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sábado, 31 de dezembro de 2016

Uma palavra pra 2017

Eu gosto muito da "palavra" e tudo relacionado a ela. Línguas, textos, livros. Gosto muito de falar e de escrever. Tenho fascínio por peças bem escritas, elaboradas como um trabalho manual. Também aprecio a beleza da simplicidade de uma palavra bem colocada  na hora certa. Curta e certa.
Outra coisa que amo é brincar com o sentido das palavras - o que os americanos chamam inocentemente de "puns" -  o que já  é engraçado por si só.  (pronuncia-se pâns, pelo menos)
Mas,  nunca antes na minha própria história, eu pensei que uma palavra tinha o poder de fazer tanta coisa.

No final de 2015, li em algum lugar um texto de alguém (desculpem a falta de créditos aqui. Coisa feia!) sugerindo que cada pessoa escolhesse para si uma palavra para definir o seu próximo ano. A palavra deveria ser escolhida com cuidado, porque seria algo para você se apegar no ano que, então, se iniciava.  "Audacious" foi a palavra que escolhi - inspirada pelo livro de Beth Moore de mesmo título.  2016 chegou pra mim e eu já estava esperando de braços abertos, pronta pra me jogar audaciosamente nele.

O Ano começou devagar e difícil. Logo percebi que seria preciso mesmo muita audácia pra encará-lo. Foi então que eu falei:

"VEM! VEM 2016 pra você ver o que que é bom pra tosse!"

E ele veio.

Pra resumir, 2016 foi ano que fiz minha primeira entrevista de emprego e consegui meu primeiro trabalho nos Estados Unidos.
Tirei a roupa de ginástica e usei terninho.
Voltei a respirar um pouco mais de Ciência - mas não menos de limpa-móveis e amaciante.
Escrevi artigos científicos para a Indústria Farmacêutica  e colunas motivacionais para uma revista brasileira de variedades.
O namoro no processo de revalidação do meu diploma deu casamento! Em menos de 8 meses, eu fiz meu step 1 e step 2 CK  e passei - até bem passado - nos dois.
Voltei a usar um jaleco e vislumbrei pela primeira vez na vida um Cristiane Tuma, MD bordado no bolso.
Finalizei meu primeiro livro em português pra gente grande e meus primeiros em inglês pra gente pequena.
Finalizei alguns manuscritos bilíngues para crianças.
Desengavetei tudo isso e mandei meus manuscritos para Editoras de verdade.

2016 não foi exatamente o que eu queria. Tive minhas dores, minhas lágrimas.
Mas,  2016 foi exatamente o que ele teria que ser.
Um ano.
365 dias (esse particularmente, foram 366).
Com seus meses e suas estações.
Com dias de chuva e de sol.
Com suas perdas e seus ganhos.
Com suas boas e más notícias.

Quem foi audaciosa, fui eu.

Gostei desse negócio. Do negócio da palavra. E vou fazer de novo.

Pra 2017, minha palavra é "Fervent" e minha inspiração dessa vez é do livro da Priscila Shirer. Mas, a melhor tradução pra português não é fervente, não.

Fervent quer dizer "intensa", "entusiasmada", "apaixonada", entende?

Quero viver esse ano com intensidade.
Com entusiasmo.
Com paixão.


Fervent não é fervente.

Mas até que podia ser, nas palavras de Erasmo.

Vem 2017!
"Pode vir quente, que eu estou fervendo!"

Beijos e até o ano que vem!

quarta-feira, 30 de março de 2016

Bleh

Sabe aqueles dias da vida da gente que se não tivessem existido não fariam diferença?
Pois é, hoje foi assim.
Um dia bleh.  Tudo que eu programei fazer não deu certo. Na verdade, nem programei nada.
O mais do mesmo.
Tem dia que cansa.
Lancheira pra arrumar e desarrumar.
Menino pra levar e buscar.
Roupa pra lavar - secar - dobrar - guardar.
Sensação de não produzir nada diferente.
Trem sem graça essa vida.
***
Hoje minha imagem no espelho revelou cabelos brancos como nunca antes na história desse país.
Minha comida ficou sem sal.
Minha cachorra estraçalhou o bichinho de pelúcia deixando seus 1328 restos mortais de espuma esparramados pelo carpete recém-aspirado.
Minha grama tá tão alta que meu jardim da frente parece uma plantação de arroz. Mas a máquina de cortar grama pifou.
***
Ainda não sei onde quero chegar com esse post. Porque afinal, tem dois meses e meio que não posto nada e quando finalmente apareço, só tem mimimi.
Gosto de encorajar o povo, de fazer rir, dizer coisas com sentido. Metida a filósofa. Sou dessas.
Me incomoda um pouco despejar as frustrações em palavras e abrir para o mundo ouvir.
Mas talvez por isso mesmo é que escrevo hoje.
***
Talvez - só talvez - eu queira dizer pra mim mesma que não sou perfeita.
Não sou feliz o dia todo.
Não sou feliz todos os dias.
Tem dia que grito com minhas filhas como prometi que nunca gritaria.
Tem dia que acho chato cozinhar.
Tem dia que acho um saco cuidar da roupa da casa. Opa. Isso é todo dia.
Tem dia que é tudo ao mesmo tempo.
Acho que hoje foi o dia.
Talvez - só talvez  - eu queira dizer pra mim mesma que pelo menos um post no blog teve.
E também uma boa conversa .
***
Mas, hoje amanheci meio  sem graça.
E vou dormir meio sem graça.
***
Sei lá, tem dia que deve ser assim mesmo.
Sem muita lição de vida.
Sem muito conselho.


Um dia meio bleh.


domingo, 17 de janeiro de 2016

Abaixo a Mudança

Este é meu texto que foi destaque na Revista Brasilianas no dia 08 de janeiro deste ano.
Confiram!!

            Estão dizendo por aí que este é o ano da mudança. Pra mim, não.
            Em 2016 não quero saber de mudança. Já mudei muita coisa em 2015. E em 2014  também. E assim foram  2013 e 2012. Mudei de casa, de cidade, de  Estado. Mudei de país, de profissão, de visto. Mudei até de classe social. E não, não foi pra subir a escada, dessa vez.
            Ao longo das minhas mudanças, eu conhecei muitas pessoas. Centenas delas. Milhares, talvez. Mas apenas uma, uma única pessoa ousou me dizer, em todos esses anos, que gostava de mudar. Dizia ter o espírito cigano (coisa que, obviamente, eu não pareço ter).
            Que me dêem licença os mudadores. Mudar é um saco.
            Experimente mudar de casa.  Mudançazinha pequena, estou falando. Você rapidamente se verá cercado de tantas caixas, que logo se formarão verdadeiras trincheiras dignas da Guerra Civil. E você passará alguns bons dias andando em um labirinto dentro da sua própria sala. Foi assim comigo.
            Experimente mudar de Estado. Em pouco tempo, perceberá que terá que mudar muita coisa além da mobília. Seguro saúde, seguro de carro, seguro de casa (obviamente), documento do carro e até carteira de motorista.  Foi assim comigo também. Mudei criança de escola, mudei filho de faculdade; mudei de sponsor, mudei de status.
            2015 foi o ano de mudar.
            2016 não.
            Não pra mim.
            E foi assim que comecei o meu Ano Novo , com a resolucão-mór da minha lista interminável de resoluções. Não quero mudar tão cedo. Não quero mudar mais nunca.
            Mas essas resoluções de Ano Novo. Ah, essas malditas! Parecem que ficam esperando a gente, como caçadores  na espreita. Observando a gente, ligadas nas tantas caixas - que ainda não foram desfeitas, elas ficam `a espera dos nossos tropeços. Ao primeiro sinal de fraqueza: Bam! As resoluções nos avisam impiedosamente que  não somos capazes de cumpri-las. E carregamos pelo resto do ano a culpa da nossa desistência.
            Hoje  a minha resolução-mór me pegou no ato. Mal  foi o ano começar e já chegou a hora de desmontar a árvore de Natal.  E lá então, estava eu de novo, atrás de tanta caixa, em tantas idas e vindas na garage. Lá estava eu pensando silenciosamente… Talvez mudar seja preciso...
            E , filosofando enquanto tira os enfeites de Natal,  a gente  percebe que não dá pra ficar com um Papai Noel tamanho família no jardim o ano inteiro. E nem com as luzinhas. Amo as luzinhas! Mas não dá. A guirlanda da porta também tem que sair.
            Acho que é mais fácil ser bicho - penso sozinha enquanto guardo o último boneco de neve. Animais têm feito a mesma coisa há milhões e milhões de anos. Comem as mesmas coisas ( nunca vi um leão vegetariano); e caçam as mesmas presas; e fogem dos mesmos predadores; e moram nos mesmos lugares. É mais fácil. Sem dúvida. E, embora ninguém negue que somos semelhantes em muitos aspectos aos animais, também ninguém nega que somos diferentes.
Mudar é parte disso. Não falo de mudar por um alteração climática ou um desequilíbrio ecológico. Sob pressão, até planta muda! E mudam células,  bactérias, virus...  Até proteína muda!
É preciso mudar, sabe? Mudar sempre. Em 2016, como em qualquer ano. É difícil, mas precisa. Mudar é coisa de gente.
            Mudar de roupa. Mudar de cara. De corte de cabelo. Mudar de mobília. Mudar de decoração. É preciso até mudar de ideia. E de opinião. E de partido politico. Nem dói muito…
            Para falar a verdade, o processo de mudança  também não vem assim  tão natural para nós, seres humanos ( a gente também é um pouco bicho, não é?)  E a gente chega a sofrer, porque não quer mudar. A tal zona de conforto é (surpreenda-se!)uma zona bastante confortável.
            A gente muda porque precisa mudar. Mas a gente também muda porque quer mudar. E isso faz toda a diferença. Querer mudar.
            Mudar é uma decisão que se faz todos os dias. Mudar pra ser mais feliz, mudar pra fazer o outro mais feliz. Mudar porque quer corrigir os erros cometidos, mudar porque quer uma chance de acertar.  Mudar pra alcançar novos alvos, conhecer novos amigos. Mudar para melhorar o que tem em volta. Mudar pra melhorar a nós mesmos.
            Ainda a primeira semana do ano não terminou e a minha resolução-mór  da minha lista interminável de resoluções já foi para o espaço.
Chamem de desistência. Ou de falta de perseverança. Ou do nome que for.
Eu chamo de mudança.
Pra 2016 e para todos os dias.



O link para o artigo da revista é essa aqui: http://www.revistabrasilianas.com/abaixo-a-mudanca/

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Finalizando


Eu sei, eu sei. Mais uma retrospectiva de final de ano é demais!! Você já não aguenta. Mas, é a minha primeira retrospectiva do ano e eu tenho poucas horas para conclui-la. Segura as pontas que vai ser rápido.
Termino meu ano de 2015 agradecida - como sempre. 2015 foi bom demais da conta. Não fiquei rica, não arrumei o emprego dos sonhos, não realizei tudo o que eu quis. Mas foi o ano que recebemos a resposta que viemos buscar do lado de cima do Equador. Foi o ano que a porta se abriu de forma definitiva pra gente. Foi o ano que o medo de ter que voltar pro Brasil foi superado ( sim, eu tinha medo, me julguem). Foi o ano que mudei de Estado. Foi o ano que comprei minha casa própria nos Estados Unidos. Foi o ano que recebi meu Social Security e minha autorização de trabalho. Não, ainda não tenho emprego. Mas gostei de 2015 mesmo assim. Mesmo terminando 2015 desempregada ( se bem que ainda tenho algumas horas para um contrato relâmpago, nunca se sabe!)
Por trás disso tudo, foi o ano em que finalmente, renasceu em mim a vontade de voltar a ter minha profissão. Sou grata porque pensei que esse desejo nunca mais ia voltar. Mas ele voltou!!! Ele voltou!! E estou pronta pra começar o ano trabalhando no que Deus tiver pra mim. Foi o ano que finalmente voltei a ler artigos científicos, fazer cursos, olhar congressos. Foi o ano que montei meu currículo em inglês e tentei dar uma limpada na ferrugem do bichinho. Também foi o ano que sacudi a poeira do bloguito ( ainda que recentemente) e finalmente comprei um domínio - o euabrasil.com ( chama isso mesmo em português? domínio?). Botei anúncio no blog e em breve, uma loja virtual. Aguardem!
Foi o ano em que li quase tantos livros quanto eu gostaria e aprendi muita coisa nova.
Enfim... muita coisa boa aconteceu em 2015. Muitos sonhos pra serem realizados, alguns projetos no forno ainda ( literalmente, tem um lombo cheirando a casa toda neste exato momento!!). Tive tropeços também, claro. Obviamente, tive lágrimas - e não foram poucas. Tive saudade, muita saudade. Tive a falta do meu pai - que vai me acompanhar pra sempre, eu já percebi isso e a esta altura, você também. Mas este ano - em que eu me lembrei dele com muita freqüência ( leia-se  o tempo todo, várias vezes ao dia),  sua memória me trouxe mais sorrisos do que lágrimas! E eu mais uma vez,  me senti muito confortada por Deus. Tive paz e esperança.
E  são estes esses dois singelos sentimentos que me sussurram:  2016 será ainda melhor.
Feliz Ano Novo, gente!
Todo dia é dia de ser feliz.
Vejo vocês no ano que vem.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Reflexões de Natal


Permitam-me celebrar o Natal.
Mesmo com o mundo virado, dominado pela maldade, dominado pela avareza, e pelas injustiças sociais.
Permitam-me celebrar o Natal. E enfeitar a minha casa de luzes e montar a minha árvore e ter minhas filhas em volta, colocando enfeite por enfeite com capricho e determinação de quem faz uma obra de arte.
Permitam-me ouvir músicas natalinas que falam de renas e de neve, que falam de comidas e famílias, de suéteres, de frio, e de tudo que nem tem na Bíblia, mas faz parte da cultura do país em que escolhi para morar.
Permitam-me fazer biscoitos com minhas filhas, em formatos de gingerbread man, de bengala de doce e, de meias - e não necessariamente de manjedoura.
Permitam-me ser generosa. E comprar presentes para os meus filhos e meus amigos, aqueles que Deus colocou mais próximos de mim para cuidar e amar de maneira mais especial e intensa. Permitam-me ser mais generosa também com quem não conheço, mais nessa época do que em qualquer outra, por saber que melhor é dar do que receber. E que já recebi  muito mais do que posso oferecer.
Permitam-me ter minha casa com meias dependuradas e enchê-las devidamente na madrugada do dia 25. Permitam-me ver os olhos das minhas filhas brilhando e ouvir os seus gritinhos de alegria ao descobrirem que Papai Noel passou...
Permitam-me ensinar essa fábula as minhas filhas como quem a guardou como um tesouro,  como herança preciosa da própria infância. Permitam-me entrar  nessa fantasia que em tão pouco tempo se desfará, assim como se desfará a fantasia da Cegonha, da Fada-do-dente, da Cinderela, da Bela Adormecida e da Branca de Neve. Permitam-me enquanto posso, saborear o gosto das risadinhas e da surpresa, o gosto da inocência infantil.
Permitam-me celebrar o Natal. E convidar Jesus pra festa, apesar de não precisar, pois não pode ser convidado alguém que já mora na casa. Permitam-me celebrar o seu dia e cantar " Parabéns pra Você" pra Jesus na hora da sobremesa, como tenho feito todos os anos.
Permitam-me ir a toda programação musical da cidade e entoar os hinos de louvor mais belos de todos os tempos.
Mesmo sabendo que Jesus não nasceu em dezembro, mesmo sabendo que trata-se na verdade de uma festa  pagã  m sua origem que não comemora nenhum Messias, que comemora o início do inverno no Hemisfério Norte. Permitam-me aceitar essa data como algo escolhido por homens, mas que leva a uma reflexão  sagrada.
Permitam-me entender o significado do Natal - o nascimento do filho de Deus, do Verbo que se fez carne e do milagre da Salvação que existem em Jesus Cristo, aquele a quem celebramos.
Permitam-me ver a alegria do Natal. Mesmo com o coração doendo daquela ausência que nunca acabará. Mesmo com uma dor doída que insiste em permanecer e uma tristeza na alma que aumenta muito nessa época do ano. Mesmo sentindo, pra sempre, a falta do "meu" Papai Noel.
Permitam-me minhas tradições. Estão sendo usadas para moldar crianças saudáveis e estreitar laços de família e amizade. Estão sendo usadas para ensinar generosidade, ensinar que a família é o bem mais importante que se pode ganhar, que a verdadeira alegria supera momentos difíceis.
Eu vou celebrar com tudo, com ceia, com presente, com luzinha, com festa e Papai Noel.
O maior presente do Natal eu já tenho - Jesus Cristo como Senhor e Salvador da minha vida. E com Ele falo todos os dias, canto todos os dias, agradeço todos os dias. Ele está comigo em todas as minhas tristezas e estará em todas as minhas celebrações.
Quer me permitam, quer não.

Feliz Natal a todos!

quarta-feira, 26 de março de 2014

Silêncio

Há quase três meses, não recebo uma ligação  do Brasil.
Uma ligação de todos os dias.
Meu telefone está em silêncio... Não o ouço tocar. Não ouço a voz mais presente da minha vida do outro lado da linha.
Silêncio.
Suas palavras eram meu pão diário, e faziam parte da minha rotina. 
Ora corriqueiras, triviais, falando de coisas simples; ora sábias e profundas, me ensinando o mais importante dessa vida. Sempre, uma doce voz, uma doce palavra...

"E agora, José? Sua doce palavra.... e agora?"

Ah, pai, como me fazem falta suas palavras...
E elas silenciaram para sempre no dia 14 de janeiro.
Ainda não consigo acreditar que o senhor não vai me ligar mais. Pra saber das meninas, perguntar do meu dia, se eu vi o que disse Bill O'Reilly na FoX News... Não vai me ligar pra saber se eu sei o que é "drift", "spare", "shed" ou qualquer outra palavra que o senhor sabia e eu não..., se eu ouvi o que o democrat so-and-so  falou - e que é um absurdo, por sinal! - se eu vi o último discurso do Rick Perry... 
Não vai me ligar pra saber com está o clima aqui e falar que ama o frio... Como vai o Christiano no novo hospital... 
Todo o  dia. Pai, todo o dia é muita coisa, sabe? E todo o dia faz seu silêncio doer mais. 
Não, pai, isto que escrevo não é um tributo `a sua vida. Isso ainda não consigo fazer... Isso é apenas uma satisfação que dou aos meus poucos e fiéis leitores. Pra que eles saibam o motivo do meu silêncio. Porque o meu silêncio é fruto do seu, como minha vida é fruto da sua.

Um tributo `a sua vida, pai, merece um blog inteiro. Ou melhor, um livro. Porque disso o senhor gostava muito. E foi um dos seus pedidos, né? Que não jogássemos fora seus livros. 

"E agora, José, sua biblioteca?... e agora?"

Está bem guardada, pai. Como estão bem guardadas suas palavras, seus ensinamentos e seus exemplos. Exemplo de homem que mais amou nessa vida.  Que me ensinou que AMOR é coisa que se demonstra e não coisa que se sente. Que sentir amor sem demonstrar é o maior erro dessa vida. AMOR sentido é AMOR vivido. E eu fui amada. E mais do que isso, eu me senti amada. E também minha família, meu marido, minhas filhas. 
Obrigada, pai. Porque o senhor amou em ações e não só em palavras.
Obrigada, pai, porque o seu silêncio não te apaga da minha vida. O seu silêncio me machuca, me maltrata. Mas o seu AMOR, esse o senhor deixou pra mim. 
E esse... não morre nunca.


"Mas, você não morre! Você é duro, José!"




"O amor jamais acaba." 
1 Co. 13.8


José Abdala Tuma Neto
* 24/11/1949
† 14/01/2014





quarta-feira, 16 de outubro de 2013

3x4 (para os que ainda não me conhecem)




Cristiane Araújo Tuma Santos

Esse é seu nome, mas ela usa Cristiane Tuma desde sempre. E acha muito estranho aqui ser Cristiane Santos. Para os íntimos, Tchu.
Se acaso perguntarem quem é ela, digam que ela é brasileira, 35 anos, casada há 17, mãe de três meninas e médica hematologista.
Digam que ela escreve mas não é escritora, tem blog, mas não é blogueira. Digam que costura mas não é costureira, cozinha, mas não é cozinheira. E por aí vai…
Digam que ela tem sonhos. E foi em busca desses sonhos que ela veio parar aqui, na Terra do Tio Sam.
Digam que os planos dela incluíam um período sabático de um ano - que já dura quase dois.
E se perguntarem por que Houston, digam que foi por causa do Medical Center (porque ela nunca quis abandonar a Medicina) mas que nesses dois anos, ainda não pisou os pés lá. Aliás, já pisou sim, uma boa quantia de vezes, mais até do que gostaria, como mãe e não como médica.
Digam que, `as vezes, ela se incomoda um pouco com a “longura” desse período de descanso em que faz de tudo, menos descansar. É voluntária na escola, na biblioteca,  líder de oração, aluna de francês, motorista e tradutora.
Digam que ela é de Goiânia, e deixou pra trás cinco empregos, sendo dois consursos públicos, a Diretoria de um Hemocentro Regional, um cargo de Professora da Faculdade de Medicina  da PUC-GO e um consultório lotado;  mas que não olha pra trás. Digam que ela ama sua família e seus amigos que ficaram no Brasil e essa é a única coisa de que sente falta.
Digam que ela é cristã praticante, que frequenta assiduamente duas igrejas (uma brasileira e uma americana). Frisem que ela sabe que isso não a torna melhor do que ninguém. Frisem bem. Mas, ela espera refletir nos seus atos aquilo que acredita no seu coração.
Digam que ela  tem sido sombra enquanto o cônjuge é a figura  - e ela é relativamente bem-resolvida com isso (mas faz terapia pra não pirar.)
Digam que essa é ela  em 3x4 -  se acaso perguntarem.

terça-feira, 21 de maio de 2013

Mudança de hábito

Uma das desvantagens de morar na América ( acredite, não vejo só vantagens) é ter que tomar conta da casa. Todos vocês já sabem que a brincadeira cansa, e eu, já estou meio de saco cheio dela. O que me mata é a rotina , e não a casa em si. Sabe, arrumar a cama todos os dias? E, depois a noite, bagunçar a cama, pra no outro dia, arrumar de novo? E o mesmo com as vasilhas... Sujar pra depois lavar pra depois sujar pra depois lavar. Enfim, aquela dízima periódica...
Mas, o grande segredo que torna a vida mais fácil ( um dos) é a cooperação de todos. Cof, cof, cof para a pessoa dessa casa que consegue ler o blog e não está listada como autora. Porque aqui não tem uma funcionária "por conta" recebendo pra catar as coisas bagunçadas e arrumar as desarrumações, né, não? 

Ainda bem, graças a Deus, que Dr Marido  me ajuda muito com a trabalheira na casa  e também ajuda muito com as pequenas. Faz o leitinho da noite das meninas, dá banho, troca roupa (a luta de fazê-las dormir é quase sempre minha parte) e mais do que isso,  todos os dias,  eu digo: T–O–D-O-S  O-S  D-I-A-S, essa criatura abençoada arruma a cozinha depois do jantar. Uma salva de palmas pra Dr. Marido!
 reactiongifs.com




Mas, como nem tudo é perfeito ( ninguém aí achou que o post era só pra fazer propaganda conjugal, né?), essa mesma criatura ficou de repente muito, mas muito chata, porque agora, ele arruma a bagunça.  E  ainda criou um slogan. UM SLOGAN!!!! "Só quem arruma, pode reclamar" Com variações do tipo " Reclamo porque arrumo". E passa o dia falando isso. Eu falo que ele se tornou uma velha rabugenta - que eu até citaria o nome se tivesse a certeza de que ela não lê o blog, mas vai que, né? Pois, uma das coisas irritantes que ele faz é a seguinte: ele se põe a catar tudo que EU AINDA ESTOU USANDO durante o meu criativo processo culinário.


Eu começo a procurar a manteiga e cadê? Já está guardada.
O arroz,  cadê? O saco já foi devidamente clipado e armazenado na despensa.
A faca que eue estava usando? Já foi colocada na lava-louça.
A cebola? Já foi enrolada no plástico e colocada na geladeira.
Isso me altera de uma forma que vocês não imaginam!!

reactiongifs.com
Simplesmente porque Dr Marido quer que a cozinha fique um brinco DURANTE o processo de preparo e cozimento/assamento/fritamento/microondamento dos meus quitutes. Assim não dá, né? Será que ele não entende que isso acaba com minha inspiração? ( OMG! Será que essa é a ideia?)
Eu confesso que não sou a pessoa mais organizada do mundo. Eu também confesso que nesse aspecto sou uma pessoa invejosa. EU MORRO DE INVEJA DE PESSOAS ORGANIZADAS.
Sabe aquelas pessoas que você pergunta cadê o durex e elas sabem exatamente onde achar? Cadê o fitilho cor-de-rosa pra enrolar o papel de presente? Cadê o super bonder? Cadê aquele documento de 1967?
Gente, será só na minha casa que não consigo achar essas coisas... Por favor, alguém me ajude!


Eu sempre me consolei no fato de ser a mais organizada da minha casa ( desculpem, irmãs, mas é verdade). Mas, descobri cedo que isso não queria dizer muita coisa. Pra exemplificar o estado crítico do mau de família, minha irmã mais nova um dia, no alto dos seus 6 anos de idade escreveu pro nosso pai um lindo cartão com os dizeres: "Papai, eu te amo, porque o senhor nunca perde a chave."  Sorry, mommy, tive que contar essa.  

 Para o problema das chaves - que é genético, portanto muito difícil de ser curado, sinto dizer - Dr. Marido comprou um pendurador de chaves (tem outro nome?). Porém, muitas vezes, o gene perdedor de chaves se expressa e eu não penduro as minhas lá. 

etsy.com

Então, eu decidi mudar. Isso mesmo, mudar, porque eu acho que é um defeito  eu ser um "pouco" atrapalhada com as coisas. Nessa história de nunca saber onde está nada, fui tremendamente roubada no Brasil. Isso mesmo, roubada. Por uma pessoa que estava não apenas arrumando a minha bagunça, mas levando a minha bagunça pra casa. Eu sei que desorganização não justifica ninguém roubar suas coisas, mas facilita a vida do larápio...
Pois eu decidi que, mesmo sem ninguém aqui pra surrupiar meus pertences, eu queria dar um fim nesse péssimo hábito de nunca-saber-onde-está-nada , derivado daquele pior ainda de nunca-colocar-as-coisas-no-lugar-certo. 

Coisas simples como sapatos. Eu deixo os meus onde eu me sento. Se eu me sentar `a mesa, ficarão em baixo dela, se eu me sentar no sofá, ali estarão embaixo dele e assim sucessivamente, de modo que, se eu me sentar em vários lugares, existirão vários pares esparramados. Cama, cadeira do computador, banheiro, são outros exemplos. Como pode eu me sentar calçada e levantar descalça? Será que não dou falta de nada não? Dou falta, claro, vou lá no closet e calço outro par. 
Pois foi farto de tudo isso que Dr. Marido inventou uma técnica. Todos os sapatos que estivessem fora do lugar seriam devidamente guardados... na sacada.  E assim, eu fui vendo a minha pilha de sapatos no closet raleando, raleando... Até sair pra varrer a sacada. (Atire a primeira pedra quem varre a sacada todos os dias.)


O mais triste desses maus hábitos - acredite, eu sei que são maus - é o exemplo que passamos para os nossos filhos. Eles repetem muito mais o que vêem a gente fazer do que o que ouvem a gente mandar.
Foi por isso que decidi mudar. Porque, além de tudo, esse é o país da organização ( assim como da antecedência.) Existe um vasto arsenal de tralha pra ajudar na organização doméstica. É tanta coisa que não sei por onde começar. Caixas de variados tamanhos, pastas, arquivos, etiquetas fofas, quadros magnéticos para organização de tarefas, etc, etc, etc... O legal é que as coisas são funcionais e decorativas. Existem sessões e sessões dentro de lojas como IKEA, HOBBY LOBBY e MICHAEL'S destinadas justamente `a "organização do lar". E essa agora é minha meta. 

Até agora esses foram meus passos do projeto " Como se tornar uma pessoa organizada"


 googleimages.com (Escolhi uma modelo bem parecidinha comigo)

  • Para a felicidade de todos, comprei um cesto de ráfia para colocar no hall de entrada, para todos tirarem os sapatos antes de pisarem no carpete. Assim, todos os sapatos ficam lá quietinhos sem se aventurarem no calor da varanda e meu carpete continua limpinho - hábito comum aqui e sei que ainda mais comum no Canadá. (A ideia era ter um par por pessoa. Acabo de contar três pares meus lá.)
  • Comprei caixas para colocar as minhas tranqueiras de artesanato e a agora eu sei onde está o durex. E a tesoura. E os clips. E as taxinhas. E meu fitilho cor-de-rosa para embrulhar o papel de presente. E o papel de presente. E as sacolinhas de presente. E o papel de seda para colocar na sacolinha. E agora, vou ter que trocar a caixa, pois ficou pequena pra tanta coisa e não está tão organizado mais...  
  • Comprei caixinhas menores com divisórias pra colocar minhas tranqueiras de costura - ainda não arrumei. Era pra ser agora, mas preferi escrever no blog ; )
  • Arrumei meu closet.
  • Comprei uma estante pequena pra pôr os livros da Julia - ainda não foi montada, aguardo serviço especializado   (Dr. Marido, no caso)
  • Comprei duas caixas enormes para colocar os trabalhinhos escolares das crianças porque as que eu tenho já estão lotadas - já montei, mas ainda estão na sala, e as crianças ficam brincando de entrar dentro delas. 
  •  tumblr.com ( duvido que é ela que arruma)
  • Ganhei um "journal" - espécie  de caderno que as mulheres aqui andam pra cima e pra baixo pra escreverem seus diários e organizarem sua vida pessoal (eu sei, eu sei... tem recursos no iphone, mas eu não me adapto com muita coisa digital).

Eu acho que tenho conseguido mudar aos poucos esses velhos hábitos. Estou longe de ser o que eu queria, mas estou no caminho. 
Mas, Dr. Marido, por favor, POR FAVOR, PER FAVORE, PLEASE, S'IL VOUS PLAIT, PELAMOR, não guarde meus ingredientes enquanto eu estiver cozinhando, ok? E nem me pergunte a cada 3 minutos se eu já usei a manteiga e se você pode guardar. Deixa que eu guardo QUANDO EU TIVER ACABADO.



E aí? Também estou de parabéns?







segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Múltipla escolha


Em dias de crise de identidade, fico lembrando com saudade da época que eu era professora. Bem, na realidade ainda sou, porque isso a gente simplesmente não deixa de ser e também porque não me desliguei da Universidade.  Atualmente, não exerço essa bela (e mal-remunerada) profissão nessa nova vida americana. Mas, hoje, não sei bem porquê, me bateu uma saudade de montar prova ( ???) e resolvi elaborar uma provinha para meus queridos leitores - já que não tenho mais alunos. Só pra não enferrujar...

Vem comigo?

Assinale a assertiva correta:

1. O PIOR serviço que pode existir dentro de uma casa é:

a) Guardar roupa;
b) Limpar o filtro da secadora;
c) Tirar poeira dos móveis;
d) Aspirar carpete;
e) Lavar banheiro;
f) Limpar persiana;
g)Todas as alternativas.

2. A PIOR parte de cozinhar é…

a) Perceber que não tem todos os ingredientes na sua despensa e você ACABOU de chegar do supermercado;
b) Guardar os ingredientes nos devidos lugares depois de usá-los;
c) Inventar um prato novo e seu público nem provar não gostar da novidade;
d) Lavar a louça;
e) Tirar a mesa depois da refeição;
e)Todas as alternativas.


3. A melhor estratégia para seus filhos pequenos dormirem a noite toda é:

a) Dar a chupeta e a mamadeira;
b)Tirar a chupeta e a mamadeira;
c) Contar uma história para dormir;
d) Contar 18 histórias para dormir;
e) Cantar uma música de ninar;
f) Cantar 27 músicas de ninar;
g) Deixar que durmam em seu próprio quarto;
h) Deixar que durmam na sala;
i) Deixar que durmam no seu quarto;
j) Nenhuma das anteriores, eles não vão dormir de qualquer jeito.

4. A melhor forma de fazer com que seus filhos durmam `as 9 horas da noite é:

a) Colocá-los pra dormir `as 8:00;
b) Colocá-los pra dormir `as 8:15;
c)Colocá-los pra dormir `as 8:30;
d)Colocá-los para dormir `as 8:45;
e) Colocá-los para dormir `as 9:00;
f) Nenhuma das anteriores, visto que INDEPENDENTE da hora, eles irão dormir por volta de 11 horas da noite na melhor das hipóteses.

Baseado nas questões anteriores, reflita e responda as questões 5 e 6:

5. Após o término de suas tarefas domésticas, você:

a) Vai visitar um Museu - já que a cidade tem dezenas deles e as crianças estão na escola;
b) Vai bater perna em um shopping - já que a cidade tem dezenas deles e as crianças estão na escola;
c) Vai fazer um trabalho voluntário - já que você é  "do bem" e isso fazia parte dos seus planos;
d) Vai ler um livro - já que tem 3 livros inacabados em sua cabeceira;
e) Vai dormir  - e deixar os museus, shoppings, voluntariado e livros pra depois - porque você está simplesmente um caco.

6.  Com 100 dólares por semana, você:

a) Faz as unhas e depilação `a cera no salão ( escolhe uma parte do corpo, por exemplo virilha OU axila, OU perna, porque senão o dinheiro não dá!);
b) Pinta as raízes do cabelo e faz escova no salão;
c) Refaz as luzes que você amava ( precisa juntar duas semanas...)
d) Compra uma roupa nova
e) Faz uma sessão semanal de Terapia e,consequentemente, mantém as unhas sem fazer,  fica sem depilar, deixa as luzes pra lá, retoca as raízes em casa, e usa as roupas que você já tem.  Ser feliz e feia é o que importa!


7. Se você pensa em vir para uma temporada nos States, você deve:
Observação : Esta questão tem duas alternativas corretas.

a) Saber fazer seviço de casa, não importando qual a sua formação, pós-graduação, titulação máxima e currículo acadêmico;
b) Ter facilidade de se adaptar a novos sabores ou saber cozinhar sabores antigos;
c) Conseguir sobreviver sem empregada ou babá;
d) Conseguir sobreviver sem salão e pequenos luxos;
d) Todas as anteriores estão corretas.
e) Vir com um milhão de dólares e torrá-los como bem entender.


8. Escolha as palavras que mais fielmente descrevem a experiência de  uma dona-de-casa  brasileira, ex-médica, ex-professora, mãe de três filhas, sem empregada ou babá, vivendo nos EUA:

a) Loucura;
b) Insanidade;
c) Esquizofrenia;
d) Confusão;
e) Felicidade.




"Na plenitude da Felicidade, cada dia é uma vida inteira."

Johann Goethe


Boa prova!






quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

To my Valentine

Para meu "Valentine"

 15 anos de Miss Teenager/ TudoFoto 


Quanta história escondida atrás dessa foto...Atrás dessa foto tem mais que um sorriso - tem muito choro, também. Tem lágrima de alegria, mas  tem muita dor. Tem sofrimento. Dias de angústia, noites em claro. Escondidos atrás desta foto, tem susto e tem soluço. Tem abraço e tem saudade. Tem vitória e tem derrota. Tem quilômetros de distância. Tem uma parede mofada em um apartamento sem elevador no alto do morro de uma cidade pequena. Tem um quarto de hospital. Um hotel em Praga.  Tem ônibus e avião, carro velho e carro novo. Não tem carro nenhum... Tem Viação Brasil e  KLM. Passagens de ida-e-volta. Tem passagem só de ida...Tem muito livro, sala de aula, sala-de-jantar. Tem cartões `as dezenas, cartas `as centenas e uns poucos e-mails - estamos ficando velhos... Tem cabelo branco. Tem vontade e tem renúncia. Tem beijo na boca e abraço apertado. Tem diploma e pano-de-chão. Tem tese e mamadeira.Bem escondido - quase não dá pra ver - tem sonhos frustrados e muitos planos. Tem ferida feita e ferida sarada. Tem cicatrizes. Tem luto. Tem joelho no chão... Não dá pra perceber, mas eu vejo. E sei que você pode ver também. Tem prosa e poesia. Tem plantão - nossa, quantos plantões escondidos aí... Tem praia, mata Atlântica e cerrado.  Rua dos Andradas, Champs-Elysées. Muita estrada, muita escala. Pamonha e feijoada; churrasco e coca-cola.Tem música nessa foto. Consigo ouvir. Você consegue?  Kid Abelha, Legião, The Police, Cranberries e tantos outros... Tem hino e música sertaneja.  Tem choro de criança. Sussurros e cochichos;  alguns gritos - que pena!  
Tem silêncio. Bico. Cara-feia. Pra quê, não é mesmo? Mas, tem...Se olhar com calma, a gente consegue ver tanta coisa... Ternura, respeito, admiração. Desejo. Medo. Uma porção de primeiras-vezes. Três filhas lindas. Cinco outros que o mundo não pôde conhecer... Mas, eu os vejo aí, e sei que você também vê.  
Nem precisa de um olhar muito acurado nem de um ouvido muito aguçado para perceber o que mais me encanta nessa foto. Apenas um pouco de esforço e qualquer um pode identificar. 
Ele aparece nessa foto daqui de baixo também.  Está aí, nas duas!
Gosto como ele transita livremente entre diferentes imagens. 
Coseguiu? Basta um pouquinho de cuidado.
O nome disso é Amor.

Domino's Pizza at Kaplan Prep Course/ Arquivo Pessoal



Happy Valentine's Day - nosso primeiro!




domingo, 20 de janeiro de 2013

De volta

Mais de um mês depois da minha última aparição por aqui, eis que estou de volta. Como faz falta escrever no blog! É um dos meus maiores prazeres desde que vim pro lado de cima do Equador. Mas como eu disse no meu último post,  estes foram dias de grande tempestade. E não dá pra blogar no meio da tempestade - se bem que Jesus dormia... Tempestade familiar, de ondas enormes, de barco balançando a ponto de submergir... O coração do homem faz planos, mas é Deus quem lhe dirige os passos...
Minha mãe chegou dia 5 de dezembro de 2012, com o projeto de ficar aqui com a gente mais 5 meses. Meu pai viria no Natal e passaria um mês aqui. O casal de pombinhos ( meus pais!) aproveitaria para percorrer a rota Leste-Oeste  americana. Todos os meus irmãos e suas famílias chegariam e passaríamos o Natal mais maravilhoso de todos os tempos na Disney!! Mas, a notícia avassaladora de uma doença em nossa família mudou o curso das coisas. Papai foi diagnosticado com câncer de intestino menos de 10 dias depois da chegada da minha mãe na América. A uma semana da sonhada e esperada viagem do Natal, tudo parou. O assunto tickets/outlets/parques/passeios mudou para oncologistas, biópsias, ressonâncias, Pet-scan: era o barco balançando... Já estávamos no meio do caminho pra Orlando, minha irmã já estava em Orlando e meu pai no consultório do cirurgião, sem saber se viria ou não, sem saber se a cirurgia deveria ser imediata, ou se poderia esperar 10 dias ( o tempo do nosso passeio).
...
Todos vieram para o Natal, inclusive meu pai - Deus é bom!- e fomos pra Disney. O conselho sábio de uma amiga ecoava constantemente na minha cabeça: "Não deixe nada, nem ninguém roubar de vocês a alegria."  O sorriso estava no rosto,  mas o coração estava apertado. Ao menos, finalmente, eu estava em casa. Podia parecer uma casa de seis quartos lindamente decorada com tema de "Animal Kingdom", em um condomínio de "Villas" perto da Disney... Mas, por onze dias, aquilo foi "casa" pra mim. (Aqui o termo "home" se aplica melhor que o termo "house" , o que me leva a crer que esse texto ficaria mais bonito em inglês.)
...
Em dias de espírito angustiado, blogar é terapêutico pra quem escreve, mas pode ser desinteressante pra quem lê. E eu só consigo falar daquilo de que meu coração está cheio. Sou assim, sem cobertura ou véu que me esconda, e gosto disso. Não quero mudar. Nem perturbar ninguém com a minha dor. Então, fico quietinha. ( Devo acrescentar que meu computador estragou, o que também contribuiu para o meu sumiço. Essas mal-traçadas linhas de hoje são tecladas no laptop de Dr. Marido, que é tão cri-cri com as coisas dele, que até prefiro não pedir...)
Enfim, sigo meus dias de introspecção e reflexão, regados a muita vontade de estar no Brasil, digo, de estar com meus pais e irmãos,  onde quer que seja ( não é saudade da nação, se vocês me entendem, é saudade de "casa").
...
Não que as ondas tenham diminuído, não que o barco esteja ancorado, não que a tempestade tenha passado. Mas, a consciência de Jesus no barco me faz escrever de novo.
...
Tenho muitas novidades pra postar, muitas fotos e um tanto de novas histórias das pequenas. Vamos devagar. No final, dá tudo certo!


P.S.: Janeiro está quase no fim, mas acho que ainda dá tempo de desejar a todos um Feliz 2013!

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

18 de outubro

Eu quase não falo sobre Medicina aqui no blog. 
Mas, hoje, não dá pra passar em branco. Nem se eu quisesse esquecer, o português me deixaria fugir do tema. Porque até pra passar em branco, eu me lembro...
Me lembro dos primeiros dias, há pouco mais de 17 anos! Eu tinha então... pouco mais de 17 anos! 
Mas, parece que foi ontem.
Os corredores antigos da Faculdade, o cheiro da Sala de Histologia ( eu juro! eu lembro, por mais que não exista memória olfativa! Devo ser  mesmo uma variação anatômica...)
Eu lembro de chorar de dó dos ratinhos, de sair  da sala passando mal e pagando mico...
De todos sentados no "puleiro",  tensos, amontoados, esperando a prova prática de Anatomia. Quando eu então resolvi levantar (maldita hora!) e cantar uma música do Rei do Baião "Eu vou mostrar pra vocês (como se dança o baião)" E , antes que eu acabasse de cantar, a multidão de engraçadinhos já ecoava "Mostra! Mostra! Mostra!) Nunca mais cantei nada, eu acho...Sério, onde eu estava com a cabeça?
Eu lembro de cada Projeto Canja (não cantei, mas dancei - porque pagar mico era comigo mesmo!), de "Lanterna dos Afogados", das provas de Neuro-anatomia (que todo mundo jurava que eu as tinha previamente, porque só tirava notão) . Esclarecimento: EU NUCA TIVE AS PROVAS, GENTE! Eu só namorava o monitor de Neuro, só isso. E ele era (e ainda é) um super-hiper-mega-caxias-cdf-chato-de-plantão com essas coisas. Ele não me dava as provas. Eu só tinha mais estímulo pra estudar. Só isso!)
Eu me lembro do primeiro paciente, do primeiro bebê que ajudei a nascer, do primeira cirurgia e de tantas outras coisas que, ao longo dos anos, nos fazem médicos. Do primeiro paciente que não sobreviveu... de como contar isso pra família. De perder uma criança,  de ver esvair a vida... De chorar junto, de ficar com raiva. De questionar Deus...
Eu me lembro dos plantões da Residência, dos sufocos, das paradas, dos acompanhantes rompendo aneurismas em plena madurgada!
Eu me lembro com saudade, dos meus amigos e dos meus Mestres.
Mas, hoje, eu me lembro, acima de tudo, dos meus pacientes. E agradeço por cada um deles ter confiado a mim uma parte de sua vida. Agradeço pela oportunidade de ter vivido esse sonho por todos esses anos. Por terem sido fonte de contentamento, de inspiração. 
Muitas vezes, houve também indignação, ingratidão, maus-pedaços, enfim (nem tudo são flores). Mas,  sei que tudo cooperou para o meu crescimento. Profissional e pessoal. E, se hoje, posso estar aqui usufruindo de um período de descanso, foi graças a todos esses anos de trabalho médico, nem sempre recompensador, mas sempre honesto e digno. Posso dizer hoje traquilamente:

Prometo que, ao exercer a arte de curar, mostrar-me-ei sempre fiel aos preceitos da honestidade, da caridade e da ciência, penetrando no interior dos lares, meus olhos serão cegos, minha língua calará os segredos que me forem revelados, o que terei como preceito de honra. Nunca me servirei de minha profissão para corromper os costumes ou favorecer o crime. Se eu cumprir este juramento com fidelidade, goze eu para sempre a minha vida e a minha arte de boa reputação entre os homens; se o infringir ou dele afastar-me, suceda-me o contrário." (Hipócrates. 450 a.c.)

Parabéns a todos os meus colegas médicos, que podem deitar a cabeça no travesseiro e saber que fizeram o seu melhor. E que nada, nunca, nem ninguém (nem nós mesmos) tirem da nossa profissão, a nobreza, a dignidade e o caráter que ela tem.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

15 de outubro

Eu sempre quis ser professora. Quem nunca brincou de escolinha que atire a primeira pedra. Cresci em uma família em que a educação sempre foi coisa séria. Minha avó era professora de inglês. Lembro de vê-la corrigindo tarefas, elaborando provas, recebendo telefonemas de alunos, e até mesmo, recebendo alunos em casa. Lembro das notas que dava, dos diários de classe, de vê-la escolher os  livros que seriam lidos no ano seguinte, da cautela na escolha de todo o material didático. Gostei. 
Então, aos 12-13 anos, essa foi minha primeira profissão - "professora de inglês". Dava aula para duas vizinhas (hoje, uma médica e uma adovogada) e para o irmão de uma colega de classe (não sei o que ele se tornou). Ganhava  um dinheirinho, porque as aulas não eram de graça, não. Afinal, eu ia parar os meus grandes e preciosos afazeres de uma menina de 12 - 13 anos, e isso teria que ter um preço. Eu  até poderia dizer que tive uma infância difícil, que meus pais passaram aperto pra criar os filhos e tal, e que  por isso, precisei pegar no batente desde cedo. Seria uma história bonita e emocionante. Mas, não. Não seria a minha história...
Tive uma infância privilegiada, uma adolescência com cinema, roupas de marca e tal. Tinha minhas atividades extras, meu curso de inglês, natação, jazz, piano e tudo o mais que pertence a vida de uma garota classe-média do final da década de 80. Fui ser professora porque quis. Por prazer. Por amor. Amor `a arte de ensinar, de ver brotar no outro uma pontinha de saber que antes não estava lá.  E torcer para que o solo seja fértil. E se empenhar para que cresça. E finalmente, se realizar, pelo simples fato de saber que foi você que plantou. 
Com o tempo, chegou o "segundo grau". O exemplo de um professor maravilhoso - Alberto - me fez querer ainda mais seguir minha carreira. Pronto : seria professora de cursinho! Eu estava decidida, chegamos a planejar nossa escola e tudo o mais.  Mas, antes, faria Medicina. Ah, sim a Medicina! 
Além do mais, eu não queria ser "só professora."
Só professora.
Como pode uma profissão tão nobre ser tão desvalorizada? Por que não temos mais pessoas querendo ser  só professores? Simplesmente professores?  Professores por opção? Professores por paixão?
Por que não?
Mas, hoje vou só perguntar (As respostas dão um livro).
Cada leitor  que faça sozinho suas hipóteses, que eu cá, fico com as minhas...
A vida me levou além dos meus sonhos, e pude então, ser professora de Práticas Integradoras e  Semiologia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Goiás e de Hematologia da PUC-Goiás. Tenho orgulho de ver meus alunos formados, médicos, maduros. Alguns, ainda por se formar, mas já bem mais conhecedores da Medicina do que quando os vi pela primeira vez... Tenho orgulho de saber que, por umas poucas semanas, ou por uma ano inteiro, eu estive lá.  De alguma forma, com alguma intensidade, eu também plantei alguma coisiquinha neles, por menor que tenha sido. E participei, como co-adjuvante, de um projeto grandioso  que é a vida de cada um deles. 
Ainda amo ser professora. Ainda acredito que ensinar seja uma arte. Ainda sonho com um mundo em que se respeite o professor. Um mundo em que ser professor seja um sonho nobre. E que ninguém precise dar explicações por querer ser só professor.
Aos meus professores, 
Muito Obrigada!
Aos meus queridos ex-alunos, 
Saudades!
Aos meus leitores, um texto de Cora Coralina, muito conhecido por todos, mas nem por isso, menos adequado para o dia de hoje.
A todos os professores, Um Feliz Dia do Professor!

Não sei se a vida é curta ou longa para nós, 
mas sei que nada do que vivemos tem sentido, 
se não tocarmos o coração das pessoas.
Muitas vezes basta ser:
colo que acolhe, 
braço que envolve, 
palavra que conforta, 
silencio que respeita, 
alegria que contagia, lágrima que corre, 
olhar que acaricia, 
desejo que sacia, 
amor que promove.
E isso não é coisa de outro mundo, 
é o que dá sentido à vida. 
É o que faz com que ela não seja nem curta, 
nem longa demais, 
mas que seja intensa,
 verdadeira, 
pura enquanto durar. 
Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina.