recebi um aviso da secretaria da escola que a vacina da Laura de Hepatite A vence em julho e que eu deveria providenciá-la antes de começar o ano escolar (agosto/setembro). Deixei o cartão lá de manhã e fui avisada á tarde do mesmo dia. Não falei que eles checam, de verdade?
***
Júlia teve praticamente 8 semanas de aula depois que chegamos aqui e já está de férias. Neste período, ela teve dois treinamentos para incêndio. Falei sobre o primeiro treinamento em outro post. Depois daquele, teve mais um.
***
Todos os staffs da escolas 1 e 2 (private) são treinados em CPR (Ressucitação Cardio Pulmonar), e nas duas escolinhas tem desfibriladores automáticos em todos os corredores. Não vi na Memorial, mas assumo que deve ter também.
***
O custo da escola da Júlia tem sido 0.00 US$, mas, para isso, temos que morar na região mais cara de Houston, como eu já disse. Então, nosso aluguel é bem salgado. Para ter acesso `a educação pública, depende do seu tipo de visto. Se for com F2, não paga (é o nosso caso). Se for com J1, tem que pagar uma quantia (acho que uns 7000 US$) ao governo americano. Mas, como eu disse, eles não pediram nosso visto na escola.
***
O custo da pré-escola( das pequenas) varia muito. Na região que moramos, vai de 6000US$ a 18000US$ por ano, por criança. Acho que até tem escolinhas mais caras, mas não mais baratas do que isso. Isso é anual e costuma ser pago de uma só vez (Ui!!). Algumas escolas tem planos trimestrais ou mensais. Interessante é que os meses de férias não são cobrados. Em algumas delas, existe a opção de se pagar por semana. Todas elas têm uma registration fee, que é a matrícula e a maioria delas têm uma application fee, que é aquela taxa que não garante que seu filho vai estudar lá, mas te põe na lista de espera.
Muitas exigem um security deposit, que é reembolsável no final. O material escolar pode estar incluído ou não, depende da escola.E tem fee pra todo gosto!
***
Muito interessante o conceito deles de "atrasado".
Na escola da Bia, quando você deixa a criança, você assina uma chamada com o horário exato que está chegando. Quando busca, a mesma coisa. O horário de deixar é 8:30 e de buscar é 3 da tarde. Isso varia de acordo com a escola e com o programa que você escolhe. Tem um campo para esses horários de deixar e buscar. A partir de 3:01(!!!), você é considerado atrasado e é cobrado a mais. Das 3:01 `as 3:30 é uma multa, das 3:31 `as 4:00 é outra e assim por diante. Cada meia hora ou fração custa 5 dólares na escola BDCS. Depois das 6:00, são 2 dólares por cada 5 minutos de atraso. O mesmo vale para a entrada. Se vc deixar a criança 8:25, será considerado adiantado e pagará a mais por extended care. OU seja, não se atrase para buscar seu filho nem se adiante para deixá-lo na escola. Nem um minuto, literalmente. Be on time!!
Então, essas foram nossas primeiras impressões no assunto escola.
Pelo pouco que vivenciamos nesses dias, posso escrever algumas mal-traçadas linhas sobre o assunto: ESCOLA PRA CRIANÇAS.
Todas as escolas - públicas e privadas- são bem rigorosas no quesito saúde. É uma exigência o cartão vacinal em dia. Eles checam MESMO. De verdade.
Memorial High School (public school) - Entreguei o cartão em português para a enfermeira e a ajudei na tradução. Uma das doses de varicela da Júlia ainda não tinha sido realizada, pois chegamos em abril e a dose deveria ser dada em 24 de maio. Na primeira semana de maio, chegou aqui em casa uma correspondência da escola, nos "relembrando" que a vacina iria vencer. Também na correspondência, vinha anexado uma requisição especificando qual vacina ela deveria tomar e uma folha com alguns lugares onde ela poderia tomar a vacina de graça ou a custos baixos. Como venceria apenas 24 de maio, não realizamos de imediato. Uma semana depois, como não havíamos realizado a vacina, a escola mandou de novo outra carta. A mesma coisa.
Antes de poder frequentar, Júlia passou por uma enfermeira que fez uns testes para checar se não havia problemas na coluna, além de teste de acuidade visual e auditiva.
Nós já havíamos realizado os testes no Brasil, porque pela internet, eu tinha visto que era uma exigência da escola. Mas, chegando aqui, fizeram os testes de novo.
BDCS e FBA (private schools) - Entregaram um formulário próprio da escola de vacinação e solicitaram que fosse preenchido por um médico. Além de exigirem o cartão vacinal, também exigiram o nome do médico, com telefone e endereço pra onde levar a criança em caso de emergência. Aliás, precisava de dois nomes. Dois médicos. Caso o pai não seja achado, a mãe não seja achada, o médico número 1 não seja achado... precisava do médico número 2. Entreguei o form com o nome de um médico só e eles não aceitaram. Precisei escrever no campo 2 "whomever on call" (quem estiver de plantão), porque essa poderia ser uma opção. Mas, tem que ter um segundo contato médico para emergência. Além disso, também deve-se levar um atestado médico em formulário específico de que sua criança é saudável.
Além disso ( de novo!), tive que preencher um formulário explicando que a criança não tem nenhuma alergia, nenhum problema de saúde, essas coisas. Na escola 1, Beatriz ainda teve que fazer um teste (assessment test), que checa as habilidades psico-motoras da criança. Mais 100$.
Bem, não serve só o contato médico...
Tem que providenciar também o contato de duas pessoas (mais duas) fora os pais - também não podem ser os médicos - em caso de emergência. Pensa o transtorno de arrumar 2 médicos + 2 pessoas para o contato de emrgência! Expliquei que não conhecia quase ninguém aqui (tem que ser da cidade), que não poderia sair pedindo isso para pessoas com as quais não tenho nenhuma intimidade. Pensem na cena: "Hi, I am Cristiane Santos. Nice to meet you, Fulana de Tal, quer ser o contato de emergência da minha filha??" Acabou o Christiano colocando como emergência um colega da turma dele lá do ELS.
Com tudo providenciado, recebi um aviso da secretaria da escola que a vacina da Laura de Hepatite A vence em julho e que eu deveria providenciá-la antes de começar o ano escolar (agosto/setembro). Deixei o cartão lá de manhã e fui avisada á tarde do mesmo dia. Não falei que eles checam, de verdade?
***
Júlia teve praticamente 8 semanas de aula depois que chegamos aqui e já está de férias. Neste período, ela teve dois treinamentos para incêndio. Falei sobre o primeiro treinamento em outro post. Depois daquele, teve mais um.
***
Todos os staffs da escolas 1 e 2 (private) são treinados em CPR (Ressucitação Cardio Pulmonar), e nas duas escolinhas tem desfibriladores automáticos em todos os corredores. Não vi na Memorial, mas assumo que deve ter também.
***
O custo da escola da Júlia tem sido 0.00 US$, mas, para isso, temos que morar na região mais cara de Houston, como eu já disse. Então, nosso aluguel é bem salgado. Para ter acesso `a educação pública, depende do seu tipo de visto. Se for com F2, não paga (é o nosso caso). Se for com J1, tem que pagar uma quantia (acho que uns 7000 US$) ao governo americano. Mas, como eu disse, eles não pediram nosso visto na escola.
***
O custo da pré-escola( das pequenas) varia muito. Na região que moramos, vai de 6000US$ a 18000US$ por ano, por criança. Acho que até tem escolinhas mais caras, mas não mais baratas do que isso. Isso é anual e costuma ser pago de uma só vez (Ui!!). Algumas escolas tem planos trimestrais ou mensais. Interessante é que os meses de férias não são cobrados. Em algumas delas, existe a opção de se pagar por semana. Todas elas têm uma registration fee, que é a matrícula e a maioria delas têm uma application fee, que é aquela taxa que não garante que seu filho vai estudar lá, mas te põe na lista de espera.
Muitas exigem um security deposit, que é reembolsável no final. O material escolar pode estar incluído ou não, depende da escola.E tem fee pra todo gosto!
***
Muito interessante o conceito deles de "atrasado".
Na escola da Bia, quando você deixa a criança, você assina uma chamada com o horário exato que está chegando. Quando busca, a mesma coisa. O horário de deixar é 8:30 e de buscar é 3 da tarde. Isso varia de acordo com a escola e com o programa que você escolhe. Tem um campo para esses horários de deixar e buscar. A partir de 3:01(!!!), você é considerado atrasado e é cobrado a mais. Das 3:01 `as 3:30 é uma multa, das 3:31 `as 4:00 é outra e assim por diante. Cada meia hora ou fração custa 5 dólares na escola BDCS. Depois das 6:00, são 2 dólares por cada 5 minutos de atraso. O mesmo vale para a entrada. Se vc deixar a criança 8:25, será considerado adiantado e pagará a mais por extended care. OU seja, não se atrase para buscar seu filho nem se adiante para deixá-lo na escola. Nem um minuto, literalmente. Be on time!!
Então, essas foram nossas primeiras impressões no assunto escola.
quarta-feira, 6 de junho de 2012
A saga da escola - parte 1
Nunca achei que fosse tão difícil achar vaga pras meninas pequenas nas escolas americanas. Ainda mais, em uma cidade com milhares de escolas - literalmente.
Há um ano atrás viemos conhecer Houston, naquilo que chamam de "viagem de prospecção". Ver se era isso mesmo que queríamos, conhecer lugares para morar, enfim, sentir o clima da cidade em todos os aspectos. Também viemos conhecer as escolas e depois escolher aquela que a Júlia frequentaria. E esse foi o principal motivo da nossa vinda aqui no verão passado. Não queríamos prejudicá-la, tirando-a da melhor escola do Centro-Oeste do Brasil (Uhuu, WR!!). Dessa maneira, antes de vir pra cá no ano passado, passei meses em uma busca intensa e ativa na internet, procurando escolas adequadas para nossos objetivos. Mandei e-mails, agendei entrevistas e viemos. Fomos a escolas privadas e públicas e decidimos colocá-la na Memorial High School, que é uma escola pública super bem-conceituada aqui (bem diferente do conceito brasileiro de escola pública).
Tudo que precisávamos fazer pra a Júlia estudar lá era morar na attendance area da escola, ou seja, pra estudar em uma escola pública aqui, você precisa morar em uma zona específica daquela escola.(Não sei como funciona no Brasil). More a apenas uma rua fora da área da escola e você não pode estudar lá. Ou seja, existe um mapa que divide a cidade em School Districts e este é subdividido em attendance areas, com limites muito bem estabelecidos. Quer estudar nessa escola? More dentro desta da área. Nem um número a mais. Acontece que geralmente as melhores escolas estão dentro das áreas mais nobres (e caras) da cidade. Então, fizemos o sacrifício de morar na bendita área e tudo que precisou pra Júlia ser matriculada lá foi:
um teste pra checar o inglês,
transferência da escola do Brasil com histórico escolar,
cartão de vacinação( deve estar em dia) e
comprovante de endereço.
Este último é bem oficial, tem que ser o contrato de aluguel do apartamento e o aluno deve estar listado no contrato como morador. Não pediram passaporte ou visto, apesar de que, como portadora do visto F2, ela tem o direito de estudar em escola pública.
Em uma semana, Júlia havia feito os testes, passado pela enfermeira, e estava frequentando a nova escola.
Com as pequenas, a história foi outra.
De início, achei que seria bem mais fácil achar escolas pra elas, pois seriam escolas particulares (já que não tem escola pública para menores de 4 anos.) Não imaginávamos que tudo estaria lotado para o próximo ano escolar (que começa em agosto/setembro)!!! Chegamos em abril e todas as escolas da nossa região tinham lista de espera... Achávamos que era só chegar, matricular e começar a frequentar. Que inocência!!
Na primeira semana que chegamos, fomos visitar uma escola que eu havia buscado na internet para a Beatriz e Laura. Adorei a escola. Sonho!!! Mas, era apenas a primeira escola e eu não quis tomar a decisão de forma impensada, sem olhar outra.
Recebemos um e-mail avisando que tinha a vaga, mas tínhamos que correr para fazer a inscrição das meninas (que não é a matrícula ). Avisei que não poderia ir de imediato e desmarquei duas vezes a ida lá, explicando meus motivos( primeira semana no país, ainda sem carro, comprando móveis, expliquei tudinho por e-mail). Advinha? Demorei 4 dias pra ir lá e, MESMO TENDO AVISADO, a vaga havia sido preenchida. Que ódio!! Tive que pagar a tal inscrição SEM GARANTIAS de que haveria a vaga. Fui colocada em uma lista de espera. 150 $.
Depois do choque da perda da vaga, decidimos procurar outras escolas. Foi um sufoco, visitamos umas dez escolas, fora os e-mails que mandei pra mais um monte. Tudo lotado. As vagas começam a ser preenchidas em fevereiro para as aulas que começarão em setembro!!!! Como chegamos em abril, todo mundo já havia matriculado seus filhos. É aí que eu digo que americanos fazem tudo com antecedência. Sem contar que nenhuma escola superava as expectativas da primeira.
Finalmente, semana passada, quando cansei de esperar a ligação da escola, decidimos que as meninas iriam para outra escolinha - que também gostamos muito. Beatriz apenas duas vezes por semana, porque não conseguimos vaga pra todos os dias(mas estamos na lista de espera!). Laura irá todos os dias (tinha vaga na turminha dela). Pagamos as taxas disso e daquilo, e, depois de deixar lá mais de 1000$ (mil!!!), ligaram da escola número 1 falando que haveria a vaga pra Bia, todos os dias. Mas só pra setembro. Ai, que confusão!!!
Beatriz começou na BDCS (escola 2) o programa de verão (Summer School) duas vezes por semana. Ontem foi seu primeiro dia de aula, e ela amou!! Quando acabar o programa, em agosto, ela vai pra FBA(escola 1). Laura fica na BDCS a partir de agosto. Por enquanto, Laura está sem escola (muito novinha, não tem programa de verão pra ela!)
Então teremos duas adaptações, pois serão duas escolas pra Beatriz - uma começando no verão e outra no outono (eles gostam de dividir o ano escolar assim, em estações).
A partir de agosto, Bia em uma escola e Laura em outra. E aqui é tudo "pertinho", vocês podem imaginar... Mãetorista é pra essas coisas! Que legal!
Sem contar, que agora estou um fenômeno nas Highways! :) De verdade!
Ainda bem que a Júlia vai de school bus. Pega na porta de casa e deixa dentro da escola e vice-versa.
Concluindo:
Não sei como vou fazer com o dinheiro que paguei pra Bia na BDCS, pois costuma ser non-refundable (não reembolsável). E todo $$ gasto aqui, tem que ser bem contabilizado, pois não estamos trabalhando.
Não sei como vou lidar com três filhas, cada um em uma escola diferente, com diferentes horários de levar e buscar. Ah! Soma-se aí um marido, que também tem que ser levado e buscado, porque só temos um carro. Se bem que ele volta quase sempre de ônibus.
Não sei como vou fazer para começar minha vida profissional aqui, tendo tanta coisa pra fazer.
Na parte 2 da saga (acreditem: tem uma parte 2!!), falarei um pouco sobre as exigências das escolas, questões de saúde e vacinação, mensalidades/custos, entrevistas, testes etc... Fiquem ligados!
Há um ano atrás viemos conhecer Houston, naquilo que chamam de "viagem de prospecção". Ver se era isso mesmo que queríamos, conhecer lugares para morar, enfim, sentir o clima da cidade em todos os aspectos. Também viemos conhecer as escolas e depois escolher aquela que a Júlia frequentaria. E esse foi o principal motivo da nossa vinda aqui no verão passado. Não queríamos prejudicá-la, tirando-a da melhor escola do Centro-Oeste do Brasil (Uhuu, WR!!). Dessa maneira, antes de vir pra cá no ano passado, passei meses em uma busca intensa e ativa na internet, procurando escolas adequadas para nossos objetivos. Mandei e-mails, agendei entrevistas e viemos. Fomos a escolas privadas e públicas e decidimos colocá-la na Memorial High School, que é uma escola pública super bem-conceituada aqui (bem diferente do conceito brasileiro de escola pública).
Tudo que precisávamos fazer pra a Júlia estudar lá era morar na attendance area da escola, ou seja, pra estudar em uma escola pública aqui, você precisa morar em uma zona específica daquela escola.(Não sei como funciona no Brasil). More a apenas uma rua fora da área da escola e você não pode estudar lá. Ou seja, existe um mapa que divide a cidade em School Districts e este é subdividido em attendance areas, com limites muito bem estabelecidos. Quer estudar nessa escola? More dentro desta da área. Nem um número a mais. Acontece que geralmente as melhores escolas estão dentro das áreas mais nobres (e caras) da cidade. Então, fizemos o sacrifício de morar na bendita área e tudo que precisou pra Júlia ser matriculada lá foi:
um teste pra checar o inglês,
transferência da escola do Brasil com histórico escolar,
cartão de vacinação( deve estar em dia) e
comprovante de endereço.
Este último é bem oficial, tem que ser o contrato de aluguel do apartamento e o aluno deve estar listado no contrato como morador. Não pediram passaporte ou visto, apesar de que, como portadora do visto F2, ela tem o direito de estudar em escola pública.
De início, achei que seria bem mais fácil achar escolas pra elas, pois seriam escolas particulares (já que não tem escola pública para menores de 4 anos.) Não imaginávamos que tudo estaria lotado para o próximo ano escolar (que começa em agosto/setembro)!!! Chegamos em abril e todas as escolas da nossa região tinham lista de espera... Achávamos que era só chegar, matricular e começar a frequentar. Que inocência!!
Na primeira semana que chegamos, fomos visitar uma escola que eu havia buscado na internet para a Beatriz e Laura. Adorei a escola. Sonho!!! Mas, era apenas a primeira escola e eu não quis tomar a decisão de forma impensada, sem olhar outra.
Recebemos um e-mail avisando que tinha a vaga, mas tínhamos que correr para fazer a inscrição das meninas (que não é a matrícula ). Avisei que não poderia ir de imediato e desmarquei duas vezes a ida lá, explicando meus motivos( primeira semana no país, ainda sem carro, comprando móveis, expliquei tudinho por e-mail). Advinha? Demorei 4 dias pra ir lá e, MESMO TENDO AVISADO, a vaga havia sido preenchida. Que ódio!! Tive que pagar a tal inscrição SEM GARANTIAS de que haveria a vaga. Fui colocada em uma lista de espera. 150 $.
Depois do choque da perda da vaga, decidimos procurar outras escolas. Foi um sufoco, visitamos umas dez escolas, fora os e-mails que mandei pra mais um monte. Tudo lotado. As vagas começam a ser preenchidas em fevereiro para as aulas que começarão em setembro!!!! Como chegamos em abril, todo mundo já havia matriculado seus filhos. É aí que eu digo que americanos fazem tudo com antecedência. Sem contar que nenhuma escola superava as expectativas da primeira.
Finalmente, semana passada, quando cansei de esperar a ligação da escola, decidimos que as meninas iriam para outra escolinha - que também gostamos muito. Beatriz apenas duas vezes por semana, porque não conseguimos vaga pra todos os dias(mas estamos na lista de espera!). Laura irá todos os dias (tinha vaga na turminha dela). Pagamos as taxas disso e daquilo, e, depois de deixar lá mais de 1000$ (mil!!!), ligaram da escola número 1 falando que haveria a vaga pra Bia, todos os dias. Mas só pra setembro. Ai, que confusão!!!
Bia no primeiro dia de aula na BDCS
Enfim, ficou assim:
Então teremos duas adaptações, pois serão duas escolas pra Beatriz - uma começando no verão e outra no outono (eles gostam de dividir o ano escolar assim, em estações).
A partir de agosto, Bia em uma escola e Laura em outra. E aqui é tudo "pertinho", vocês podem imaginar... Mãetorista é pra essas coisas! Que legal!
Sem contar, que agora estou um fenômeno nas Highways! :) De verdade!
Concluindo:
Não sei como vou fazer com o dinheiro que paguei pra Bia na BDCS, pois costuma ser non-refundable (não reembolsável). E todo $$ gasto aqui, tem que ser bem contabilizado, pois não estamos trabalhando.
Não sei como vou lidar com três filhas, cada um em uma escola diferente, com diferentes horários de levar e buscar. Ah! Soma-se aí um marido, que também tem que ser levado e buscado, porque só temos um carro. Se bem que ele volta quase sempre de ônibus.
Não sei como vou fazer para começar minha vida profissional aqui, tendo tanta coisa pra fazer.
Na parte 2 da saga (acreditem: tem uma parte 2!!), falarei um pouco sobre as exigências das escolas, questões de saúde e vacinação, mensalidades/custos, entrevistas, testes etc... Fiquem ligados!
segunda-feira, 23 de abril de 2012
Treinamento para incêndio
Hoje, na escola da Julia, teve um treinamento para todos os alunos, sobre o que fazer em caso de incêndio. TODOS os alunos tiveram que evacuar o prédio da escola. Alguns deles voltaram para pegar os materiais e os professores avisaram: "Pessoal, vocês estão tentando sobreviver: deixem os materiais e saiam o mais rápido possível!!" Foi super realista. Achei interessantíssimo, porque em todos esses anos no Brasil, ela nunca passou por nenhuma coisa do gênero. Por isso, infelizmente, temos tantas tragédias: porque as pessoas não estão preparadas para as emergências. Sei que nem tudo é perfeito aqui, mas tem que coisa que com certeza, é melhor. Vamos absorvendo o que eles têm de bom...
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