terça-feira, 2 de outubro de 2012

Cebolas, "acorns" , William e Joe

Eu continuo encantada com as escolas de crianças... Eu e minha fiel câmera fotográfica (ok, na verdade é um iphone...) seguimos inseparáveis, e não é diferente na escola das meninas... Vou falar sobre a escola das pequenas, mas o próximo post é sobre a escola da filha grande, digo, da filha mais velha.
Hoje fotografei a salinha da Laura, que estava mais linda do que nunca, cheia de trabalhinhos das crianças dependurados pra tudo que é lado. Laura está super `a vontade na escola e já conversa com os colegas. Não sei como, mas parece que eles se entendem... Ela fala em português, eles respondem em inglês, ela fala um "No" aqui, um "Yes", ali, um "Ok" de cá e um "Uh, Oh" de lá... Coloca aí  no meio meia dúzia de palavrinhas que já conhece, como doll, bug, block, boo-boo, acrescenta um "Please" e um "Thank you"... e pronto,  está feito o diálogo! 
 De vez em quando, ela ainda bate um papo com o espelho, mas a interação com crianças de verdade está cada vez mais intensa. Bonitinho ela pedir pra ir ao banheiro."I wanna go potty" Só que o tt tem som de r em inglês (como em "americano", "caro", "papiro", etc) e, como ela ainda não consegue falar esse fonema, a palavra sai "póli", "beauliful" , "bullefly" ou seja, uma versão feminina e americana do Cebolinha. E fofa. E tem o "twinkle, twinkle." Ah!  O twinkle, twinkle! Que vontade de apertar quando ela está cantando ( na verdade, tentando cantar) o twinkle, twinkle. Vou tentar postar um vídeo ( De novo. Sou brasileira, não desisto nunca. Um dia sai.).  Esses dias, ela chegou falando: "Mãe, mãe! Intópa!" Intópa!" Que diacho é Intópa, genteEu custei a entender...
Era STOP!                                          




















Beatriz também está uma coisa incrível na aquisição do novo idioma.
Ontem chegou contando que pegou um "acorn" e a Ms. Rogers disse que não podia. E eu sem saber o que era "acorn"... Fiquei  imaginando que ela não tinha entendido bem. Pegou o quê, Bia? Um acorn mãe. Um o quê, menina? Um acorn, no outside playground. E como ela insistia muito no danado do acorn, fui ver do que se tratava. Pedi pra ela falar devagar, pra ver se era isso mesmo que eu estava entendendo e fui consultar o pai dos burros. Pois está lá. Acorn - the nut of the oaks. Ou seja, a castanha do carvalho [a mesma que  aquele esquilo(?) da Era do Gelo persegue o tempo todo]. Parece que ela andou catando essas pequenas nozes no parquinho a professora ficou preocupada, porque não são comestíveis...

Pois ela já fala frases completas, com estrutura gramatical mais rebuscada. "Tão pequenininha e já sabe usar phrasal verbs", a gente fala aqui em casa...  Phrasal verbs são o ó... Quando canta as músicas,  conseguimos compreender totalmente. Acaba enrolando em algumas palavras, mas, no geral, vai muito bem... Tanto que a nossa programação de colocá-la em uma escola pública no próximo ano provavelmente vai furar...  Isso porque a escola pública só é gratuita (aos 4 anos) aqui no Texas, se a criança não for fluente em inglês A partir dos 5 anos, é gratuita pra todo o mundo, mas com 4 aninhos, só para os não faladores da língua. Parece que ela não preencherá o pré-requisito, pois vai acabar sendo fluente em pouco tempo. 
Está um sufoco cada uma em uma escola diferente, mas eu sou apaixonada pelas duas escolas. Como são escolas cristãs, não comemoram o Halloween, o que eu particularmente achei uma beleza, porque as meninas têm medo. A Bia estava apavorada com a possibilidade de ter o Halloween. Ela não cansa de dizer: "Não gosto de Halloween, mamãe. Nem de Carnaval." Parece crente, essa menina, gente! Hehe
***
Esses dias me ligaram da escola da Laura ( a diretora me ligou) pra falar que no pão não tinha presunto. Eu disse que ela não gosta de presunto, por isso não coloquei. Mas, segundo a diretora, eu tenho que colocar uma proteína. Mas tinha queijo! Queijo é proteína, ora. Não servia. Queijo entra como produto lácteo. Se eu usá-lo pra ser fonte de proteína, tenho que mandar outro produto lácteo. Um iogurte, ou mesmo um pouco de leite. Sempre mando, mas não quis criar caso. O fato é que tem que ter um alimento de cada grupo - frutas e verduras/ carboidratos - pães e cereais/ leite e derivados/  carnes ou ovos ou produtos contendo proteínas. Eles são super rigorosos quanto a isso. Existe uma  Fiscalização por parte do Governo ( apesar de a escola não ser pública), pra checar se as crianças estão comendo adequadamente. E fui avisada da necessidade de ter o alimento disponível, mesmo que a criança não coma, se ela não quiser. Mas tem que estar lá, na lancheira dela. Achei o caso muito interessante, e tenho uma porção de considerações a respeito. Primeiro, é bom saber que a escola se preocupa. Mas, também acho que o que minha filha come é problema meu e ninguém deveria se interpor. Ao mesmo tempo, trata-se de uma orientação nutricional adequada, então, é digna de ser seguida.  O negócio de ter o alimento disponível é interessante também, a criança se acostuma com os grupos alimentares. Como vocês podem ver, estou um pouco dividida em relação aos prós e contras, mas tenho uma tendência a ser a favor.

De uma maneira geral, crianças americanas se alimentam melhor que as brasileiras. O lanche  - que na verdade é o nosso  almoço - contém cenouras, tomates cereja, talos de salsão...Também é comum que eles comam brócolis e couve-flor. Tudo cru, gente!! Coloca-se um molhinho pra mergulhar os legumes pra criança aceitar melhor.  Também é quase tudo finger food, pra que elas possam comer sozinhas. Nem as mães daqui dão comida para os filhos, pensa se professora vai dar... Colocam no prato, é dado o tempo de uma  refeição normal (20-30 min). Quem comeu, comeu. Quem não comeu, fica pra próxima.


As minhas custam a comer o arroz/feijão. São alimentadas por mim ou pelo Christiano. Aquele stress total, a gente correndo atrás das meninas, fazendo pressão.  Menu monótono, porque se variar, ninguém nem prova.  Na escola, ninguém fica do lado falando "olha o aviãozinho", "abre o bocão de jacaré", "só mais uma colherada" ... É quem comeu, comeu. Pensa que dificuldade tem sido montar o lanche dessas crianças!!  Mando frutas sabendo que vão jogar fora (mas tem que ter disponível), porque também tem isso: o que não comeu, taca no lixo. Sem dó. Verduras ainda não mandei. Acho que no dia que elas comerem couve-flor crua no lanche, eu solto uma caixa de foguetes.



Quando fui buscar Laura na escola ontem ela me disse; Eu não gosto dessa cebola. Que cebola, minha gente? Vou buscar a menina na escola e ela sai com essa, do nada, que não gosta de cebola... Fiquei pensando... Será que tinha tido cebola no lanche de alguém? Seria possível uma coisa dessa? Uma criança toda feliz e contente dando mordidas numa cebola na hora do lanche? Era essa que me faltava! Mas, logo ela apontou para as cebolas ás quais se referia. Na verdade, eram as tais abóboras decorativas! De tanto ver as abóboras com caras assustadoras, agora ela tem medo de abóbora. De todos os tipos.  Mesmo as de carinha simpática. E até das abóboras sem cara nenhuma, que ela chama de cebola!





Dia desses, dei a maior rata. Entrou no elevador da escola da BIA uma mãe coreana/tailandesa/japonesa/vietnamita... enfim, vocês já sabem: ASIANA! Ela e o filhinho dela também de olhinhos puxados. Lindinho o menino. Então, ela foi e cumprimentou a Bia. Hi, Beatriz! E se apresentou pra mim, falando que o menino era da sala da Bia. E eu,  querendo ser simpática, fui logo dizendo. Eu sei! Ele é o William não é?
Pausa.
Não era. Ele era o Joe.
Aff! São todos tão iguaizinhos...

***

Para mim, tem sido um verdadeiro privilégio, poder oferecer `as minhas filhas um tipo diferente de educação. Educação de qualidade, que visa não somente o crescimento acadêmico (ninguém, na verdade, está muito interessado em crescimento acadêmico quando se trata de em uma criança de 2 anos), mas também e principalmente a oportunidade de vivenciar outros idiomas, sabores, tradições e culturas e assim, crescer em todos os aspectos. Estamos em uma cidade muito internacional, com gente de todo lugar do mundo. São indianos, asiáticos, alemães, latino-americanos, árabes, judeus, americanos.  Desejo que minhas filhas consigam  aproveitar ao máximo  esse tempo construindo uma mente aberta, de tal forma que não abram mão de seus princípios (estes são ensinados em casa!), mas respeitem diferentes olhares sobre o mundo.  Que julguem as pessoas "pelo seu caráter e não pela cor de sua pele".   E que assim possam  crescer em "estatura, sabedoria e graça, diante de Deus e dos homens."  
***
 Se você que me lê ainda não sabe o que estamos fazendo aqui, releia o páragrafo acima. É isso.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Preciosas Promessas

" Lâmpada para os meus pés é Tua palavra,
e luz para os meus caminhos."

Salmo 119:105

domingo, 30 de setembro de 2012

Compras com a mamãe e compras com a Mulan.

Hoje vou postar mais algumas coisas interessantes que achei por aí nas minhas andanças com minha mãe (aproveitando os últimos dias dela aqui, snif!) . A primeira parte é da loja Bed, Bath& Beyond. Pra quem não conhece, é a loja que passa no filme Click, com Adam Sandler. Sim, a loja existe de verdade, e é especialista em "cama, mesa e banho", pra usar o termo em português.


Fio dental de água. Já tem sido recomendado por dentistas no Brasil,  mas acho que não dá pra comprar na terrinha. Alcança onde o fio dental comum não alcança, é mais eficiente e não machuca a gengiva.




Porta-papel higiênico bem-humorado, porém de gosto duvidoso. E caro!





Mimi-ferro a vapor. Semelhante aquele enorme da Polishop, que é um trombolho (eu tenho o meu, posso dizer!). Quase não uso porque dá preguiça de montar, colocar aquela aguinha, depois tirar, essas coisas. Pode ser que esse pequenininho eu use. Pode ser... Por enquanto, as roupas estão sem passar MESMO... Sair amassada é um horror, mas passar roupa é assombrosamente pior.





Secador de unhas. Aquele tipo de coisa que ninguém pode viver sem...


Outro dia, eu e minha mãe resolvemos entrar em um Supermercado Coreano que tem aqui em Houston. Pra falar a verdade, nem sei se é coreano, tailandês, japonês, chinês... É do pessoal dos olhinhos puxados... Asianos, como diz a Júlia. Eu parecia uma bocó tirando foto das coisas! Mas é que era tanta coisa diferente, que eu não resisti... Claro que era meio que "disfarçadamente", pra não parecer uma jeca. Mas, foram tantos cliques, que não teve como disfarçar. Porque  simplesmente TUDO era inédito pra mim no Supermercado da Mulan ( como eu passei a chamá-lo!) Por fim, os funcionários já estavam rindo de mim... 


Que tal uma saladinha de pepino do mar? A foto está de cabeça pra baixo, mas dá pra ler "Black Sea Cucumber." 2 pepinos pela bagatela de 17 dólares!! Produto de Taiwan.



Esses peixinhos aqui são da China e são comidos crus e inteiros. Parecem umas minhocas com olhos prateados. Eca!



Produto do Japão: Bebês-polvo temperados. Ai que dó!!



Ovos de pato cozidos e preparados, prontos para o consumo.


Mini-lula desidratada para petiscos. Tinha também mini-camarões iguaizinhos aos que damos pra nossa querida TUTU(tartaruga da família que mora em Goiânia). Só que aqui quem come é gente!


A maioria das frutas e verduras eu não sabia o que era, como preparava, pra que servia. Se era de comer ou de passar no cabelo. Ou se era pra calçar.


Esse aqui eu não sabia o que era, também , mas de acordo com a etiqueta ao lado, era quiabo chinês. Olha o tamanho do bicho! Pense na receita de frango com quiabo pra (8 pessoas): 2 kg de sobrecoxas de frango e um quiabo!!!



Esse é de revirar o estômago: ovos de pato preservados - o que, na verdade, é um eufemismo para CHOCO. Podre, gente! Ovo podre! "O que teremos para o jantar, querida?" " Ovos de pato podres, amor!" (melhor dizendo, de PATA, porque pato não bota ovo nem na China!)



Todo o tipo possível e impossível de chá. Esse daqui são de amendoim e de gergelim negro.



Olha só o que encontrei: POLVILHO. O nosso polvilho, ou "AMIDON DE TAPIOCA"(em espanhol) - que não tem nada a ver com nossa tapioca, é polvilho mesmo ( Esse eu conheço, gente!).



Pra não dizer que não comprei nada, comprei essas bolachinhas de côco que fizeram o maior sucesso- as crianças amaram.


Na verdade, acabei ficando freguesa deste supermercado, porque é a melhor seleção de verduras, frutas  e peixes que encontrei na cidade. Tudo fresquinho e de preços camaradas.E muita variedade. Pense num peixe. Lá tem. Ainda não experimentei essas coisas ultra-diferentes, mas, quem sabe? Se for verdura, é mais fácil - não tenho nojo.  Mas, por enquanto, estou na bolachinha de côco, suco de côco com pedaços (uma delícia) e filé de salmão... Tenho a mente aberta e estou disposta a experimentar novos sabores.
Agora, convenhamos... ovo choco não dá, né?





quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Mais do bilinguismo

Lembrando sempre que J= Júlia, B= Bia, L= Laura, M= mamãe, P= papai

***
B= Papai, você me busca hoje?
P=Bia, o papai só pode te buscar Friday, lembra?  Que dia é hoje?
B= Thursday-feira.

L= Mamãe, meus amigos da cola me chamam de baby.
M= Que lindinho!
L= No, lindinho, no! Meu nome é Lóua! A Mi Monca (Miss Monica) que falou...

***

J= Mãe, tenho uma colega na escola, não sei de onde ela é, se é Tailandesa, Chinesa, Coreana...
Sei lá. Só sei que ela é Asiana.
M=???
J= Asiana, mãe! Da Ásia, ora!
M= Asiática, Júlia! Asiática!!

***

B= Mãe, a Ms. Rogers fala que eu sou Beautiful. Eu não sou Beautiful...
M= É sim, amor, você é Beautiful.
B= Sou não, mãe. Sou BIA!!




J= Mãe, onde fica mesmo a Polândia?
M= Ahm?
J= Polândia, mãe! Poland!!
M= Polônia, Júlia!! Polônia!!



B= Mãe, a Miss Grace falou que eu sou "so sweet"! O que é "so sweet"?
M= Um doce, Bia. Você é tão doce... Você é meu doce de côco, sabia?
B= Ah, mãe. Você é so sweet, too! Você é meu bombom de morango!!
M= Awn...
B= Sabe o que mais é so sweet, soooo sweet, mãe?
M= O quê?
B= Férias!

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Preciosas Promessas

" Pois eu bem sei os pensamentos que tenho a vosso respeito, diz o SENHOR; pensamentos de paz e não de mal, para vos dar o fim que desejais."

Jeremias 29.11

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Mudaram as estações

Sou um pouco mais otimista que Renato Russo. Não acho que nada mudou. Pelo contrário, muita coisa mudou.  Mudou, por exemplo a ordem das estações. Quero dizer, a ordem continua a mesma, mas inverteu tudo. Deixa eu explicar melhor:
No Brasil, agora é Primavera, certo? O calorzinho chegando (ele algum dia foi embora??), o perfume das flores, as abelhas fazendo mel, coelhinhos saltitantes (como se tivesse coelho "selvagem" no Brasil), essas coisas. Aqui, no Hemisfério Norte, quem chegou foi o Outono. A temperatura amenizou,  os dias estão mais curtos, as noites mais longas, os furacões estão mais sossegadinhos, as folhas começam a amarelar e em breve, cairão. Tem gente que não sabe, mas as estações são diferentes nos dois hemisférios.  Enquanto aqui é Verão, aí  no Brasil é Inverno.  Enquanto aí é Primavera, aqui é Outono. Isso acontece pelo eixo de rotação da Terra, que ora está inclinada com o Pólo Norte mais próximo do Sol ( Verão no Norte/ Inverno no Sul), ora está com o Pólo Sul inclinado em direção ao Sol (Verão no Sul/ Inverno no Norte). www.discoveringthelonestarstate.blogspot.com  também é Cultura. E aula de Geografia.

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Alguém me disse que uma pessoa americana ao saber que as estações eram "trocadas"  na parte Sul do mundo, perguntou em que mês estávamos vivendo no Brasil... Tenta explicar alguma coisa pra uma criatura dessa!!

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Na terra de onde venho,  temos simplesmente duas estações: a da seca e a das águas, ambas muito quentes.  Eu particularmente, divido as estações em Goiânia em duas :  Muito quente e "quinzena da Pecuária".  Muito quente dura o ano inteiro com exceção da "quinzena da Pecuária", estação em que podemos tirar nossos casacos e botas do armário e dar uma passeadinha com eles, de leve. (Até meio-dia, porque depois disso, esquenta de novo. E fica a gente morrendo de calor até chegar a noite).

Pensa em dependurar uma marmota dessa na sua casa!


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As cores do outono estão por todo o lado. Tons e mais tons de amarelo, laranja e verde, com predomínio absoluto da cor laranja. Os supermercados já estão abarrotados de decoração para o Outono (lembram que eu falei que eles são empolgados com esse negócio de decoração? No Natal é tudo de Papai Noel e Rudolph, até as roupas e os brincos... Eles curtem mesmo essa coisa sazonal. Então, aqui tem guirlanda de Outono, também. Várias opções de tamanhos e estilos nas lojas... É a  época da colheita, época de muitos frutos (lembra do Primário? Primavera= Flores/ Outono=Frutos - nunca observei isso na vida, era só mesmo uma coisa de livro... Mas, aqui, as estações são bem definidas e bem diferentes entre si.) Por ser a época da colheita,  é uma época em que se vêem espantalhos decorativos - pra fazer alusão aos de verdade, que eram colocados no meio dos campos para espantar os corvos. Mas, o que tem mesmo são muitas, muitas abóboras, de todos os tamanhos e estilos ( de verdade e de mentira). Outono aqui é = abóbora.

As benditas!


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Os alunos do curso de Francês da Júlia ficaram escandalizados ao saber que franceses comem sopa contendo abóbora. Pra eles, abóbora só faz coisa doce. Nada de refogado de abóbora, que convenhamos, não é mesmo uma coisa muito gostosa. Eles tem uma folia com  pumpkin pie (torta de abóbora) uma semi-adoração com a bendita da abóbora nessa época do ano, que eu estou louca para experimentar, só pra ver se é essa coca-cola toda, mesmo. Meu sexto-sentido diz que não... As abóboras que aqui eles idolatram,  lá em casa chamamos carinhosamente de "arremariahomi"...  [Meu avô, que é muito engraçado, apelidou as abóboras assim. Quando chegava em casa todo empolgado, perguntando pra minha avó o que tinha para o jantar (esperava ele ter carneiro, arroz com lentilha ou charuto, como bom árabe que é) e ela respondia que tinha abóbora, ele exclamava "Arre Maria, Homi!"] Pois, então, vovô, aqui estamos na estação das arremariahomi! Elas estão por todo lado. Sugiro que não venha nos visitar no Outono, se quiser fugir delas...

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Também é época de Halloween, e tudo se enfeita com as coisas típicas dessa festa (se é que bruxa, zumbi e gato preto  a gente pode chamar de enfeite) . Não tenho uma opinião muito definida a respeito, mas meu sexto sentido (o mesmo que me diz que pumpkin pie não é essa coca-cola toda) também me diz que essa é uma festa que eu não gostaria de celebrar. Tem as crianças bonitinhas e tal, doces por todo o canto, mas bruxarias e caldeirões, definitivamente, não são coisas que me encantam.

Espia que trem mais horroroso!


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Também tem o peru.  Ah, como eles gostam de peru... Não o país sul-americano, se é que vcs me entendem. Peru glu glu. Diferente do Brasil, onde só comemos no Natal,  aqui é uma carne muito comum e apreciada o ano todo.  Desde as famosas Turkey legs da Disney ao peito de peru pra sanduíche. Aqui em casa, consumimos bastante. Tem a carne de peru moída que é bem menos gordurosa que a carne vermelha, tanto que eu faço todos os meus pratos que usam carne de gado moída usando a tal carne de peru. Dia desses, até quibe assado de peru eu fiz! Nem dá pra perceber que não é carne de vaca. Mas, voltando: no Outono, o peru adquire uma importância ímpar na mesa do americano, pois também é a época do Thanksgiving, feriado de ação de graças  que acontece em Novembro, onde o peru é o prato principal (ao lado das abóboras, claro), mas isso merece outro post quando chegar mais perto.


Olha aí o quibe de peru! 
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Pra celebrar as mudanças, e comemorar uma nova estação, tenho a dizer que as meninas vão felizes da vida pra escola. Na verdade, Laura mais feliz do que a Bia e a Júlia.  Sim, a Laura que chorava igual porco capado, agora vai toda sorridente. Segura a lancheira e vai dizendo: Eu não vou chorar, tá bom mamãe? E não chora, mesmo. Também tenho pra comemorar que as crianças pararam de adoecer. Graças a mudança do clima, mas principalmente `as orações de todos - gente do Outono e da Primavera - aproveito pra agradecer! Os mosquitos Culex também deram uma trégua (a cidade estava infestada deles,melhor dizendo, todo o Texas. Morreu muita gente de West Nile Fever no finzinho do verão. ) Aliás, abre outro parênteses: Ô terrinha pra ter mosquito! Você pensa que chegou na beira do Araguaia,  mas está em Houston, mesmo. Uma das minhas maiores decepções com os Estados Unidos: achei que aqui não tinha mosquito... Já vou avisando, quem quiser vir pra cá motivado unicamente pela falta de mosquito, pode ir desistindo, aqui é a terra do mosquito, do pernilongo e da muriçoca! A família toda! A diferença é que não tem nennhuma dentro de casa, elas são muito respeitadoras, hehehe... (Só do lado de fora, mesmo. Sempre saímos com repelente a tiracolo nos passeios outdoor.) Enfim, com a chegada do Outono, os mosquitinhos sumiram.(diminuiram)- e eu estou celebrando isso também.  Porque niguém merece sair da terra da dengue e morrer de West Nile virus ...Christiano tirou a carteira de motorista e é agora, um Texas driver oficial. Eu passei na escrita, mas ainda não marquei a prova prática.  17 anos dirigindo e estou com medo de fazer a prova... O inglês das meninas está cada vez mais intenso, e a Bia tem inclusive preferido falar  em inglês, mesmo dentro de casa. (Aquele momento em que você percebe que terá que ensinar o português, porque o inglês está sendo assimilado muito rapidamente...) Interessante ver as meninas se envolvendo nas tarefas da casa. ISSO TAMBÉM É DIFERENTE!!!

Laura ajudado aqui
Bia ajudando aqui.
Cadê a foto da Júlia ??


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A chegada do Outono traz consigo uma outra mudança que tem sido difícil de digerir : minha mãe vai embora daqui a 10 dias. MINHA MÃE VAI EMBORA DAQUI A 10 DIAS!!! Já estou tentando me acostumar, ela tem ficado muito tempo nas aulas dela ( de 8 as 2 da tarde) e tenho tentado fazer as coisas como se ela não estivesse aqui. Mas, quando ela chega da aula, me dá uma ajuda danada,  e essa ajuda, além da presença dela em si, vai fazer muita falta.  Eu estou com aquela sensação de quem está pra se formar .  Faltando 10 dias pra formatura, a gente só pensa: Gente, daqui a 10 dias sou médica! Socorro! Será que vou dar conta? Não vai ter professor nenhum pra pegar na minha mãozinha! E se eu errar!! Não vai ter niguém pra assinar pra mim! O carimbo vai ser meu! O CRM vai ser meu! O que eu vou fazer agora? Pois é. Essa sensação. Só que sem a alegria da formatura. 
MINHA MÃE VAI EMBORA, GENTE! SOCORRO! SERÁ QUE VOU DAR CONTA? A CASA VAI SER MINHA. A COZINHA VAI SER MINHA! O QUE EU  VOU FAZER AGORA?
Essas perguntas não querem calar e são a parte triste do meu Outono...





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ERRATA DO POST ANTERIOR:

1. Já li mais de 30 livros esse ano, se considerarmos "Pigs make me sneeze" " I broke my trunk", "Listen to my trumpet", "Today I will fly" de Mo Willems e "Hello, Baby", "Time for Bed" , "Ten little fingers and ten little toes"   de Mem Fox, dentre outros tantos livros que leio todos os dias pra minhas pitchucas.
2. Também já sonhei em ser vendedora de boutique,  fazendeira, professora de cursinho, estilista, veterinária, professora de inglês, dona de loja real, dona de loja virtual, pintora de tela, escritora, dona de escola,  empresária, poetisa, fotógrafa,  farmacêutica, e por aí vai. Ninguém aí pensou que eu sonhei em ser só aquele pouquinho de coisa, né? Só pra ficar claro.
3.Não, nunca sonhei em ser blogueira, mas essa é a minha ocupação do momento. Não remunerada, mas muito prazerosa (como tudo que tenho feito no momento, principalmente no quesito não-remunerada).
4. Andei inventando sim, uns pratos diferentes, como salada de repolho roxo, sanduíche de salmão,  o tal quibe de per e  bolo de banana (olha que diferente!) entre otras cosítas más.

Sanduíche de salmão preparado por moi.



P.S. : Consertei os settings do blog para que todos consigam comentar (era uma queixa generalizada dos meus milhares de leitores. Espero que todos fiquem felizes com isso! Um blog se alimenta dos seus comentários... e este  está em estado de subnutrição crônica.
Inté!


quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Sonhos

Meu sonho de infância era ser atriz. Atriz e modelo. Pensa que sucesso: Na passarela com 1,62 cm! Lá vem ela, Cristiane Tuma! Linda, loira, de olhos azuis e cabelos lisos e sedosos... Nem altura de modelo, nem nome de modelo, nem nada de modelo. 
Cresci um pouquinho e passei a querer ser diplomata. Cheguei a olhar informações no Instituto Rio Branco em Brasília. O primeiro dos pré-requisitos era falar cinco línguas, uma coisa assim, Me encantou. Eu poliglota? (Português, Inglês, Francês, Italiano e Alemão. Pronto. Fechou!)
Porque eu estava decidida a ser "A" Embaixatriz do Brasil. Na França, claro. Ou nos Estados Unidos ou no Canadá. Talvez na Inglaterra ou Alemanha. Mas, nunquinha na vida que eu iria pro Haiti. Nem pra Serra Leoa. Nem pro Uzbequistão.  Então, percebi que as listas de países em que eu NÃO moraria para representar o meu país era muito maior do que a lista de países em que eu realmente estava a fim de morar - notadamente Europa e América do Norte. E que a minha chance de ser diplomata do Brasil na Bolívia era bem maior do que ser Embaixatriz em qualquer país de Primeiro Mundo.  E que o que eu queria mesmo era conhecer diversos países e culturas, mas representar o meu país politicamente não era lá tão importante.
Fiz um teste vocacional quando eu tinha uns 13 anos. O resultado foi "Ciências Humanas". Escolhi Medicina.
Quer coisa mais humana do que Medicina? 
Bem, dentro da Medicina, foi difícil escolher a especialidade. Acabei fazendo Hematologia, porque gosto de coisa difícil e desafiadora - não sei porque tenho essa mania- e Hemato é exatamente assim. E também, porque essa é uma especialidade em que posso desenvolver bem a parte humana da coisa. Posso encorajar e consolar, posso mostrar minha compaixão e sofrer a dor do outro. 
[ Abre parênteses: (Eu sempre fui defensora dos fracos e oprimidos. Eu sinto a dor do outro com muita facilidade. Tanta, que até atrapalha, `as vezes. Por exemplo: eu não consigo ficar 100% feliz num jogo de futebol quando o Brasil ganha, simplesmente porque o outro time perdeu! Mesmo que seja a Argentina. Fico com dó dos los hermanos, coitados (tá bom gente, me crucifica, vai!).  Sei lá, se os jogadores chorarem então! Aí é que me derreto. "Podia ter empatado e ficado bom pra todo o mundo..." Fico com dó do Baggio até hoje, com aquela carinha de quem chutou a bola láááááááá no Pólo Norte. POr que alguém sempre tem que sair perdendo?) Fecha parênteses.] 
No começo, foi difícil, sentia demais e tomava posse da dor do paciente, como se fosse minha. Chorava de pena, questionei muita coisa. Depois, a gente acostuma, porque sabe que o nosso papel nessa relação não é sofrer…  é tratar. É "curar quando possível, aliviar quase sempre, consolar sempre." (nosso querido Hipócrates.) E temos que fazer o nosso trabalho. E chegar em casa pro nosso marido e filhos que nos esperam. 
Enfim, depois de um tempo, eu quis ser apenas- mãe. Esse foi meu sonho, digamos, de adultância. Eu nunca havia tido esse prazer. Sempre foi  tudo-ao-mesmo-tempo na minha vida. Filho + faculdade; filho + mestrado + trabalho. Mais filho + mais trabalho + vida acadêmica. Estava bom sendo médica, mas sentia vontade de ter a paz e o sossego de uma vidinha suburbana de mãe e dona-de-casa. Paz? Sossego? Aonde eu estava com a cabeça???  Eu estou agora realizando esse sonho, sem a paz e o sossego pretendidos, mas com muita alegria na alma. E sem nenhum dinheiro no bolso. Lembremos que tudo que é bom nessa vida ou é totalmente de graça, ou custa muito caro. O ar que respiramos ou uma Mercedes SUV são os primeiros exemplos que me vêem `a mente.
O sonho de adultância de ser apenas-mãe, veio mesclado com nuances do sonho de infância de ser diplomata. Não, não estou representando o meu país em terras longínquas, mas, sim,  estou sendo dona-de-casa e mãe em um país que eu escolhi para viver uma experiência  transcultural da vida com minha família.
Esse período que eu denominei de Sabático - e duraria de 6 meses a 1 anoseria recheado de atividades ultra-prazerosas para serem vividas em família e outras para serem desfrutadas por mim mesma, sozinha. Logo me lembrei daqueles memes do facebook, que no começo pareciam interessantes, mas depois encheram o saco. "Como seus pais  vêem, como seus amigos  vêem, como não sei quem  vê, como realmente é" , lembram?
Então, é mais ou menos assim.  `As vezes, você me vê como uma desocupada. E vem a imagem na sua cabeça de uma vida pacata e tranquila. Errado. Outros me vêem como uma louca, que deixou a estabilidade de uma vida (muito) boa no Brasil, pra virar imigrante nos EUA. Errado. Digo, parcialmente errado. Outros podem me ver como milionária, porque estou aqui por um período de 2 anos sem precisar trabalhar. Muito, muito errado. Mas, o engraçado é que eu mesma tracei linhas a respeito desse período - que já dura quase 6 meses - e nelas constavam que, nessa altura do campeonato, eu estaria:

1.Falando francês fluentemente. Isso mesmo. Francês.
2.Falando inglês fluentemente.
3.Falando espanhol fluentemente.(Abro mão do italiano e do alemão, deixa eles lá na infância)
4.Cozinhando como a Ofélia (para os mais velhos) ou Jamie Olivier (para os mais novos). 
5.Fazendo artesanato como Martha Stewart (uma espécie de Ofélia dos trabalhos manuais) - isso significa dominar todo tipo de craft possível, trabalho com madeira, scrapbooking, pintura em tecido, patchwork , tricô e crochê)
6.Fazendo trabalho voluntário em abrigos para velhinhos ou mulheres vítimas de volência.
7.Sendo voluntária na escola das minhas 3 filhas (3 escolas diferentes)
8. Sendo voluntária na igreja local
9..Escrevendo um blog em inglês.
10.Lendo pelo menos um livro por semana.
11. Sendo a melhor mãe do mundo.

 Por enquanto, eu:

1.Falo inglês com uma fluência razoável, 
2. Cozinho os mesmos pratos de sempre. Acrescentem aí  brownies e cookies  de massa pronta
3.Compreim material pra scrapbooking, fiz apenas uma página (que foi tarefa da escola da Bia.)
4. Ajudei no Uniform Resale da escola da Bia e vou ler para as crianças `as sextas-feiras - meu primeiro trabalho voluntário. Êêê!!
5.Ofereci ajuda na Igreja Metodista - o que eles precisarem. Ainda não me ligaram.
6. Li um livro ("With", de Skye Jethani)
7. Sou uma mãe "normal".

No passo que der, do jeito que der, vou andando. Devagar, porque já tive pressa. E levo esse sorriso porque já chorei demais.