segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Das tradições de Natal

O Natal americano é muito parecido com o Natal brasileiro. Ambos os países possuem o Natal ocidental e pseudo-cristão. Sim, triste verdade para ambos os países… Pra viver o Natal cristão mesmo, tanto cá quanto lá, temos que tentar enxergar Cristo no centro. E no meio de tanta firula, fica quase impossível.
Eu particularmente amo Natal. E amo pelos dois motivos: pelo seu significado maior - a vinda de Jesus ao mundo - e pelas firulas natalinas. Amo firulas natalinas. Luzes de Natal, comida de Natal, decoração, árvore… tudo, tudinho. E aqui na terra do tio Sam, cada detalhe é elevado `a décima potência.
Algumas tradições são bem mais fortes aqui. Eu comprei até um livro que explica as 40 tradições mais populares do Natal americano.  O livro fala da origem de cada uma delas e é leitura rápida e bem interessante para curiosos como eu. Confesso que não consegui adotar todas elas, mas vou falar brevemente das que mais me tocam e  algumas que resolvemos aderir aqui em casa (algumas já realizávamos no Brasil).


1. Christmas music - A música natalina
Definitivamente, essa é a minha "Top Number one tradition" -  falei disso no post de Natal do ano passado.  Gosto de ouvir músicas que contam a história do primeiro Natal, louvores ao menino Jesus, da adoração dos pastores, dos reis magos…(também gosto das que falam de renas, presentes e de Papai Noel, confesso). Depois do Thanksgiving, minha rádio só toca música de Natal. E saibam que vai beeeem além do "jingle bells" que a gente tanto escuta no Brasil…

2. The Christmas Tree and the Christmas Wreath - A Árvore de Natal e a guirlanda - as daqui de casa são bem simples. Mas aqui é a terra das árvores cinematográficas, que podem ser pinheiros colhidos, digo, cortados na hora. Fresh cut. Próximo ano quem sabe…



3. The ornaments - Os enfeites. A variedade de enfeites pra árvore é uma coisa assustadora. pra se ter uma ideia, eles são vendidos o ano todo em lojas especializadas ou de decoração. As pessoas compram como lembrancinha. Sabe, como se fosse um pano de prato " estive em Fortaleza e lembrei-me de você"? Pois é, aqui a pessoa vai em Austin e compra um enfeite com o Capitólio pra sua árvore. Eu comprei um em San Antonio.

3. Christmas Lights - Luzes de Natal - a cidade fica simplesmente maravilhosa. Cada casa de cair o queixo.  Coisa de Hollywood. Como moramos em apartamento, as únicas luzinhas são as da árvore.  Este ano fomos a College Station, a 60 milhas, pra ver o espetáculo de luzes natalinas. Lindo!


4. The Gingerbread House -  Casa de doces
É uma casinha feita de biscoito e enfeitada de doces e jujubas, pra família inteira montar junta.Bem tradicional por aqui.  Fizemos este ano aqui em casa. Deu uma mão-de-obra doida,  as crianças comiam os enfeites da casa. Não sei se vou permanecer com a tradição.




5. Christmas Choir - A Cantata de Natal - sempre fui, desde pequenininha. Dezembro pra mim sempre foi época de apresentação do coral, teatro e dança na Igreja. Muitas vezes, eu fazia parte do elenco. Ano passado, fiz a pastora Sarah, na United Methodist Church, minha primeira atuação em inglês. Este ano, foi a vez das meninas, que apresentaram uma coreografia na Brazilian Presbyterian Church. Também assistimos ao espetáculo Celebration, da First Baptist Church. Se não tiver cantata, não tem cara de Natal pra mim…

6. Santa Claus - Papai Noel - pra mim, uma polêmica. Fico culpada em mentir tão descaradamente para minhas filhas, mas é uma das mais doces lembranças da minha infância - e também a maior decepção. A sensação impagável de vê-las no dia 25 abrindo os presentes é que me mantém firme na posição pró-velhinho.


7. Christmas Cards - Cartões de Natal - No Brasil, é comum a gente receber cartões de empresas, políticos, lojas em que você é cliente VIP e um ou outro parente que mora longe. Aqui, é beeeem mais que isso. É algo bem mais pessoal. As pessoas mandam cartão de Natal para seus queridos, que podem ser amigos, familiares e até mesmo vizinhos de porta. Tudo pelo correio. Resolvemos aderir. Foi muito bacana escrever cada cartão, lembrar de cada familiar, de cada amigo. Se você recebeu um cartão nosso, considere-se muito especial. Fizemos poucos.



8. The Christmas picture - A foto de Natal Essa eu aderi em gênero, número e grau (pra vocês verem o nível de aderência da pessoa). A maioria das famílias faz fotos profissionais, em estúdio ou ao ar livre, na neve, essas coisas. Ano passado fizemos em estúdio, este ano repetimos a dose. Acho uma maravilhosa lembrança para o futuro. Já pensou que legal juntar todas as fotos de Natal em uma colagem? Ver os cabelos que vão mudando, a moda, os quilinhos a mais, os bebês crescendo… Lamento não ter começado antes a tradição, com a família pequenininha que agora é grande. Mas, antes tarde do que nunca.

9.  The presents - Os presentes - impossível escapar. Mesmo que seja tudo sem exageros, sempre tem presente. E como boa brasileira, deixo muita coisa pra última hora. Ontem chegamos 2 horas da manhã da Macy's - eu , minha irmã e minha teenager. Éramos as únicas na loja de três andares do maior shopping da quarta maior cidade dos Estados Unidos. As pessoas normais já compraram há semanas. Ou meses. Ainda não embrulhei os meus ( preferi escrever no blog). A noite vai ser longa.


10. The Nativity - O presépio. Nunca fizemos em nossa casa no Brasil. Se fiz quando criança, não me lembro (lembra aí, mãe!). Aqui, toda casa tem um. Este ano, comprei um enfeitinho de mesa na loja de um dólar, com José, Maria e o Menino Jesus. Pra fazer de conta que tenho um presépio. E com um dos meus versículos preferidos do Natal. Está em Isaías e foi escrito 700 anos antes de Cristo vir ao mundo.

"Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o governo está sobre seus ombros, e seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz."
Is. 9:6

Um Feliz Natal a todos vocês!

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Do jejum

Então é Natal. Todos no meio do corre-corre de fim-de-ano e aqui não é diferente. Festa na escola, apresentação de ballet, visita de parentes, e o compra-compra natalino - por mais que a gente tente escapar. E a gente tenta mesmo. Por isso, essa é uma época de leitura bíblica mais frequente, mais dedicação `as coisas da Igreja e uma busca pessoal mais acirrada de Deus e do seu Reino - pra que afinal, o Natal faça sentido.
Aí, papai resolve jejuar e  mamãe resolve jejuar também. Não só porque é Natal, mas porque acreditamos que essa seja uma prática cristã muito importante, embora pouco popular. E, como temos em casa uma pequena cristã muito interessada nas coisas de Deus, surge a conversa abaixo.
Em azul estão os meus pensamentos (pensei, mas não falei) e em preto o que eu efetivamente falei.
B= Mãe, o que é jejum?
M= Filha, jejum é ficar sem comer alguma coisa, ou sem beber alguma coisa. Ou até mesmo sem fazer alguma coisa QUE A GENTE GOSTA MUITO. Não vale jejuar de Dr Pepper se você odeia Dr Pepper.
B=Mas, pra quê?
M=Pra mostrarmos pra Deus que Ele é mais importante do que comida ou bebida. Ele é mais importante do que tudo que fazemos ou queremos.
B=Hummm. Criança pode jejuar?
M=E agora?  A menina já vive em estado de semi-inanição, se eu falar que pode jejuar… ela vai topar na certa. Bem, criança também pode jejuar. De doce, bala, chocolate ou qualquer coisa que você goste muito. Mas, a mãe tem que concordar.
B=Mãe, quero jejuar.  Jejum de computador.
M=Nossa! Como minha filha é espiritualizada!
B=Pode ser?
M=Claro! Anjo de candura da mamãe, vai direto por céu, jejuando aos 5 anos!!
B=Mãe, será toda segunda-feira.
M=Ok, combinado. Minha Florzinha de Jesus ainda por cima é disciplinada e metódica! Como estou orgulhosa!!
B=Só tem um probleminha.
M=Lá vem. Qual o problema, filha?
B=Segunda-feira tenho aula de Computação e não poderei mais ir `a escola nas segundas…

Ri muito. Meu anjinho de candura  é uma criança normal. E muito, muito esperta!

A aniversariante do mês, protagonista da história acima.


 "Nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus."
Jesus Cristo, o aniversariante do mês, em Mateus 4:4.

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Minha pequena oração de ação de graças

Pela água quente do meu chuveiro
Pelo cheiro de arroz refogado
Pelo barulho das crianças na sala


Pelo delicioso frio do outono
Pelo aquecimento central
Pela cama que divido com quem amo


Pelo whatsapp
Pela internet
Pelo telefone
Pelo Magic Jack
Pelos correios
Pelos de perto e pelos de longe
Por meus amigos e por meus irmãos

Pelos tucanos, golfinhos, elefantes e coalas
Pelas palmeiras, coqueiros, carvalhos e pinheiros  de Natal
Pela brisa do mar e pelo céu azul
Pela chuva  e pelo céu cinzento
Pelo cheiro de terra molhada
Pela casa em que me abrigo
Pela família


Pelo legado recebido
Pelos meus pais
Pelos meus avós
Pelos que estão neste mundo
Pelos que descansam


Pela professora da Alfabetização
Pelo último livro lido e pelo próximo


Pela manga
Pelo chocolate
Pela comida árabe
Pela Coca-Cola

Pela escova progressiva
Pela cirurgia refrativa
Pela isotretinoína
Pela heparina...

Por não ter TPM
Pelas (três) TPMs alheias que enfrentarei…


Por coisas grandes e pequenas
Supérfluas ou indispensáveis
Por tudo que tenho
Por tudo que sou
Por tudo que vier a ser



Muito, muito, muito obrigada, meu Deus!

Amém!











sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Ursos!! Ao ataque!!

Um tanto de coisa pra dizer, um outro tanto de foto pra postar, imagens do Halloween,  reflexões para o Thanksgiving... mas a notícia que não quer calar é a que vai compor a postagem de hoje: Julia foi aceita na faculdade! Para nós,  brasileiros, seria o equivalente a dizer: Passou no Vestibular.
A notícia chegou em um dia simbólico: 11/12/13 ( aviso aos navegantes que aqui o mês vem antes do dia). Então, no dia 12 de novembro, fomos informados dessa grande vitória. Julia admitida na Universidade.
Foi uma empolgação geral Brasil-EUA, com telefonemas e emails de uma família orgulhosa dessa conquista. Pais, avós, tios, padrinhos... cheios de alegria e gratidão. Nosso bebê vai pra faculdade! Não somente pra faculdade, mas para uma Universidade dos Sonhos! É ou não é muita emoção?
Para acalmar nossos ânimos, nada como a antecedência americana. O resultado que ela recebeu 3 dias atrás é para o início do próximo ano letivo, que graças `a tal antecedência, só acontece em Ago/Set de 2014. Temos então 10 meses para nos preparar para a partida da nossa primogênita rumo `a sua própria vida…10 meses para ensiná-la a sobreviver por si mesma, a saber fazer suas próprias escolhas a quilômetros de distância, a saber o que aceitar e rejeitar… Pensando bem, é muito pouco tempo!
"Bora adiar esse negócio aí, por favor, Universidade querida!!"
Enfim, comemorações a mil por hora, preparativos idem. Corações agradecidos e confiantes de que o que foi plantado, começa a ser colhido. Bendita época de colheita!!

fonte: Google images

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O processo de entrada em uma universidade americana é bem diferente do que acontece no Brasil. O aluno é avaliado como um todo. Para se ter uma ideia, para entrar em uma Universidade americana, o aluno precisa de cartas de recomendação de professores da escola que frequenta, notas boas durante todo o Ensino Médio( o famoso GPA), uma quantia razoável de atividades extra-curriculares, interesse pelo trabalho ( a partir de 14 anos), mostrar engajamento social (trabalho voluntário) ou religioso de alguma natureza.  Ou seja, o estudante é avaliado de forma holística ( por mais que eu desgoste dessa palavra, é o termo que mais cai bem, sendo também utilizado por eles - "Holistic Review")
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O SAT( Scholastic Assessment Test) é um teste padrão vestibular que é um dos fatores levados em consideração. Diferente do Brasil, é um teste padrão em todo o país, e avalia conhecimentos de inglês e matemática. SAT com score baixo  deixa o aluno de fora das melhores universidades. O mesmo vale para o ACT  (American Colleges Testing), que engloba inglês, matemática e conhecimentos em Ciência. São recomendados, mas não obrigatórios. Por exemplo… se o aluno tem notas altíssimas durante todo o ensino médio, nem precisa fazer o teste para a maioria das Universidades. Porém, um número considerável de boas universidades, exigem os testes em questão. Nem preciso dizer que meu chuchu arrebentou, né?
fonte: Google images

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O fato de se falar várias línguas( inglês, espanhol, português e francês) e ter vivido fora do país também a tornou uma candidata bem competitiva. O que suplantou o fato de não ter atividades extracurriculares clássicas - como é comum aqui. Nos EUA, a meninada se engaja desde cedo em clube de escoteiros, associações atléticas, ajuda `as minorias, apoio a causas políticas, etc… E isso não temos no Brasil. OU melhor, não tem valor para uma universidade brasileira.
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Outro fato levado em consideração é a quantidade de AP courses que Julia fez aqui nos EUA. Quase todas as matérias que fez são AP ou pre-AP, o que significa uma dificuldade acadêmica maior. Tá mais ou menos explicado nesse post aqui.
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Outra coisa interessante: aqui o aluno não passa para o curso que escolhe. Aqui, o aluno entra na Faculdade. Não é o curso que mais interessa, e sim a Instituição. A concorrência existe  para entrar na faculdade, e não no curso. Inclusive ele pode demorar até dois anos para declarar qual o seu "major', que seria o que entendemos por curso superior. Isso significa que ele pode prestar para aquela faculdade e ser  admitido com um "Undeclared Major" - quando ele ainda não sabe qual curso quer. Ele tem dois anos para decidir-se. Isso ocorre porque os dois primeiros anos de Faculdade são iguais pra todo o mundo. Não interessa se vc faz Engenharia ou Teatro, sua grade curricular será muito semelhante.
Os amigos e familiares já perguntam: Passou pra quê?? (porque essa é a nossa cultura brasileira). Aqui, a pergunta é: Passou aonde?? (porque isso é o que mais interessa, a instituição). Bem, aos curiosos, aviso que ela declarou o seu major em Biologia. E aí vem a outra grande diferença.
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Nos Estados Unidos, MEDICINA não tem acesso direto. Você não sai do Ensino Médio e vai direto pra uma Faculdade de Medicina. Medicina aqui é pós-graduação. Você só pode ser médico SE antes se formou em algum outro curso, como Biologia, Bioquímica, Psicologia, Enfermagem, etc… que são cursos de acesso direto da High School.
fonte: Google images

Outros cursos que são pós-graduacão nos EUA: DIREITO, FARMÁCIA, ODONTOLOGIA, MEDICINA VETERINÁRIA,  e FISIOTERAPIA. Para todos esses, precisa-se de um curso de 4 anos antes - e um diploma.
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Como ela quer fazer Medicina, o Major dela em Biology é acompanhado de um currículo especial: o PRE-MEDICINE. É voltado para os alunos de Biologia que querem ser médicos. Nem todos tem essa pretensão, mas para os que têm, esse é o curso recomendado. Então, pode-se dizer que ela começa já sua formação em Medicina - que durará 8 anos, sendo os 4 primeiros de pré-medicina e os próximos 4 de Medicina propriamente dita.
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Outra curiosidade é que aqui  nos EUA, TODAS AS UNIVERSIDADES SAO PAGAS, quer sejam públicas ou privadas. Existem excelentes universidades dos dois lados, sendo as mais famosas e mais conhecidas mundialmente as instituições privadas. Quem nunca ouviu falar de Harvard, Yale, Princeton, Brown, Duke, Baylor?  Todas são particulares.  Universidades públicas, embora não muito famosas fora dos EUA, também podem ser igualmente fantásticas,  como a University os Texas, Lousiana State University, University of Pensilvania, Texas A&M, e por aí vai… Em geral, é mais fácil entrar nas públicas do que nas particulares. Mas, isso depende da faculdade em questão.
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Julia foi admitida na Baylor. Uma das top 20 faculdades de Medicina do país. Com bolsa parcial por mérito acadêmico.
As cores da faculdade são o verde-e-amarelo ( será um sinal??) e o mascote é o urso negro norte-americano. O grito de guerra deles é o "Sic'em Bears." Algo como "Ursos!! Ao ataque!!"
 É… não faz muito sentido em português…Mas, eles levam isso muito a sério!

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Só sei que estou muito feliz.
É ou não é motivo para se orgulhar??



Sic'em, Bears!

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Outono, seu lindo!

Já falei que amo o Outono?

Se ainda não, ainda está em tempo.
Embora o outono tenha chegado há mais de um mês ( 23 de setembro é a data oficial), é no mês de outubro que ele se faz sentir com mais presença, pelo menos aqui em Houston. Os termômetros finalmente acusaram uma temperatura mais amena semana passada : 9 º C ( pra maioria dos brasileiros isso é, na verdade, um frio danado). Depois de um verão escaldante e prolongado, nada como sair de casa e sentir uma brisa fresquinha. Aliás, dizem que Houston tem quatro estações: quase Verão,Verão, Ainda Verão e Natal. É mais ou menos por aí...
Mas pra quem vem de um lugar que é só verão o tempo todo, eu consigo enxergar a beleza na mudança das estações.  O que pra eles é considerada uma mudança sutil, pra mim, é um espetáculo da Natureza.
Na última semana de setembro, pude contemplar a última florada da maioria das árvores. A cidade se coloriu de cor-de-rosa, como numa tentativa de manter a  primavera já perdida nos meses anteriores... Eu contemplei com gratidão a oportunidade de enxergar a beleza das coisas...
Finalmente, no início de outubro, a árvore que estava ali, em frente a escola o ano todo, toda verdinha, de repente, estava assim. E foi nesse dia que eu declarei o Outono chegando pra mim.


 O que eu amo do Outono , é a sensação de renovo que ele me dá. A sensação de que tudo que está desgastado em nós, precisa ser removido, trocado. Não há espaço para sentimentos envelhecidos e atitudes ultrapassadas. O inútil deve ser substituído, dando lugar ao novo;  as ideias que não foram adiante precisam ser renovadas. Velhas atitudes não nos levam a novos destinos... 
E é essa poesia que enxergo no outono tímido de Houston. Uma ou outra árvore mixuruca se colorindo de laranja e eu já fico toda cheia de filosofia... A velha história de trocar as folhas (ideias) e manter as raízes(princípios), sabe? Bem, funciona pra mim.

Também é a época da colheita.  Tempo de celebrar os frutos, que em última análise, simbolizam o alimento. Esse é um costume milenar, de outras civilizações, mas que foi muito bem adaptado para cultura norte-americana. É aí que entram as abóboras, como ícone da estação. E eu aprendi a amá-las! Quando começam a colocar as abóboras pela cidade, meu coração se enche de uma alegria inexplicável! Tudo por causa de umas abóboras! Eu devo ser mesmo muito besta...

A tradição das colheitas enche a cidade de abóboras, maçãs, espantalhos, e tudo relacionado ao tema dos frutos. Em breve na quarta quinta-feira de novembro, teremos o feriado Thanksgiving, que praticamente encerra o Outono, na maior celebração familiar dos Estados Unidos. 

Também é uma época de chuvas - e eu amo chuva. Tempo de usar botas, casacos, cachecóis, mas tudo de leve, sem  aquela necessidade de tanta roupa uma em cima da outra pra não morrer de frio.

Tempo em que somem as baratas - a gente não acha umazinha sequer. Tem coisa melhor?

Nessa época, proliferam na cidade os Pumpkin Patches - colheita de abóbora. Fui no ano passado com as meninas na  Dewberry Farm no maior estilo mãe americana (post aqui). Esse ano, fomos a família inteira em outra fazenda, a Blessington Farms. Aproveitamos pra fazer umas fotos profissionais e registrar a visita da minha tia e meus primos gringos. Já virou uma tradição familiar a ida ao Pumpkin Patch - quero ir todo ano!





(Eu que fiz as camisetas das crianças.)



Esse ano o Outono nos trouxe bons frutos. Colhemos o que plantamos. Posso dizer que conseguimos nossas abóboras. E também as maçãs, os pêssegos, e tudo que se pode colher nessa época. Só temos  a agradecer a oportunidade de trocar nossas folhas e saborear os frutos de Deus em nossas vidas. 


Já falei que amo o outono?

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

3x4 (para os que ainda não me conhecem)




Cristiane Araújo Tuma Santos

Esse é seu nome, mas ela usa Cristiane Tuma desde sempre. E acha muito estranho aqui ser Cristiane Santos. Para os íntimos, Tchu.
Se acaso perguntarem quem é ela, digam que ela é brasileira, 35 anos, casada há 17, mãe de três meninas e médica hematologista.
Digam que ela escreve mas não é escritora, tem blog, mas não é blogueira. Digam que costura mas não é costureira, cozinha, mas não é cozinheira. E por aí vai…
Digam que ela tem sonhos. E foi em busca desses sonhos que ela veio parar aqui, na Terra do Tio Sam.
Digam que os planos dela incluíam um período sabático de um ano - que já dura quase dois.
E se perguntarem por que Houston, digam que foi por causa do Medical Center (porque ela nunca quis abandonar a Medicina) mas que nesses dois anos, ainda não pisou os pés lá. Aliás, já pisou sim, uma boa quantia de vezes, mais até do que gostaria, como mãe e não como médica.
Digam que, `as vezes, ela se incomoda um pouco com a “longura” desse período de descanso em que faz de tudo, menos descansar. É voluntária na escola, na biblioteca,  líder de oração, aluna de francês, motorista e tradutora.
Digam que ela é de Goiânia, e deixou pra trás cinco empregos, sendo dois consursos públicos, a Diretoria de um Hemocentro Regional, um cargo de Professora da Faculdade de Medicina  da PUC-GO e um consultório lotado;  mas que não olha pra trás. Digam que ela ama sua família e seus amigos que ficaram no Brasil e essa é a única coisa de que sente falta.
Digam que ela é cristã praticante, que frequenta assiduamente duas igrejas (uma brasileira e uma americana). Frisem que ela sabe que isso não a torna melhor do que ninguém. Frisem bem. Mas, ela espera refletir nos seus atos aquilo que acredita no seu coração.
Digam que ela  tem sido sombra enquanto o cônjuge é a figura  - e ela é relativamente bem-resolvida com isso (mas faz terapia pra não pirar.)
Digam que essa é ela  em 3x4 -  se acaso perguntarem.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Preciosas Promessas

"Tornai-vos, pois, praticantes da palavra e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos."
 Tiago 1:17

Curto e grosso.

Bom fim de semana a todos!