sábado, 26 de julho de 2014

Mudanças Disney


F=Mamãe, por que a  Mother Gothel roubou a Rapunzel?

M=Porque ela queria o poder que estava nos cabelos da Rapunzel.

F=Por que?

M=Por que ela  queria ficar sempre jovem e não morrer nunca.

F=(Pensa, pensa.)

F= Por que então ela não bateu na porta do castelo e ofereceu pra ser a babá da Rapunzel?  Aí, a Gothel brincava com ela, penteava os cabelos dela e ensinava a musiquinha do "Brilha linda flor" pra ela... A Rapunzel continuava com a mãe verdadeira e a Gothel conseguia o que queria.


Produção Disney, favor convidar minha filha para roteiros politicamente corretos.


Alguém que acompanha o blog sabe me dizer qual das pequenas deu essa ideia?

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Será?

Foi tudo lindo. A solenidade da formatura. O baile. A festa. O vestido. A formada mais bonita da turma.
Foi tudo lindo. A família do Brasil toda aqui. A solenidade. A celebração. A música.
Foi tudo lindo. A casa cheia. A casa nova. Ainda não falei da casa nova? Pois é. Foi tudo como manda o  figurino. A decoração. Os amigos. Os presentes. A comida.
Foi tudo lindo. Até mesmo a viagem inesperada ao Brasil. A Cidade cada vez mais Maravilhosa.
A tão sonhada troca do visto. O início oficial do "NeuroAnesthesia Fellowship". A re-entrada nos EUA para um novo tempo.
Mas...
Eu me pergunto se algum dia eu vou ser completamente feliz de novo.
Porque em cada acontecimento, ficou faltando um pedaço.
Um pedaço importante, vital. Um pedaço tão grande de mim, que me roubou a plenitude da felicidade. E o prazer de compartilhar.
Por trás de cada sorriso, uma lágrima. Por trás de cada vitória, um vazio. Por trás de toda beleza, a realidade feia. Aquele famoso silêncio que machuca tanto.
Eu até tento manter um coração agradecido. E olhar pra trás com gratidão e pra frente com fé.
Mas, mesmo assim, eu me pergunto se algum dia,  em algum lugar, eu vou ser completamente feliz de novo.
Peço que sim, mas tenho minhas dúvidas...

Que falta o senhor faz na minha vida, pai!

segunda-feira, 19 de maio de 2014

A Formatura - parte I

Eu não sei se vocês já sabem, mas a nossa filha mais velha se forma em 10 dias. Formatura de High School, que é o Ensino Médio no Brasil. Então, pois se não sabem, agora estão sabendo. Parabéns pra ela, né?

Aqui, a formatura da High School é  algo badaladíssimo. Muita pompa e circunstância MESMO. Os alunos usam beca e capelo ( o chapéuzinho), tem hino,  tem bandeira, juramento, discurso e todo um código de etiqueta próprio de cerimônias de formaturas de Universidades no Brasil. Não temos isso para o Ensino Médio. Pelo menos eu não tive, nem meus irmãos e nem nenhum de meus conhecidos. Acho que tem algo do tipo em escolas militares e só.

 

Existe todo um prestígio em ser senior, ou seja, o formando do ano. Falei sobre isso aqui, em uma série de posts sobre High School nos EUA.
A cerimônia da Julia acontecerá no dia 31 de maio. Mas,  já recebemos umas três cartas de orientação para o tal dia. Onde estacionar, onde entrar, assento do aluno, o que ele pode usar (tipo de sapato, jóia, coisa de cabelo, etc..) Uma verdadeira formalidade. Todo um esquema de segurança é montado, pessoas são convidadas a se voluntariar, essas coisas. Para muitos, aquela será sua única formatura, pois nem todos -assim como no Brasil - optam por prosseguir o curso superior. Ainda mais aqui, onde todas as universidades são pagas, inclusive as públicas. Nem todo o mundo pode pagar, então alguns jovens já saem da High School direto para o mercado de trabalho.

Na formatura também são honrados os alunos com desempenho excepcional. O pendão do chapéu é diferente ou recebem medalhas. Os termos são clássicos e usados em sua forma original - o latim. São os alunos que se formam cum ladesuma cum lade, magna cum lade, Valedictorian e Salutatorian. Pra quem não sabe o que exatamente significam os termos, aí vai a tradução.

Cum lade - com honra.
Suma cum lade - com grande honra.
Magna cum lade - com a mais alta honra.
Salutatorian - o aluno com a segunda nota mais alta. Ele faz o discurso de abertura.
Valedictorian - o aluno com a nota mais alta. Ele é também o orador da turma e faz o discurso final.



As turmas aqui são geralmente enormes. A turma da Julia, que eles chamam de Class of 2014  tem mais de 600 alunos. Muitos não se conhecem, porque é possível fazer os 4 anos de High School e não fazer nenhuma matéria em comum com algumas pessoas (veja o post no link acima). O aluno preenche os créditos de uma maneira muito individual e personalizada, apesar de seguir os parâmetros mínimos exigidos pela grade curricular.



Outra coisa interessante são as graduation parties- as festas de formatura. A família do formando convida seus amigos mais íntimos para pequenas festas em suas casas. Pode ser depois da formatura ou mesmo antes. No mesmo dia, ou em outra semana, não tem muita regra.  Familiares e amigos, colegas de classe ou não, se reúnem para prestigiar o graduate - o formando - geralmente com presentes e mesmo com dinheiro. Vale lembrar que vários estão indo pro College ou University e isso significa morar sem os pais. (Dinheiro é muito bem-vindo nessa situação!) São muitas festas pra ir e o prejuízo pode ser grande! Mas é uma etapa que se conclui e merece ser celebrada.

Nessa época do ano, as lojas estão cheias de merchandising com o tema.  Guardanapos de chapéu e beca, enfeite escritos "Class of 2014", porta-retratos com o pendão do chapéu, balões de "Congratulations" e vários cartões com mensagens apropriadas.

Outro costume é fazer fotos profissionais do "graduate": um verdadeiro "book" como se conhece no Brasil e muito popular quando a menina faz 15 anos. (Aqui, o menino também ganha "book").

As fotos lindas da Julia quem fez foi a nossa amiga e fotógrafa Luciana Justice, uma sergipana arretadíssima e muito competente. Vocês podem conferir.

Na minha família, formatura sempre foi algo muito importante, por que sempre foi dado um alto valor `a educação e  cultura, acima de quase qualquer outra coisa. Meus avós participaram ativamente da formatura de TODOS OS 9 NETOS, pra vocês terem uma ideia. Viajaram quase dois mil quilômetros pra cada uma - na maioria das vezes. Meus pais sempre valorizaram muito a cerimônia civil de uma formatura, seja de familiares ou de amigos (Meu pai ficou conhecido por sempre ir de terno e gravata a todas as formaturas a que era convidado,  mesmo no calor peculiar de Goiânia.)

Eu orgulhosamente, herdei este legado. Recebi como algo de altíssimo valor e quero repassar isso `as minhas filhas. E é por isso que vamos celebrar com tudo que temos direito,  com família, amigos e um coração agradecido.

Congratulations, Julia! You deserve it. The best is yet to come.






terça-feira, 6 de maio de 2014

Ela avisou!

Conversa da Laura com o pai, dia desses.


L- DELLY ( Daddy), nao quero esse pedaço do meu cake.

D- Por quê, Laura? 

L - Tinha um branquinho nele.

D - Minha filha, não tem problema, é da cobertura. Pode comer.

L- Mas DELLY, I don't want it! 

D- Lalinha, é gostoso, não tem problema nenhum (pega o pedaço e come - para mostrar que nao tinha problema).

L- DELLY!!!! Era minha meleca!


Fonte: www.goodmenproject.com


sexta-feira, 25 de abril de 2014

Silly mommy!

Scene: Bia looking at a christian story book, showing a picture of Jesus in Heaven. Then, she calls me super excited.

Mommy, look here! Look, look ! Jesus is in heaven!  There's where grandpa went to live.
Don't be sad, mom! Jesus is with him, grandpa is not alone.

And there comes Laura, laughing at me
Silly mommy! You thought he was dead!!
:)
I love my kids!


Cena: Bia vendo um livro cristão infantil com um desenho de Jesus no céu.
E me chama pra ver o livro super empolgada:

Mamãe, olha aqui! Jesus lá no céu onde o vovô foi morar!

Não precisa ficar mais triste, mamãe, Jesus está com ele! Ele não está sozinho.
E a Laurinha  que estava prestando atenção na conversa, chega dando risada: Mamãe bobinha! Você achou que ele tinha morrido...
:)
Amo minhas filhas!

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Primavera

Mais uma primavera chegando. Precisamente no dia 20 de março, começou no hemisfério Norte a estação das flores.
Um pouco antes disso já começam as mudanças.
Os olhos da gente que gosta de observar as coisas, já começam a contemplar esse mistério da Natureza.  Nos esquilos que voltam a correr de um lado para outro, vibrantes com a nova estação. Nas crianças brincando nas praças. No arco-íris das bolhas de sabão contra o sol. E ouvidos atentos podem escutar o canto dos pássaros depois de um longo silêncio, que durou meses.
Belos pontos azuis já despontam nos campos. São as bluebonnets, flor-símbolo do Estado da estrela solitária. Trazem consigo crianças e famílias, para eternizar o momento em uma típica paisagem da primavera.
Essas aqui são tulipas. 


Mais um pouco, e as ruas de Houston estarão lotadas de azaleias em todos os tons de rosa. Nos portões das casas, nos jardins, nos parques. Depois de um tempo de pouco verde e muito cinza, uma verdadeira explosão de cor vai encher nossos olhos e embelezar nossos caminhos.





Mas, o que mais me encanta na primavera não é tanto a beleza das flores. O que mais me encanta na primavera é esse início que acontece antes mesmo do desabrochar. Nesse início, consigo contemplar o milagre do nascer de novo. O milagre ao vivo, e a cores. Acontecendo no nosso dia-a-dia, nos pequenos acontecimentos no mundo natural. E está por todo lado, pra quem tiver olhos que gostam de observar as coisas.  Porque bem ali, naquele pequeno brotinho de um galho seco, onde se achava que não havia mais vida, eis que a vida ressurge. Singela, porém, plena. Aquele pontinho verde em uma árvore aparentemente morta. De uma mata em que se viam apenas troncos ressequidos e galhos emaranhados. Pouco a pouco, muitos outros,  e o verde em vários tons passa a preencher a paisagem de Esperança. E os olhos da gente,  então, mergulham esse mistério.  E nos convidam a olhar para o futuro e seguir em frente. E esses mesmos olhos nos relembram que importa-nos também nascer de novo.

Mas isso é pra gente que gosta de observar as coisas...


P.S.: Este lugar lindo é o Bayou Bend Collection and Gardens/ The Museum of Fine Arts, Houston

quarta-feira, 26 de março de 2014

Silêncio

Há quase três meses, não recebo uma ligação  do Brasil.
Uma ligação de todos os dias.
Meu telefone está em silêncio... Não o ouço tocar. Não ouço a voz mais presente da minha vida do outro lado da linha.
Silêncio.
Suas palavras eram meu pão diário, e faziam parte da minha rotina. 
Ora corriqueiras, triviais, falando de coisas simples; ora sábias e profundas, me ensinando o mais importante dessa vida. Sempre, uma doce voz, uma doce palavra...

"E agora, José? Sua doce palavra.... e agora?"

Ah, pai, como me fazem falta suas palavras...
E elas silenciaram para sempre no dia 14 de janeiro.
Ainda não consigo acreditar que o senhor não vai me ligar mais. Pra saber das meninas, perguntar do meu dia, se eu vi o que disse Bill O'Reilly na FoX News... Não vai me ligar pra saber se eu sei o que é "drift", "spare", "shed" ou qualquer outra palavra que o senhor sabia e eu não..., se eu ouvi o que o democrat so-and-so  falou - e que é um absurdo, por sinal! - se eu vi o último discurso do Rick Perry... 
Não vai me ligar pra saber com está o clima aqui e falar que ama o frio... Como vai o Christiano no novo hospital... 
Todo o  dia. Pai, todo o dia é muita coisa, sabe? E todo o dia faz seu silêncio doer mais. 
Não, pai, isto que escrevo não é um tributo `a sua vida. Isso ainda não consigo fazer... Isso é apenas uma satisfação que dou aos meus poucos e fiéis leitores. Pra que eles saibam o motivo do meu silêncio. Porque o meu silêncio é fruto do seu, como minha vida é fruto da sua.

Um tributo `a sua vida, pai, merece um blog inteiro. Ou melhor, um livro. Porque disso o senhor gostava muito. E foi um dos seus pedidos, né? Que não jogássemos fora seus livros. 

"E agora, José, sua biblioteca?... e agora?"

Está bem guardada, pai. Como estão bem guardadas suas palavras, seus ensinamentos e seus exemplos. Exemplo de homem que mais amou nessa vida.  Que me ensinou que AMOR é coisa que se demonstra e não coisa que se sente. Que sentir amor sem demonstrar é o maior erro dessa vida. AMOR sentido é AMOR vivido. E eu fui amada. E mais do que isso, eu me senti amada. E também minha família, meu marido, minhas filhas. 
Obrigada, pai. Porque o senhor amou em ações e não só em palavras.
Obrigada, pai, porque o seu silêncio não te apaga da minha vida. O seu silêncio me machuca, me maltrata. Mas o seu AMOR, esse o senhor deixou pra mim. 
E esse... não morre nunca.


"Mas, você não morre! Você é duro, José!"




"O amor jamais acaba." 
1 Co. 13.8


José Abdala Tuma Neto
* 24/11/1949
† 14/01/2014