domingo, 28 de outubro de 2012

Das coisas que aprendi (até agora) sendo dona-de-casa nos EUA


Quando você é dona-de-casa, dona-de-casa, mesmo ( quero dizer, sem ajudante, sem empregada, sem babá, porque dona-de-casa com isso tudo não vale!);
Quando você é dona-de-casa mesmo e tem três filhas, sendo duas pequenas;
Quando você é dona-de-casa mesmo, e tem três filhas, sendo duas pequenas, e mora em casa com carpete;
Quando você é dona-de-casa mesmo, e tem três filhas, sendo duas pequenas, e mora em casa com carpete, e o apartamento é alugado;
Quando você é dona-de-casa mesmo, e tem três filhas, e mora em casa com carpete, e o apartamento é alugado, e ainda por cima, você mora nos Estados Unidos;
você rapidamente aprende algumas proibições.

1. É proibido deixar sem fralda uma criança que ainda usa fraldas;
2. É proibido dar uma tigela de mingau  para criança comer fora-da-cozinha;
3. É proibido comprar massinha de modelar;
4. É proibido comprar tinta-guache e deixar a criança sem supervisão;
5. É proibido comprar canetinha;
6. É proibido deixar qualquer caneta ou giz-de-cera ao alcance das crianças;
7. É proibido lavar uma roupa pela primeira vez junto com outras peças;
8. É proibido lavar na máquina uma peça de roupa cuja etiqueta mostre que só pode ser lavada a mão. Daí, tem-se que:
9. É proibido comprar qualquer peça de roupa que precise ser lavada a mão ( não tem tanque nesse país);
10. É proibido comprar qualquer utensílio de cozinha que não possa ser lavado na máquina de lavar-louça;
11. É proibido comprar qualquer peça de roupa que precise ser passada a ferro;
12.É proibido comprar abacaxi;
13. É proibido jogar cascas de abacaxi no waste-disposal;
14. É proibido comprar peito de frango com osso;
15. É proibido jogar água na cozinha e no banheiro (não tem ralo);
16. É proibido inventar moda na cozinha (essa eu sempre desobedeço);
17. É proibido deixar a cozinha bagunçada para o outro dia (amanhã não vai chegar NINGUÉM pra arrumar a bagunça, é melhor você acabar com isso logo!)
18. É proibido comprar brinquedos com muitas peças;
19. É proibido deixar marcadores permanentes (canetas para pôr nome nas roupas) ao alcance das crianças;
20. É proibido manusear qualquer espécie de alvejante próximo a peças coloridas de roupa, inclusive a que você estiver vestindo;
21. É proibido passar alvejante no chão e colocar em seguida, o tapete azul-marinho sobre o mesmo;
22. É proibido lavar fantasia de princesa cheia de brilhinhos, fitas e laçarotes,  na máquina-de-lavar;
23. É proibido grelhar carnes ou fritar qualquer coisa que gere muita fumaça dentro da casa; e seguindo a mesma linha:
24. É proibido queimar qualquer coisa enquanto cozinha (o alarme de incêndio deles funciona que é uma belezura!)


Essas foram algumas proibições que aprendi, a maioria delas a duras penas, e espero que sirvam de alerta para quem está chegando por agora nesse país!!

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Desabafos de uma goianiense

Eu não sou uma pessoa que se irrita facilmente. Mas, se tem algo que me irrita é falar mal da minha cidade (Goiânia). Chamem de bairrismo, chamem do que quiserem, mas com ela ninguém mexe... quero dizer, só eu. Eu e os goianienses. Acho que cidade é igual filho, só a gente mesmo é que pode falar mal. Então, eu sei dos defeitos, mas não gosto que ninguém mencione - a não ser que seja filho da terra, também, porque aí as críticas podem ter um pouco de sentido. Do contrário, não. Na na ni na não!

Uma das coisas que mais me deixavam p. da vida, acontecia quando eu estava em congressos ao redor do país, ou em eventos, ou mesmo durante as férias familiares na praia. As pessoas perguntavam de onde eu era, e quando a resposta vinha - "Goiânia!"- essas próprias pessoas mal-amadas, excomungadas, "desgramadas", desinformadas, respondiam com cara de desprezo - "Ah! Então você é cidade pequena!" Olha, eu juro, que a minha vontade era de ir na fuça delas com tudo! Sabe assim, o Chico Bento bravinho? Daquele jeito. Mas, eu engolia essa vontade e dizia, com cara de paisagem - "Goiânia tem quase 2 milhões de habitantes, filhinha... Não é uma cidade pequena!"




Meus queridos leitores de São Paulo/ Rio: amo ter vocês aqui no blog, que fique bem claro. E não estou generalizando o que vou acabar de escrever. Mas isso acontecia mais frequentemente com pessoas dessas duas cidades, que são, obviamente,  as MAIORES CIDADES do Brasil. E cidades que eu amo, por sinal! Mas só porque a mulher tem 1,98m de altura,  isso não significa que uma  de 1,81  é baixinha... E não adianta a pessoa ser de uma grande cidade, se tem a mente pequena...

Goiânia tem 1.302.000 habitantes, de acordo com o último Censo. Se considerarmos a "Grande Goiânia", incluindo municípios vizinhos, este número aumenta para mais de 2 milhões. Goiânia é a cidade número 1 do país em estrutura urbana, como calçamento e pavimentação.  É a segunda maior cidade do Centro-Oeste ( só perde pra capital nacional - Brasília) e a décima primeira das 5.564 cidades do Brasil. Tudo isso de acordo com o IBGE. Mas, só quem vive lá  é que pode dizer que é uma cidade muito agradável de se morar, com lindas praças e parques, sendo uma das cidades mais "verdes" do país. É claro que tem defeitos (ah, sim!), mas eu não vou falar de nenhum deles. Não pra vocês, leitores de outras municipalidades. Porque tem isso também: defeitos a gente só comenta pros conterrâneos.




O Brasil também tem defeitos, claro, muitos. Mas, quer me matar de ódio é falar mal do Brasil pra quem não é brasileiro. Olha, você quer reclamar da corrupção, da sujeira das ruas, da desorganização das coisas e da falta de educação do povo  e etc., etc., etc., e dá-lhe etc.? Que reclame! (Eu  também reclamo, gente, ninguém é de ferro).  Mas ache um compatriota, ok?  Nós sabemos das nossas próprias mazelas. Não vamos sair por aí detonando a nossa nação para gentes de outras terras. O povo estrangeiro já se acha, não vamos nos diminuir ainda mais... A gente não precisa mentir, falando que o Brasil é só praia, mulher bonita, futebol e carnaval. Que é quase uma nação desenvolvida (ninguém precisa ouvir uma lorota dessa) e que é o paraíso de segurança pública. Mas, nada de agourar a terrinha....

Tem outra coisa que me irrita profundamente, é falar que goiano fala errado. Pois a mesma fulaninha excomungada, que acha Goiânia pequena, teve a audácia de implicar com o nosso jeito de falar. "Vocês falam muito errado na sua família," O quê? Implicou com a minha cidade, com o meu jeito de falar  e não satisfeita,  implicou com a minha família? Escuta aqui, minha fia. Lá invém ocê di novo. Nóis fala errado porque nóis qué, porque nóis gosta. Nóis sabe falar direito sim! Pior é ocê, que nem sabe o que é  lorota. E nem mazela.


Não mexe com quem tá quieto!


É... é feio, sim. E pra quem não está acostumado, pode pensar que não sabemos articular as palavras corretamente... Nós, da minha casa, quando estamos em ambiente familiar, também falamos assim. Se você me lê, sabe que sei falar e escrever corretamente. Pode até ter um errinho de concordância aqui outro acolá, mas são poucos (espero). No mais, falamos português "normal". Mas, temos o goianês como dialeto. Somos poliglotas, minha fia, hahaha.

Pois então, hoje, minha cidade natal completa 79 anos. E estou aqui com uma pontinha de saudade...  Saudade das suas praças, dos seus parques, da suas avenidas, dos seus moradores. Saudade do seu jeito acholhedor. Saudade  da minha Goiânia, do Setor Oeste, do Zoológico, da Igreja Metodista Central, do  Colégio Santo Agostinho, da minha família e do nosso jeito, digamos, especial de falar.

Parabéns, Goiânia, sua linda! Você mora no meu coração. Vivo um tempo de desbravar outras paisagens, espero que me perdoe...


P.S.: Os comentários grifados em vermelho são para uma pessoa específica e real (infelizmente) e não se trata de uma generalização a pessoas provenientes de nenhum município da nossa nação.


terça-feira, 23 de outubro de 2012

Preciosas Promessas - vídeo

A" preciosa promessa" de hoje está em vídeo.
Gosto muito dessa música. 
Pare um pouquinho e a ouça também.
Louvor de verdade.
Boa semana a todos!



segunda-feira, 22 de outubro de 2012

No clima da estação

Atendendo a centenas de cartinhas, telefonemas e telegramas (traduzindo = alguns comentários de gatos pingados no meu perfil do facebook), lá vem outro post. Assim, todo mundo fica feliz, inclusive eu.
As coisas andam meio tumultuadas, com tantos afazeres domésticos somados ao leva e busca e `a loucura das noites sem dormir. Mas, isso é assunto para um outro post, qualquer dia desse.
Sabe aqueles tons lindos de folhas amareladas e alaranjadas, que a gente vê nos calendários? Aquelas folhas de maple típicas do Hemisfério Norte (iguais `as da bandeira do Canadá), ficando avermelhadas e formando pilhas e pilhas no chão, onde as crinças podem se jogar?




 Pois é. Não tem aqui não...

Já vi que por aqui não teremos esse outono lindo de viver, com os tons naturais tomando as copas das árvores. Isso só mesmo na costa leste. Vou ter que me contentar com os dias mais curtos e o clima mais ameno, e uma folhinha aqui outra acolá, caídas na grama ( se os varredores deixarem,  porque vou te contar, oh, povo que trabaia por aqui! Começam a "varrer" ainda está escuro. Quase que não sobra uma mísera folhinha pra alegrar o nosso outono.) Mas, ainda bem que nesse período, as árvores ficam muito das "sem-educação" e deixam cair suas folhas o dia inteiro. Não é aquela coisa liiiiinda dos calendários e das fotos acima, mas já tá bão. (Pollyana)
Anyway, fui contaminada. Estou irreversível e totalmente tomada de paixão pelo outono, mesmo que ele seja mixuruco. Mesmo que ele não seja de folhinha.  Pelo menos, tem as abóboras. Viu como começa a paixão pelas abóboras? 
As danadinhas das abóboras ( ou cebolas, para alguns) são mesmo encantadoras. Acabei entrando na dança e  até comprei a minha. Não sei se vou comê-la ( novamente, convenhamos que não é muito gostoso), mas por enquanto, tenho uma única abóbora, solitariamente exposta na minha porta. Ela fica terrivelmente humilhada, frente `a decoração do meu vizinho empolgado, mas ainda assim estou feliz com ela. Ah! E devo esclarecer que é uma abóbora do bem.

Decoração do meu vizinho.



Sim, porque existem as abóboras do bem e as abóboras do mal. Não sabiam? As meninas daqui de casa dividem as abóboras dessa maneira.
As abóboras do mal são as "carved pumpkins", ou jack-o-lanterns,  que fazem alusão ao Halloween, com carinhas assustadoras que as meninas não gostam. 
As abóboras do bem são simplesmente abóboras. Podem até ter carinhas pintadas (porque eles adoram uma carinha na abóbora), mas são sempre amigáveis. Elas só têm a dizer que o outono chegou e que é tempo de abóbora! Arrimariahomi está no ar!

Abóboras "do Mal"

Decoração "do Mal"

 


Decoração "do Bem"


Essa semana, uma das tarefas das crianças é decorar uma abóbora. Vou ter que usar a minha abóbora-enfeite-de-porta, porque não estou afim de comprar outra abóbora, apesar de terem dezenas de formatos, cores e tamanhos.Temos que decorar a tal da abóbora, com temática do bem ( não pode esculpir), pois pelo que entendi teremos um concurso e vai ganhar a abóbora mais criativa. Mas, gente, vocês não têm idéia do que eles fazem com as abóboras!! É uma coisa profissionalíssima, muito acima do nível de artesanato que soma até hoje duas páginas de scrapbooking e duas ovelhas de massinha.  Coitada das meninas, vão passar vergonha...Mesmo com a minha vasta pesquisa na internet [até já me cadastrei em sites como How to decorate your pumpkin, Pumpkin ideas, Fall decoration with pumpkins, (sim, tem sites inteiros dedicados ao assunto).] Assumo pelo que vi, que tem até curso superior de decoração de abóboras para o outono. Mas, acho que vou ficar só no Kindergarten  das abóboras, não vai ter outro jeito.


Aqui estão as mais fáceis que eu achei. 
Are you kidding me? Seriously?

 


Deve ter uma certa magia na tal da abóbora, porque você olha pra elas no supermercado e elas te dizem "me compra, me compra, me compra", deste jeitinho assim, em português mesmo. Uma coisa quase incontrolável.  Eu caí neste canto da sereia uma vez, mas não sei se caio uma segunda. Pra se ter uma idéia, as meninas já estão achando uma abóbora muito pouco, querem uma de cada lado (ó o país do consumismo aí, gente!). Mas, como eu acho tudo caro, vamos ter que nos contentar com UMA abóbora. 



Pelo menos, até a gente ir no Pumpkin Patch, que é o programa da semana que vem. São fazendas de abóbora, com atividades para crianças como andar de trator, de pônei, labirintos em campos de milho, e claro, colheita das abóboras. Acho que as meninas vão gostar, pelo menos as pequenas. Acredito que a pulguinha mais velha não verá muita graça...



Nessa época do ano, pipocam festas e festivais pela cidade, tanto com o tema Halloween ou  apenas com a temática do Outono (Fall) e da Colheita (Harvest).  Aqui no prédio, teremos Halloween essa semana, com direito a um concurso de fantasia E um concurso para a melhor abóbora (again, vou usar a mesma.) Muitas escolas e igrejas evangélicas também promovem festas com atividades para crianças, como pula-pula, touro mecânico, essas coisas.  As crianças também  podem ir fantasiadas e trocar seus doces em um ambiente familiar e agradável, sem aquela vínculo explícito com o Halloween. Mas, tecnincamente, me parecem a mesma coisa. Apenas, as abóboras não podem ser esculpidas e os trajes não podem ser assustadores ou vinculados com coisa de bruxaria e fantasmice.



A minha!

Sábado, fomos na festa do Dia das Crianças e Halloween do BMH (Brazilian Moms in Houston). Na verdade, foi uma festa para comemorar o Dia das Crianças (do Brasil), com tradições americanas (Halloween). Então, as crianças  foram fantasiadas.  Brincadeiras, piñatas e muitos doces deram o tom da festa, e as pequenas se divertiram muito.



Meninas na festa BMH.
 


É isso aí, minha gente. Espero postar em breve foto da minha abóbora-mil-e-uma-utlidades lindamente decorada para o concurso.
Sem grandes expectativas, combinado?





quinta-feira, 18 de outubro de 2012

18 de outubro

Eu quase não falo sobre Medicina aqui no blog. 
Mas, hoje, não dá pra passar em branco. Nem se eu quisesse esquecer, o português me deixaria fugir do tema. Porque até pra passar em branco, eu me lembro...
Me lembro dos primeiros dias, há pouco mais de 17 anos! Eu tinha então... pouco mais de 17 anos! 
Mas, parece que foi ontem.
Os corredores antigos da Faculdade, o cheiro da Sala de Histologia ( eu juro! eu lembro, por mais que não exista memória olfativa! Devo ser  mesmo uma variação anatômica...)
Eu lembro de chorar de dó dos ratinhos, de sair  da sala passando mal e pagando mico...
De todos sentados no "puleiro",  tensos, amontoados, esperando a prova prática de Anatomia. Quando eu então resolvi levantar (maldita hora!) e cantar uma música do Rei do Baião "Eu vou mostrar pra vocês (como se dança o baião)" E , antes que eu acabasse de cantar, a multidão de engraçadinhos já ecoava "Mostra! Mostra! Mostra!) Nunca mais cantei nada, eu acho...Sério, onde eu estava com a cabeça?
Eu lembro de cada Projeto Canja (não cantei, mas dancei - porque pagar mico era comigo mesmo!), de "Lanterna dos Afogados", das provas de Neuro-anatomia (que todo mundo jurava que eu as tinha previamente, porque só tirava notão) . Esclarecimento: EU NUCA TIVE AS PROVAS, GENTE! Eu só namorava o monitor de Neuro, só isso. E ele era (e ainda é) um super-hiper-mega-caxias-cdf-chato-de-plantão com essas coisas. Ele não me dava as provas. Eu só tinha mais estímulo pra estudar. Só isso!)
Eu me lembro do primeiro paciente, do primeiro bebê que ajudei a nascer, do primeira cirurgia e de tantas outras coisas que, ao longo dos anos, nos fazem médicos. Do primeiro paciente que não sobreviveu... de como contar isso pra família. De perder uma criança,  de ver esvair a vida... De chorar junto, de ficar com raiva. De questionar Deus...
Eu me lembro dos plantões da Residência, dos sufocos, das paradas, dos acompanhantes rompendo aneurismas em plena madurgada!
Eu me lembro com saudade, dos meus amigos e dos meus Mestres.
Mas, hoje, eu me lembro, acima de tudo, dos meus pacientes. E agradeço por cada um deles ter confiado a mim uma parte de sua vida. Agradeço pela oportunidade de ter vivido esse sonho por todos esses anos. Por terem sido fonte de contentamento, de inspiração. 
Muitas vezes, houve também indignação, ingratidão, maus-pedaços, enfim (nem tudo são flores). Mas,  sei que tudo cooperou para o meu crescimento. Profissional e pessoal. E, se hoje, posso estar aqui usufruindo de um período de descanso, foi graças a todos esses anos de trabalho médico, nem sempre recompensador, mas sempre honesto e digno. Posso dizer hoje traquilamente:

" Prometo que, ao exercer a arte de curar, mostrar-me-ei sempre fiel aos preceitos da honestidade, da caridade e da ciência, penetrando no interior dos lares, meus olhos serão cegos, minha língua calará os segredos que me forem revelados, o que terei como preceito de honra. Nunca me servirei de minha profissão para corromper os costumes ou favorecer o crime. Se eu cumprir este juramento com fidelidade, goze eu para sempre a minha vida e a minha arte de boa reputação entre os homens; se o infringir ou dele afastar-me, suceda-me o contrário." (Hipócrates. 450 a.c.)

Parabéns a todos os meus colegas médicos, que podem deitar a cabeça no travesseiro e saber que fizeram o seu melhor. E que nada, nunca, nem ninguém (nem nós mesmos) tirem da nossa profissão, a nobreza, a dignidade e o caráter que ela tem.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Preciosas Promessas

"Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele."

João 3.17

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

15 de outubro

Eu sempre quis ser professora. Quem nunca brincou de escolinha que atire a primeira pedra. Cresci em uma família em que a educação sempre foi coisa séria. Minha avó era professora de inglês. Lembro de vê-la corrigindo tarefas, elaborando provas, recebendo telefonemas de alunos, e até mesmo, recebendo alunos em casa. Lembro das notas que dava, dos diários de classe, de vê-la escolher os  livros que seriam lidos no ano seguinte, da cautela na escolha de todo o material didático. Gostei. 
Então, aos 12-13 anos, essa foi minha primeira profissão - "professora de inglês". Dava aula para duas vizinhas (hoje, uma médica e uma adovogada) e para o irmão de uma colega de classe (não sei o que ele se tornou). Ganhava  um dinheirinho, porque as aulas não eram de graça, não. Afinal, eu ia parar os meus grandes e preciosos afazeres de uma menina de 12 - 13 anos, e isso teria que ter um preço. Eu  até poderia dizer que tive uma infância difícil, que meus pais passaram aperto pra criar os filhos e tal, e que  por isso, precisei pegar no batente desde cedo. Seria uma história bonita e emocionante. Mas, não. Não seria a minha história...
Tive uma infância privilegiada, uma adolescência com cinema, roupas de marca e tal. Tinha minhas atividades extras, meu curso de inglês, natação, jazz, piano e tudo o mais que pertence a vida de uma garota classe-média do final da década de 80. Fui ser professora porque quis. Por prazer. Por amor. Amor `a arte de ensinar, de ver brotar no outro uma pontinha de saber que antes não estava lá.  E torcer para que o solo seja fértil. E se empenhar para que cresça. E finalmente, se realizar, pelo simples fato de saber que foi você que plantou. 
Com o tempo, chegou o "segundo grau". O exemplo de um professor maravilhoso - Alberto - me fez querer ainda mais seguir minha carreira. Pronto : seria professora de cursinho! Eu estava decidida, chegamos a planejar nossa escola e tudo o mais.  Mas, antes, faria Medicina. Ah, sim a Medicina! 
Além do mais, eu não queria ser "só professora."
Só professora.
Como pode uma profissão tão nobre ser tão desvalorizada? Por que não temos mais pessoas querendo ser  só professores? Simplesmente professores?  Professores por opção? Professores por paixão?
Por que não?
Mas, hoje vou só perguntar (As respostas dão um livro).
Cada leitor  que faça sozinho suas hipóteses, que eu cá, fico com as minhas...
A vida me levou além dos meus sonhos, e pude então, ser professora de Práticas Integradoras e  Semiologia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Goiás e de Hematologia da PUC-Goiás. Tenho orgulho de ver meus alunos formados, médicos, maduros. Alguns, ainda por se formar, mas já bem mais conhecedores da Medicina do que quando os vi pela primeira vez... Tenho orgulho de saber que, por umas poucas semanas, ou por uma ano inteiro, eu estive lá.  De alguma forma, com alguma intensidade, eu também plantei alguma coisiquinha neles, por menor que tenha sido. E participei, como co-adjuvante, de um projeto grandioso  que é a vida de cada um deles. 
Ainda amo ser professora. Ainda acredito que ensinar seja uma arte. Ainda sonho com um mundo em que se respeite o professor. Um mundo em que ser professor seja um sonho nobre. E que ninguém precise dar explicações por querer ser só professor.
Aos meus professores, 
Muito Obrigada!
Aos meus queridos ex-alunos, 
Saudades!
Aos meus leitores, um texto de Cora Coralina, muito conhecido por todos, mas nem por isso, menos adequado para o dia de hoje.
A todos os professores, Um Feliz Dia do Professor!

Não sei se a vida é curta ou longa para nós, 
mas sei que nada do que vivemos tem sentido, 
se não tocarmos o coração das pessoas.
Muitas vezes basta ser:
colo que acolhe, 
braço que envolve, 
palavra que conforta, 
silencio que respeita, 
alegria que contagia, lágrima que corre, 
olhar que acaricia, 
desejo que sacia, 
amor que promove.
E isso não é coisa de outro mundo, 
é o que dá sentido à vida. 
É o que faz com que ela não seja nem curta, 
nem longa demais, 
mas que seja intensa,
 verdadeira, 
pura enquanto durar. 
Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina.