terça-feira, 18 de setembro de 2012

Preciosas Promessas



" Eis que estou `a porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele, comigo."

Apocalipse 3:20


sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Helga e os Mustangs

Aviso aos navegantes: Hoje o post tá comprido! 
Alguém aí lembra do "Hey, Arnold!?"


Helga era amiga do Arnold, o tratava com desprezo e agressividade, mas amava-o secretamente, e tinha até uma espécie de "altar" erigido a ele dentro do seu closet. Eu tenho a minha própria  Helga, assim como tenho a  doce Pollyana.  Minha não-tão-doce-porém-não-menos-amada Helga é a emburradinha da família. Nada agrada, nada está bom.  É brava e tem nariz empinado - literalmente -  e é muito, mas muito difícil (mesmo!) de agradar... Helga fica brava  porque quase não falo dela nos posts...  ela fica brava com tudo, aliás. A lei é mais ou menos assim: "Tudo que você falar pode ser usado contra você mesmo."  Então, cuidado! OU, traduzindo : "Não mexe com quem tá quieto!" Por isso, quase não escrevo...
Não adianta ela empinar a carroça, eu bem sei que no fundo do seu "closet", onde nenhum de nós tem acesso, ela guarda seu próprio altarzinho... E nele, o seu amor secreto...
Tudo bem então, o post hoje não tem nada de engraçadinho. Porque é sobre minha Helga, também conhecida por Júlia. Passo a chamá-la pelo verdadeiro nome a partir de agora, primeiro porque o nome dela é esse, e segundo porque eu adoro esse nome.: Júlia quer dizer Juventude. E não tem nome melhor pra ela. Não pela idade em que se encontra, mas porque ela é a filha da minha juventude, do amor da minha juventude, dos sonhos da minha juventude... Infelizmente, ela carrega o pesado fardo da primogenitura, o peso dos erros que os pais cometem, principalmente, com o primeiro filho. É o peso dos sonhos frustrados, projetados sobre as costas dos filhos, sabe? Como aquela mãe que queria ser bailarina e obriga a filha a fazer balé, mesmo que ela não goste. Sorte minha que a Júlia ama balé. Ufa! 
Enfim, chega de mea-culpa, vamos ao que interessa. Essa semana teve o open-house da escola da Júlia.  Já falei um pouco sobre a escola dela neste post aqui . Neste evento, todos os pais foram convidados a fazer o horário dos filhos, exatamente como eles fazem no dia-a-dia. Mais ou menos assim: Primeira aula com professor X na sala Y, segunda aula com professor W na sala Z.  Ela imprimiu o horário dela pra mim, junto com um rabisco mapa da escola e lá fui eu. Achei a oportunidade incrível e pude observar um pouco das diferenças entre o Ensino Médio no Brasil e a High School nos Estados Unidos. Algumas, eu já conhecia, mas vivenciá-las foi a primeira vez. Minhas impressões:


Primeira diferença: OS ALUNOS TROCAM DE SALA E NÃO OS PROFESSORES
A escola dela é enooooorme, com três andares e várias alas, ou pavilhões,  divididos por cores. ALA AZUL, BRANCA, ACQUA, VIOLETA, CINZA e por aí, vai. Cada uma das aulas acontece em alas diferentes. A primeira aula pode ser no primeiro andar da ala AZUL e a segunda aula no terceiro andar de outro pavilhão da ala VIOLETA. Deu pra entender? Então, toca o sino e os alunos saem correndo para chegarem na sala que terão a próxima aula. É estranho pra gente, mas acho bem justo. Primeiro, por questão de HIERARQUIA e VALORIZAÇÃO DO PROFESSOR. Não é o professor que tem que sair como louco, carregando suas coisas e encontrar o aluno feito um príncipe sentado confortavelmente em sua sala... Quem precisa do conhecimento deve buscá-lo. Literally. Segundo, porque as salas são equipadas para a matéria que é dada nelas, como na FACULDADE no Brasil.  Fazendo uma comparação com a MEDICINA , que é a única da qual posso falar: a auula de Anatomia não pode ser no LABORATÓRIO de PATOLOGIA, porque os cadáveres estão na sala de ANATOMIA. 



Aí entra a segunda diferença: CADA SALA TEM OS RECURSOS NECESSÁRIOS PARA A MATÉRIA QUE É MINISTRADA NELA. Por exemplo: A Sala de Matemática e Engenharia, tem os softwares, calculadoras, telas i-touch e toda a  tecnologia apropriada para o ensino do Cálculo, incluindo alguns modelos de trigonometria. A sala da PRINCIPLES OF HEALTH (Princípios de Saúde) tem alguns modelos anatômicos e pia para lavagem de mãos, com bancadas para a realização dos traballhos. A sala de AQUATIC SCIENCE tem uma série de aquários que os alunos vão poder (vão precisar de ) montar e manter durante todo o ano, criando um ecossistema aquático e estudando nele os princípios de química e biologia. [Fiquei morrendo de vontade de fazer parte dessa sala,  Quase me inscrevi como voluntária. O professor é um fofo - um senhor de uns 70 anos, com terno e gravata borboleta, oceanógrafo da US NAVY- apaixonado pelo que faz! Os alunos vão poder escolher os peixes que querem, as algas, os corais, etc. Pensa que delícia!( A Júlia disse que quer o Nemo e a Dory.) Também terão a oportunidade de ir a um navio de pesquisa no Golfo do México.] Eu não fui nas outras salas, mas posso imaginar o escândalo que devem ser as salas de teatro, de culinária, de música. Sei que nessa última tem todos os instrumentos, inclusive violoncelos e pianos...

Terceira diferença: OS ALUNOS ESCOLHEM O QUE VÃO ESTUDAR. Existe um guia para o que eles precisam fazer, e tudo é computado em créditos. No decorrer dos 4 anos de HIGH SCHOOL, os alunos precisam de um número X de créditos pra se formarem, distribuídos entre as disciplinas. Então,  todos têm que ter um número específico de créditos em Inglês, Ciências (Química, Biologia, Física), Matemática, Língua Estrangeira, Estudos Sociais (História e Geografia) e Eletivas ( matérias não necessariamente acadêmicas que vc escolhe). Você pode fazer créditos a mais, mas não a menos. Por exemplo:  Júlia já tem os créditos necessários para língua estrangeira, pois cumpriu isso no Brasil, com trocentas horas de estudo de Português ao longo da vida toda ( eles computam tudo, tive que trazer os boletins  e histórico escolar). Então, ela não precisaria fazer outra língua - além do inglês, óbvio. Mas, ela optou por Francês como ELETIVA. Exemplo 2: Como ela já fez Física na oitava série, e no Primeiro Ano, já consegui os créditos pra isso. Aí, ela pode optar por outra matéria pra cumprir os créditos de Ciências - é a tal AQUATIC SCIENCE, mil vezes melhor que Física.
Para as matérias eletivas, temos mil e uma oportunidades, como FOTOGRAFIA, CULINÁRIA, MÚSICA, CORAL, TEATRO, CHEERLEADING (chefes de torcida), MODA, PINTURA, etc, etc, e etc...
E não pensem que é pra inglês ver , não. Quem opta por MÚSICA, por exemplo, geralmente são meninos-prodígio em algum instrumento, que farão carreira como músicos, sendo que alguns já tocam na Sinfônica de Houston... A outra eletiva da Júlia é o PERSONAL HEALTH. Nessa disciplina, ela vai ter oportunidade de entrar em hospitais e aprender in-loco: muito popular entre alunos que querem seguir carreira na área de Saúde. Daí nasce a quarta diferença: CADA SALA TEM ALUNOS DIFERENTES, DE ANOS DIFERENTES. Por exemplo: na língua estrangeira, tem a opção de francês, alemão, italiano ou espanhol. Você pode escolher qualquer uma delas... Para cumprir os créditos de Ciências, existem muitas opções, inclusive a tal Aquática. Existem várias opções compatíveis com o seu ano acadêmico. Além disso, existem matérias que comportam alunos de diversos anos escolares. Exemplo: a aula de Pré-Calculo é tipicamente de Seniors (12º ano - equivalente ao nosso 3º ano), mas a Júlia faz essa aula sendo Junior (11º ano, nosso 2º) , porque é muito inteligente ;) . Disso, tiramos uma conclusão: o conceito de turma é um pouco diferente do que temos no Brasil. A turma se organiza em CLASSES. A Júlia é da CLASS OF 2014, ou seja, alunos que se formarão em 2014 . São aproximadamente 600 alunos, distribuídos nas mas diversas salas, alas e pavilhões...

 Também é possível ganhar créditos de Universidade ainda no Ensino Médio - são os chamados AP  courses - advanced placement  - em que o nível é mais alto, mais difícil. Porém, uma vez, concluído com sucesso, o aluno não precisara daquela matéria na universidade. A Matemática e o Inglês da Júlia são AP courses. Isso dá a ela uma vantagem, visto que as Universidades vêm com muito bons olhos os alunos que optam por este tipo de curso.

Quinta diferença: OS ALUNOS NUTREM UM VERDADEIRO AMOR PELA ESCOLA. 
Cada escola tem identidade própria e os alunos se sentem parte dela. É um orgulho, uma sensação de pertencimento, coisa invejável. As escolas têm seus mascotes - eu não sei bem se o nome seria esse - Geralmente, mas não necessariamente, é um animal que simboliza a insituição a qual pertencem e   todos os alunos daquela escola são reconhecidos como o tal animal/símbolo.  São muito utilizados com propósitos atléticos, mas vai além disso. Na Memorial High School,  são os MUSTANGS -  cavalos americanos avermelhados do Oeste  ( trazidos da Espanha, pois a América não tem cavalos, originalmente falando...). É só lembrar do High School Musical - eram os WILDCATS (gatos selvagens). Na escola da Beatriz, são os WARRIORS (guerreiros), mas também temos os LIONS, os EAGLES ( águias), SPARTANS (espartanos), e por aí, vai... Dessa diferença, surge a sexta: A ATLÉTICA É SUPER FORTE E ATUANTE. De fato, muitos alunos saem da High School com as vagas nas Universidades garantidas, pelo seu perfil como jogadores. Um dos colegas da Júlia é atleta olímpico -  pratica Arco e Flecha. Um adendo: Há no TEXAS, atualmente, 1100 (hum mil e cem) alunos que não frequentam a High School regularmente, como os outros alunos - fazem os créditos escolares pela Internet, pois são OS ATLETAS QUE DISPUTARÃO AS OLIMPÍADAS DE 2016 NO BRASIL.




Outras diferenças são observadas nos hábitos e comportamentos dos alunos e pais. Muitas vezes, vão pra escola com a roupa que dormiram - chegam amassados, com "camiseta de político" e chinelos de dedo ( a escola pública não tem obrigatoriedade de uniforme). A maioria esmagadora dos alunos leva o lanche (almoço) de casa. (Não compram na cantina da escola.) Levam seus sanduíches e frutas nas sacolinhas de papel - as famosas paper bags (como as nossas sacolas de pão francês, só que pequenas). Apesar de pública e de qualidade, a escola é financiada também pela generosidade dos pais - leia-se: de pequenos trabalhos voluntários de mães donas-de-casa a volumosas quantias de dólares doados pelos pais abastados. A maioria se envolve, de alguma forma. Eu já vou me cadastrar para o voluntariado - já que a volumosa quantia de dólares está fora de cogitação, no momento.

Posso dizer que me sinto privilegiada de ser uma Mustang MOM ( mãe de uma Mustang).


Go, Mustangs, Go!


terça-feira, 11 de setembro de 2012

Tranqueiras made in USA

Com as pulguinhas na escola, eu pude dar uma passeada por aí e fotografar umas coisinhas  que achei interessantes. Algumas úteis, outras fúteis. Umas, apenas diferentes... Vejam o que achei por aí nas minhas andanças:

1. Dispenser automático de sabonete líquido para banheiro - coloque dentro o sabão de sua preferência e é só posicionar a mão em baixo que a quantidade certa é dispensada. Ponto forte: evita o desperdício.
Ponto fraco: Que frescurada!





2. Desodorizador para geladeira : eu acho que  eles não tem o hábito que nós temos de limpar  a geladeira, regularmente.... Pelo menos colocam esses trocinhos para evitar mau-cheiro, e troca a intervalos de tempos regulares. A minha geladeira prefiro limpar e manter os produtos embalados e fechados hermeticamente dentro de potes de plástico ou de vidro. Mas, achei esse aí interessante.




3. Escovinha para lavar vasilha - você coloca o detergente nessa parte transparente. Depois é só apertar a parte preta emborrachada para sair a quantidade necessária. O produto sai pela parte de baixo, no meio das franjas(?) da escova. Gostei desse também. Poupa tempo( cada segundo é meticulosamente calculado!). Mas, não sei se essa escova aí é boa pra lavar vasilha...




4. Filtro na jarra d'água -  Na parte do meio, acopla-se uma vela de filtro, enche-se a jarra com água de torneira e pronto - temos água filtrada! Apesar da água da torneira  aqui ser própria para o consumo de uma forma geral, de vez em quando eles acham uma (única) bactéria e saem mandando alerta pra todo o mundo, pedindo pra não utilizar a água para consumo. Pra não arriscar, principalmente com criança em casa, nós só consumimos água mineral engarrafada. Mas, a quantidade de lixo -  garrafinhas plásticas vazias - é muuuito grande. (porque todas as embalagens são individuais de 500 ml - veja aqui).  Então,  vá na onda do ecologicamente correto, ou " Go Green", como eles dizem, e produza menos lixo.



5. Na verdade, essa abaixo é uma outra versão do item 3.  Acho meio difícil lavar uma vasilha com uma escova dessas, não é não??



6. Este item amarelo, eu tive que ler a etiqueta pra entender do que se tratava. É um saco de silicone pra cozinhar ovos. Põe os ovos lá dentro e mergulha na panela de eagua fervendo. Depois, é só  puxar pela haste e tirar os ovinhos cozidos, já sem a água.  Se você achou prático, dá uma olhadinha no item 7!!



7. Ovos cozidos prontos e descascados - Minha impressão: No começo relutei... (São bem mais caros que a versão in natura!!) Mas, depois, a praticidade falou mais alto. Agora, consumimos com frequência.  Vem em embalagens de 24, mas individualizadas em pequenos pacotinhos com 6 ovos cada. Uma beleza pra colocar em cima da macarronada, dar um up-grade na pizza, ou fazer "molho de ovo", que tem sabor de infância pra mim! Ah! E aqui é bem comum as crianças comerem ovos cozidos no lanche- sem a gema. É excelente fonte de proteína. #ficaadica!







8. Pastilhas pra colorir a água da banheira. Minha impressão: "inventação de moda" ou "coisa de americano." Minha segunda (e atual) impressão: pode ser um atrativo quando as crianças não querem tomar banho. Devo dizer que funciona (`as vezes!). "Que cor você quer seu banho hoje?"
Lembrando que vem com as cores primárias, e as outras você tem que produzir  - boa oportunidade de ensinar a criança estes pequenos conceitos de ciência, enquanto elas mesmas observam a "mágica". 




Outras (f)utilidades ficam pros próximos posts...
Boa semana a todos!

Preciosas Promessas

"Mas, buscai primeiro o reino de Deus e a Sua justiça, e todas as outras coisas vos serão acrescentadas."

Mateus 6:33

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Pollyanna menina

Eu tenho uma mania irritante de ver o lado bom de todas as coisas. Tento manter uma visão otimista de tudo que me acontece e do que acontece com as pessoas ao meu redor. Sempre tem um lado bom, sempre dá pra crescer com os problemas, sempre tem algo escondido por trás da desgraceira... Essa característica me rendeu o apelido de Pollyanna, ou apenas Polly. Sabe aquela do livro que jogava o "jogo do contente"? Ela mesma!  A menina  ganhou um par de muletas de Natal e ficou feliz porque pelo menos não precisava delas! (Eu pura...) O codinome foi dado por uma grande e saudosa amiga (calma! ela não morreu, não! só estou com muita saudade dela, muita, mesmo!)  e já sinto que faz parte de mim.
Pois  eu acho que essas coisas são meio genéticas, ou pelo menos, aprendidas desde cedo. Eu ouço muito minha mãe falar do tal "jogo do contente" desde pequenininha. E ouço até hoje. (Aliás, este livro é um trunfo na mão das mães, pois ensina os filhos a terem mais humildade, a reconhecerem os privilégios que têm e serem gratos por tudo.)
Aqui em casa, eu já consigo identificar quem herdou meus genes pollyânicos - tenho uma versão mirim da Pollyanna.  Pollyana menina.

Minha mini -Pollyana  é assim:  Chora o dia inteiro na escola igual porco sendo capado.( quem já viu, sabe como é: o bicho urra, grita, berra, uma coisa sobrenatural!) Da hora que a gente deixa, até a hora de ir buscar, a menina passa chorando. Só para pra respirar. E quando a gente chega pra buscar e arrisca a pergunta: Como foi a aula? Ela responde: "Foi BOA, mãe. BOA demais! Véui Gude!" E, com os olhos inchados, faz um jóiinha com o polegar, pra confirmar que foi ótima.

Minha mini- Pollyanna quer colocar um band-aid colorido no dedo, porque viu a irmã com um azul. Segue o diálogo (M= mãe, mP= mini-Pollyanna):

mP= Tem ôxo?
M= Não, querida, só tem azul...
mP= Tem ója?
M= Não, docinho, só tem azul...
mP= Tem amalelo?
M= Não, bem, só tem azul....
mP= Tem vemêlo?
M= Não. A mamãe disse que só tem azul...
mP= Tem ajul?
M= Tem!
mP= Eba!! Tem ajul!!! e olha com aquela carinha de felicidade, como se fosse a cor que ela mais quisesse...

Minha mini-Pollyana empresta tudo que tem, se alguém pedir. Pode ser em casa ou na pracinha. Ela é generosa e solidária. Se ponho a irmã de time-out, ela vai lá e senta do lado até o castigo acabar.  A irmã pode estar de castigo porque brigou com ela, porque bateu nela. Não importa. Ela quer a companhia da outra. E fica triste se a outra está triste.

Pra minha mini-Pollyana não tem tempo ruim... "Não tem MOMEMA."- ela fala, pra dizer que uma coisa qualquer não tem problema...

Semana passada, a professora disse que ela passou vários momentos conversando com o espelho. Acho que tentou diálogo com os coleguinhas e não deu certo... Ninguém entendeu o português dela. A menina resolveu, então, conversar  com a única pessoa que seria capaz de entendê-la: ELA MESMA. E conversava e ria pro espelho, feliz da vida. (Tadinha!)

Quando a gente pergunta em inglês: What's your name? ela reponde: LÓUA!
E em português, ela responde: LALA.

 Essa coisiquinha miúda é a minha Pollyanninha. Versão mirim de mim mesma. Melhorada, claro.

E só estou aqui, finalmente conseguindo postar algo, porque ela está na escola. Porque a bichinha não   dá trégua... Rapadura é doce, mas não é mole, não.

Um recado aos avós, titias e titios que possam estar com dó da menina na escola - hoje ela foi sem chorar!!! Foi levando a própria mochila, entregou pra professora e me deu tchau.
E se despediu assim: "Mamãe, hoje não vou chorar!" Por isso - e só por isso - hoje tive paz pra escrever sobre ela, sem me sentir uma ilha cercada de culpa por todos os lados. Minha doce Pollyanna.



terça-feira, 4 de setembro de 2012

Preciosas Promessas

"E cantavam o cântico de Moisés, servo de Deus, e o cântico do Cordeiro, dizendo: 
Grandes e maravilhosas são as tuas obras, Senhor Deus Todo-Poderoso! Justos e verdadeiros são os teus caminhos, ó Rei dos santos."

Apocalipse 15:3

sábado, 1 de setembro de 2012

Sobre princesas e dinossauros ou Das diferenças culturais

Não consigo entender americano. Aliás, americana. A mulherada toma pain killer ( analgésico) antes de  ir depilar e tem todos os filhos de parto normal sem analgesia! Todos os 3-5 filhos. Povo doido... Aliás, nunca vi povo pra ter tanto filho. Só no sertão pernambucano!!! Me sinto em casa aqui com minhas 3 pimpolhas.
***
 Como se não bastasse a filharada, tem umas mães que são adeptas da homeschooling, que é a atitude (insanidade) de ser a professora dos próprios filhos! Em casa! Isso mesmo. Não mandam a molecada pra escola, não... Além de lavar, passar (aliás, passar, não, ninguém passa roupa aqui), cozinhar, arrumar a casa, cuidar dos filhos... As pobres coitadas das mulheres ainda inventam de ser a professora dos filhos, e  ensinar português (digo, inglês), matemática, geografia, história, quiímica, física, música...  Aplicar prova e tudo o mais. É bem organizado, confesso. Tem todo um apoio de várias entidades, com muitos recursos, e o próprio governo tem ferramentas para reconhecer a educação em casa. Olha, eu não sei se isso é nobreza de caráter  dessas mães ou se é doideira, mesmo. Eu estou tendendo para a segunda opção. Imagine, ser a professora dos filhos, cada um em uma série... Os cinco molequinhos sentados em volta da mesma. Um aprendendo a ler, outro a falar, outro estudando os presidentes dos Estados Unidos, um decorando a tabela periódica...
Eu tive o privilégio de ser professora da Júlia na escola dominical - na verdade nos cultos noturnos -  e ela pode explicar como a experiência foi maravilhosa!!! (Filha por favor não comente nada a respeito aqui no blog nem nas redes sociais, tá? Beijo! Não esquece que mamãe te ama!!!)
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Numa dessas idas e vindas na procura das escolas das pequenas (é... já tem um tempinho), foi agendado um teste, no valor de cem dólares, pra Bia, pra ver se ela tinha "inteligência adequada" para acompanhar a turma. Eu fiquei logo com raiva, não pelo preço ( também pelo preço, confesso), mas principal e obviamente, pelo fato de minhas filhas serem as meninas mais inteligentes do planeta!!  Quem não sabe disso? Não precisam de teste nenhum, ora essa... Pois bem, um dia antes do dito teste, liga na minha casa, a diretora de admissões da escola - em pessoa, não foi nem a secretária -  pra me dizer o seguinte: "NÃO ESQUEÇA DE TRAZER OS CEM DÓLARES NO DIA DO  TESTE". Que coisa mais deselegante de se falar. (Eu já havia sido informada do valor do teste). Por acaso, eu já liguei na casa de algum paciente - em pessoa - um dia antes da consulta e falei: "Não esqueça de trazer os X reais para a consulta?" (Nunca mandei a secretária ligar também, não!! que fique bem claro.) Isso é coisa que se fale? Eu, hein... "Desnecessário. Completamente, desnecessário"
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No primeiro dia de aula da Laura, a professora me procurou assustada e chocada, porque na hora do lanche MINHA FILHA DE DOIS ANOS NÃO SABIA PASSAR O CREAM CHEESE NA BOLACHA!!! A professora riu, achou interessante e TEVE QUE ENSINÁ-LA A PASSAR CREAM CHEESE NA BOLACHA!! Que horror! Uma criança de 24 meses que não sabe pegar a maldita FACA e passar o tal creme na bolacha! Não parece chocante pra vocês? Pois pareceu pra professora...
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E A Bia, tadinha, que deu uma crise de choro no primeiro dia de aula depois do almoço na escola. A professora orientou todos os aluninhos a jogarem os restos na lixeira. A menina abriu o berreiro. As professoras não sabiam o que tinha acontecido. Acharam que ela não tinha entendido o inglês... A tira de criança rumo `a lixeira e a Bia chorando sentadinha na cadeira, com o prato com os restos de comida ( TODA A COMIDA) na frente dela, sem saber o que fazer. No fim da aula, as professoras vieram me procurar e me pedir que eu explicasse a ela que depois do almoço todos jogam no lixo o que sobrou no próprio prato. Eu orientei a Bia e no dia seguinte ela já estava "tirando a mesa." Mas, parece que se sentiu mal em ter que limpar a própria ("nunca precisei" deve ter pensado...) Ou culpada por jogar toda a comida fora ("mamãe fala que é errado jogar comida fora") Eu não sei que pensamento assombrou a cabecinha dela, mas este é um dos motivos de estarmos aqui. Que minhas filhas não se sintam inferiores por tirar o próprio prato da mesa.
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Quase todos os dias, nas nossas andanças, vejo crianças com os pés dos sapatos trocados (Direito no Esquerdo e vice -versa). Porque são elas mesmas que calçam. 
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Meninas aqui curtem THOMAS & FRIENDS, DINOSSAUROS, ANIMAIS DO ZOO... Acho que seria bem chocante no Brasil. ( Pensa: Um aniversário de trens e vagões para meninas., ARCA DE NOÉ...)  O pior é que disso, eu  gosto, aqui. Essa liberdade... Hoje mesmo, fomos ao Museu de Ciência Natural (HMNS) e, depois de ver aquele tanto de ossadas jurássicas gigantescas,  saí de lá com dois dinossaurinhos, um pra cada pequena. Confesso que nunca pensei que faria isso um dia, (sou uma pessoa bem careta...) Bia fazendo bullying com a Laura, atacando o dinossauro dela toda hora, fazendo "ROARRRR..." e comendo a cabeça do bicho. Laura chorando. Crianças normais. MENINAS que adoram princesas. E dinossauros.

P.S.1: Não são dinossauros. São "DILASSÓIS" na língua da Laura.(Para de me corrigir, computador, é isso mesmo que quero escrever, que coisa!) Olha que coisa mais poética. DILASSÓIS!! Não parecem bem mais femininos, agora?   Na verdade, é um misto de poesia (de acordo com a mãe) com o jeito dela falar "DINOSAURS." 

P.S. 2Eu não disse que elas eram as meninas mais inteligentes da galáxia?