Sabe aqueles dias da vida da gente que se não tivessem existido não fariam diferença?
Pois é, hoje foi assim.
Um dia bleh. Tudo que eu programei fazer não deu certo. Na verdade, nem programei nada.
O mais do mesmo.
Tem dia que cansa.
Lancheira pra arrumar e desarrumar.
Menino pra levar e buscar.
Roupa pra lavar - secar - dobrar - guardar.
Sensação de não produzir nada diferente.
Trem sem graça essa vida.
***
Hoje minha imagem no espelho revelou cabelos brancos como nunca antes na história desse país.
Minha comida ficou sem sal.
Minha cachorra estraçalhou o bichinho de pelúcia deixando seus 1328 restos mortais de espuma esparramados pelo carpete recém-aspirado.
Minha grama tá tão alta que meu jardim da frente parece uma plantação de arroz. Mas a máquina de cortar grama pifou.
***
Ainda não sei onde quero chegar com esse post. Porque afinal, tem dois meses e meio que não posto nada e quando finalmente apareço, só tem mimimi.
Gosto de encorajar o povo, de fazer rir, dizer coisas com sentido. Metida a filósofa. Sou dessas.
Me incomoda um pouco despejar as frustrações em palavras e abrir para o mundo ouvir.
Mas talvez por isso mesmo é que escrevo hoje.
***
Talvez - só talvez - eu queira dizer pra mim mesma que não sou perfeita.
Não sou feliz o dia todo.
Não sou feliz todos os dias.
Tem dia que grito com minhas filhas como prometi que nunca gritaria.
Tem dia que acho chato cozinhar.
Tem dia que acho um saco cuidar da roupa da casa. Opa. Isso é todo dia.
Tem dia que é tudo ao mesmo tempo.
Acho que hoje foi o dia.
Talvez - só talvez - eu queira dizer pra mim mesma que pelo menos um post no blog teve.
E também uma boa conversa .
***
Mas, hoje amanheci meio sem graça.
E vou dormir meio sem graça.
***
Sei lá, tem dia que deve ser assim mesmo.
Sem muita lição de vida.
Sem muito conselho.
Um dia meio bleh.
Aventuras de uma mãe brasileira vivendo nos EUA/ Adventures of a Brazilian Mom living in the USA
quarta-feira, 30 de março de 2016
domingo, 17 de janeiro de 2016
Casamenteira
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| huffingtonpost.com |
- Mom, how old was Dad when you got married?
- 23.
- And how old were you?
- 18.
-Mom, you were both TEENAGERS!! - she says surprised.
- Yes, I think we were...
She stops for a second or two, and comes with this one:
- Julia is already 19. I guess it's about time for her to get AT LEAST a boyfriend, right?
:)
These kids...
Abaixo a Mudança
Este é meu texto que foi destaque na Revista Brasilianas no dia 08 de janeiro deste ano.
Confiram!!
Confiram!!
Estão dizendo por aí que este é o ano da mudança. Pra mim,
não.
Em 2016 não
quero saber de mudança. Já mudei muita coisa em 2015. E em 2014 também. E assim foram 2013 e 2012. Mudei de casa, de cidade,
de Estado. Mudei de país, de profissão, de
visto. Mudei até de classe social. E não, não foi pra subir a escada, dessa
vez.
Ao longo das
minhas mudanças, eu conhecei muitas pessoas. Centenas delas. Milhares, talvez.
Mas apenas uma, uma única pessoa
ousou me dizer, em todos esses anos, que gostava de mudar. Dizia ter o espírito
cigano (coisa que, obviamente, eu não pareço ter).
Que me dêem
licença os mudadores. Mudar é um
saco.
Experimente
mudar de casa. Mudançazinha pequena,
estou falando. Você rapidamente se verá cercado de tantas caixas, que logo se
formarão verdadeiras trincheiras dignas da Guerra Civil. E você passará alguns
bons dias andando em um labirinto dentro da sua própria sala. Foi assim comigo.
Experimente
mudar de Estado. Em pouco tempo, perceberá que terá que mudar muita coisa além da
mobília. Seguro saúde, seguro de carro, seguro de casa (obviamente), documento do
carro e até carteira de motorista. Foi
assim comigo também. Mudei criança de escola, mudei filho de faculdade; mudei
de sponsor, mudei de status.
2015 foi o
ano de mudar.
2016 não.
Não pra
mim.
E foi assim
que comecei o meu Ano Novo , com a resolucão-mór da minha lista interminável de resoluções. Não quero mudar tão cedo. Não quero mudar mais nunca.
Mas essas
resoluções de Ano Novo. Ah, essas malditas! Parecem que ficam esperando a gente,
como caçadores na espreita. Observando a
gente, ligadas nas tantas caixas - que ainda não foram desfeitas, elas ficam `a
espera dos nossos tropeços. Ao primeiro sinal de fraqueza: Bam! As resoluções nos
avisam impiedosamente que não somos capazes de cumpri-las. E carregamos
pelo resto do ano a culpa da nossa desistência.
Hoje a minha resolução-mór me pegou no ato. Mal foi o ano começar e já chegou a hora de
desmontar a árvore de Natal. E lá então,
estava eu de novo, atrás de tanta caixa, em tantas idas e vindas na garage. Lá
estava eu pensando silenciosamente… Talvez mudar seja preciso...
E , filosofando
enquanto tira os enfeites de Natal, a
gente percebe que não dá pra ficar com
um Papai Noel tamanho família no jardim o ano inteiro. E nem com as luzinhas.
Amo as luzinhas! Mas não dá. A guirlanda da porta também tem que sair.
Acho que é
mais fácil ser bicho - penso sozinha enquanto guardo o último boneco de neve. Animais
têm feito a mesma coisa há milhões e milhões de anos. Comem as mesmas coisas (
nunca vi um leão vegetariano); e caçam as mesmas presas; e fogem dos mesmos
predadores; e moram nos mesmos lugares. É mais fácil. Sem dúvida. E, embora
ninguém negue que somos semelhantes em muitos aspectos aos animais, também ninguém
nega que somos diferentes.
Mudar é parte disso. Não falo de mudar
por um alteração climática ou um desequilíbrio ecológico. Sob pressão, até planta
muda! E mudam células, bactérias, virus...
Até proteína muda!
É preciso mudar, sabe? Mudar sempre. Em 2016, como em
qualquer ano. É difícil, mas precisa. Mudar é coisa de gente.
Mudar de
roupa. Mudar de cara. De corte de cabelo. Mudar de mobília. Mudar de decoração.
É preciso até mudar de ideia. E de opinião. E de partido politico. Nem dói
muito…
Para falar
a verdade, o processo de mudança também
não vem assim tão natural para nós, seres humanos ( a gente também é um pouco
bicho, não é?) E a gente chega a sofrer,
porque não quer mudar. A tal zona de conforto é (surpreenda-se!)uma zona
bastante confortável.
A gente
muda porque precisa mudar. Mas a
gente também muda porque quer mudar. E
isso faz toda a diferença. Querer mudar.
Mudar é uma
decisão que se faz todos os dias. Mudar pra ser mais feliz, mudar pra fazer o
outro mais feliz. Mudar porque quer corrigir os erros cometidos, mudar porque
quer uma chance de acertar. Mudar pra
alcançar novos alvos, conhecer novos amigos. Mudar para melhorar o que tem em
volta. Mudar pra melhorar a nós mesmos.
Ainda a
primeira semana do ano não terminou e a minha resolução-mór da minha lista
interminável de resoluções já foi para o espaço.
Chamem de desistência. Ou de falta de perseverança. Ou do
nome que for.
Eu chamo de mudança.
Pra 2016 e para todos os dias.
O link para o artigo da revista é essa aqui: http://www.revistabrasilianas.com/abaixo-a-mudanca/
quinta-feira, 31 de dezembro de 2015
Finalizando
Termino meu ano de 2015 agradecida - como sempre. 2015 foi bom demais da conta. Não fiquei rica, não arrumei o emprego dos sonhos, não realizei tudo o que eu quis. Mas foi o ano que recebemos a resposta que viemos buscar do lado de cima do Equador. Foi o ano que a porta se abriu de forma definitiva pra gente. Foi o ano que o medo de ter que voltar pro Brasil foi superado ( sim, eu tinha medo, me julguem). Foi o ano que mudei de Estado. Foi o ano que comprei minha casa própria nos Estados Unidos. Foi o ano que recebi meu Social Security e minha autorização de trabalho. Não, ainda não tenho emprego. Mas gostei de 2015 mesmo assim. Mesmo terminando 2015 desempregada ( se bem que ainda tenho algumas horas para um contrato relâmpago, nunca se sabe!)
Por trás disso tudo, foi o ano em que finalmente, renasceu em mim a vontade de voltar a ter minha profissão. Sou grata porque pensei que esse desejo nunca mais ia voltar. Mas ele voltou!!! Ele voltou!! E estou pronta pra começar o ano trabalhando no que Deus tiver pra mim. Foi o ano que finalmente voltei a ler artigos científicos, fazer cursos, olhar congressos. Foi o ano que montei meu currículo em inglês e tentei dar uma limpada na ferrugem do bichinho. Também foi o ano que sacudi a poeira do bloguito ( ainda que recentemente) e finalmente comprei um domínio - o euabrasil.com ( chama isso mesmo em português? domínio?). Botei anúncio no blog e em breve, uma loja virtual. Aguardem!
Foi o ano em que li quase tantos livros quanto eu gostaria e aprendi muita coisa nova.
Enfim... muita coisa boa aconteceu em 2015. Muitos sonhos pra serem realizados, alguns projetos no forno ainda ( literalmente, tem um lombo cheirando a casa toda neste exato momento!!). Tive tropeços também, claro. Obviamente, tive lágrimas - e não foram poucas. Tive saudade, muita saudade. Tive a falta do meu pai - que vai me acompanhar pra sempre, eu já percebi isso e a esta altura, você também. Mas este ano - em que eu me lembrei dele com muita freqüência ( leia-se o tempo todo, várias vezes ao dia), sua memória me trouxe mais sorrisos do que lágrimas! E eu mais uma vez, me senti muito confortada por Deus. Tive paz e esperança.
E são estes esses dois singelos sentimentos que me sussurram: 2016 será ainda melhor.
Feliz Ano Novo, gente!
Todo dia é dia de ser feliz.
Vejo vocês no ano que vem.
quarta-feira, 23 de dezembro de 2015
Reflexões de Natal
Permitam-me celebrar o Natal.
Mesmo com o mundo virado, dominado pela maldade, dominado pela avareza, e pelas injustiças sociais.
Permitam-me celebrar o Natal. E enfeitar a minha casa de luzes e montar a minha árvore e ter minhas filhas em volta, colocando enfeite por enfeite com capricho e determinação de quem faz uma obra de arte.
Permitam-me ouvir músicas natalinas que falam de renas e de neve, que falam de comidas e famílias, de suéteres, de frio, e de tudo que nem tem na Bíblia, mas faz parte da cultura do país em que escolhi para morar.
Permitam-me fazer biscoitos com minhas filhas, em formatos de gingerbread man, de bengala de doce e, de meias - e não necessariamente de manjedoura.
Permitam-me ser generosa. E comprar presentes para os meus filhos e meus amigos, aqueles que Deus colocou mais próximos de mim para cuidar e amar de maneira mais especial e intensa. Permitam-me ser mais generosa também com quem não conheço, mais nessa época do que em qualquer outra, por saber que melhor é dar do que receber. E que já recebi muito mais do que posso oferecer.
Permitam-me ter minha casa com meias dependuradas e enchê-las devidamente na madrugada do dia 25. Permitam-me ver os olhos das minhas filhas brilhando e ouvir os seus gritinhos de alegria ao descobrirem que Papai Noel passou...
Permitam-me ensinar essa fábula as minhas filhas como quem a guardou como um tesouro, como herança preciosa da própria infância. Permitam-me entrar nessa fantasia que em tão pouco tempo se desfará, assim como se desfará a fantasia da Cegonha, da Fada-do-dente, da Cinderela, da Bela Adormecida e da Branca de Neve. Permitam-me enquanto posso, saborear o gosto das risadinhas e da surpresa, o gosto da inocência infantil.
Permitam-me celebrar o Natal. E convidar Jesus pra festa, apesar de não precisar, pois não pode ser convidado alguém que já mora na casa. Permitam-me celebrar o seu dia e cantar " Parabéns pra Você" pra Jesus na hora da sobremesa, como tenho feito todos os anos.
Permitam-me ir a toda programação musical da cidade e entoar os hinos de louvor mais belos de todos os tempos.
Mesmo sabendo que Jesus não nasceu em dezembro, mesmo sabendo que trata-se na verdade de uma festa pagã m sua origem que não comemora nenhum Messias, que comemora o início do inverno no Hemisfério Norte. Permitam-me aceitar essa data como algo escolhido por homens, mas que leva a uma reflexão sagrada.
Permitam-me entender o significado do Natal - o nascimento do filho de Deus, do Verbo que se fez carne e do milagre da Salvação que existem em Jesus Cristo, aquele a quem celebramos.
Permitam-me ver a alegria do Natal. Mesmo com o coração doendo daquela ausência que nunca acabará. Mesmo com uma dor doída que insiste em permanecer e uma tristeza na alma que aumenta muito nessa época do ano. Mesmo sentindo, pra sempre, a falta do "meu" Papai Noel.
Permitam-me minhas tradições. Estão sendo usadas para moldar crianças saudáveis e estreitar laços de família e amizade. Estão sendo usadas para ensinar generosidade, ensinar que a família é o bem mais importante que se pode ganhar, que a verdadeira alegria supera momentos difíceis.
Eu vou celebrar com tudo, com ceia, com presente, com luzinha, com festa e Papai Noel.
O maior presente do Natal eu já tenho - Jesus Cristo como Senhor e Salvador da minha vida. E com Ele falo todos os dias, canto todos os dias, agradeço todos os dias. Ele está comigo em todas as minhas tristezas e estará em todas as minhas celebrações.
Quer me permitam, quer não.
Feliz Natal a todos!
quarta-feira, 28 de outubro de 2015
Dos perigos da leitura
Laura aos 2 anos e meio, acorda de madrugada desesperada e corre pro meu quarto. " Tem um bicho na minha cama." Tem, não, Laurinha. Pode dormir tranquila. "Tem sim, mamãe. Ele é grande e vermelho. É um cachorrão!! Não quero dormir na minha cama, mamãe."
Três anos depois, Bia, aos 6 anos e meio, acorda de madrugada desesperada e entra no meu quarto aos gritos. "Tive um pesadelo, mamãe! Um pesadelo terrível!" Está tudo bem, minha filha, pode ir dormir. "Não, mamãe, não quero. Tá cheio de livros no meu quart." Mas o que que tem? "Sonhei que estava lendo "Fancy Nancy" e na contra-capa tinha um aviso de perigo!" E o que tinha nesse aviso? "Warning: some people that read this book have been killed."
E, desde então, "Clifford, the big red dog" e "Fancy Nancy" foram promovidos a contos de terror aqui em casa.
Três anos depois, Bia, aos 6 anos e meio, acorda de madrugada desesperada e entra no meu quarto aos gritos. "Tive um pesadelo, mamãe! Um pesadelo terrível!" Está tudo bem, minha filha, pode ir dormir. "Não, mamãe, não quero. Tá cheio de livros no meu quart." Mas o que que tem? "Sonhei que estava lendo "Fancy Nancy" e na contra-capa tinha um aviso de perigo!" E o que tinha nesse aviso? "Warning: some people that read this book have been killed."
E, desde então, "Clifford, the big red dog" e "Fancy Nancy" foram promovidos a contos de terror aqui em casa.
sábado, 15 de agosto de 2015
Patrulha da Moral e dos Bons Costumes.
Tanto tempo que tenho que reapresentar. São três filhas.
Julia, a mais velha. Linda e complicada, como todo primogênito.
Beatriz é a do meio. É a que tem mais senso de justiça, como todo filho do meio.
Laura é a caçula, a mais desencantada. Da "pá-virada" - como todo caçula.
Todas são criadas da mesma forma, educadas com os mesmos valores de família e religião
Mas a Bia é a patrulheira oficial da Moral e dos Bons Costumes. As últimas patrulhas:
- Manhêêêê!! A Julia tá assistindo Pretty Little Liars.
- E o que é que tem, Bia?
- Manhê!!! Hello?? LIARS (mentirosas) L-I-A-R-S. I don't think you understand. :"Liars". Do you?
- Manhêêêê!! Meu pai tá assistindo Criminal Minds.
- E o que é que tem, Bia?
- Criminal, mãe. C-R-I-M-I-N-A-L. Você acha que isso agrada a Deus, hein, hein?
- Manhê!! Vc viu o nome do episódio que a Julia está assitindo? Viu?
- Não, Bia. Qual é?
- A BIN OF SIN, mãe! (Um latão de pecado)"SIN", mãe. Sabia que Sin é pecado? Sabia? Jesus não gosta disso, mãe! JULIA, ENTÃO VOCÊ ODEIA DEUS???
-Manhêêê. Minha professora falou que gosta de Rolling Stones.
- São bons, mesmo, Bia.
- Mãe!! São ROQUEIROS!
- Eu sei, Bia.
-Você sabe o que são roqueiros, mãe? Sabe, Sabe?
SÃO PESSOAS QUE TOCAM EM CADEIAS! THEY ARE ALL IN JAIL, mãe!!
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