terça-feira, 26 de novembro de 2013

Minha pequena oração de ação de graças

Pela água quente do meu chuveiro
Pelo cheiro de arroz refogado
Pelo barulho das crianças na sala


Pelo delicioso frio do outono
Pelo aquecimento central
Pela cama que divido com quem amo


Pelo whatsapp
Pela internet
Pelo telefone
Pelo Magic Jack
Pelos correios
Pelos de perto e pelos de longe
Por meus amigos e por meus irmãos

Pelos tucanos, golfinhos, elefantes e coalas
Pelas palmeiras, coqueiros, carvalhos e pinheiros  de Natal
Pela brisa do mar e pelo céu azul
Pela chuva  e pelo céu cinzento
Pelo cheiro de terra molhada
Pela casa em que me abrigo
Pela família


Pelo legado recebido
Pelos meus pais
Pelos meus avós
Pelos que estão neste mundo
Pelos que descansam


Pela professora da Alfabetização
Pelo último livro lido e pelo próximo


Pela manga
Pelo chocolate
Pela comida árabe
Pela Coca-Cola

Pela escova progressiva
Pela cirurgia refrativa
Pela isotretinoína
Pela heparina...

Por não ter TPM
Pelas (três) TPMs alheias que enfrentarei…


Por coisas grandes e pequenas
Supérfluas ou indispensáveis
Por tudo que tenho
Por tudo que sou
Por tudo que vier a ser



Muito, muito, muito obrigada, meu Deus!

Amém!











sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Ursos!! Ao ataque!!

Um tanto de coisa pra dizer, um outro tanto de foto pra postar, imagens do Halloween,  reflexões para o Thanksgiving... mas a notícia que não quer calar é a que vai compor a postagem de hoje: Julia foi aceita na faculdade! Para nós,  brasileiros, seria o equivalente a dizer: Passou no Vestibular.
A notícia chegou em um dia simbólico: 11/12/13 ( aviso aos navegantes que aqui o mês vem antes do dia). Então, no dia 12 de novembro, fomos informados dessa grande vitória. Julia admitida na Universidade.
Foi uma empolgação geral Brasil-EUA, com telefonemas e emails de uma família orgulhosa dessa conquista. Pais, avós, tios, padrinhos... cheios de alegria e gratidão. Nosso bebê vai pra faculdade! Não somente pra faculdade, mas para uma Universidade dos Sonhos! É ou não é muita emoção?
Para acalmar nossos ânimos, nada como a antecedência americana. O resultado que ela recebeu 3 dias atrás é para o início do próximo ano letivo, que graças `a tal antecedência, só acontece em Ago/Set de 2014. Temos então 10 meses para nos preparar para a partida da nossa primogênita rumo `a sua própria vida…10 meses para ensiná-la a sobreviver por si mesma, a saber fazer suas próprias escolhas a quilômetros de distância, a saber o que aceitar e rejeitar… Pensando bem, é muito pouco tempo!
"Bora adiar esse negócio aí, por favor, Universidade querida!!"
Enfim, comemorações a mil por hora, preparativos idem. Corações agradecidos e confiantes de que o que foi plantado, começa a ser colhido. Bendita época de colheita!!

fonte: Google images

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O processo de entrada em uma universidade americana é bem diferente do que acontece no Brasil. O aluno é avaliado como um todo. Para se ter uma ideia, para entrar em uma Universidade americana, o aluno precisa de cartas de recomendação de professores da escola que frequenta, notas boas durante todo o Ensino Médio( o famoso GPA), uma quantia razoável de atividades extra-curriculares, interesse pelo trabalho ( a partir de 14 anos), mostrar engajamento social (trabalho voluntário) ou religioso de alguma natureza.  Ou seja, o estudante é avaliado de forma holística ( por mais que eu desgoste dessa palavra, é o termo que mais cai bem, sendo também utilizado por eles - "Holistic Review")
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O SAT( Scholastic Assessment Test) é um teste padrão vestibular que é um dos fatores levados em consideração. Diferente do Brasil, é um teste padrão em todo o país, e avalia conhecimentos de inglês e matemática. SAT com score baixo  deixa o aluno de fora das melhores universidades. O mesmo vale para o ACT  (American Colleges Testing), que engloba inglês, matemática e conhecimentos em Ciência. São recomendados, mas não obrigatórios. Por exemplo… se o aluno tem notas altíssimas durante todo o ensino médio, nem precisa fazer o teste para a maioria das Universidades. Porém, um número considerável de boas universidades, exigem os testes em questão. Nem preciso dizer que meu chuchu arrebentou, né?
fonte: Google images

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O fato de se falar várias línguas( inglês, espanhol, português e francês) e ter vivido fora do país também a tornou uma candidata bem competitiva. O que suplantou o fato de não ter atividades extracurriculares clássicas - como é comum aqui. Nos EUA, a meninada se engaja desde cedo em clube de escoteiros, associações atléticas, ajuda `as minorias, apoio a causas políticas, etc… E isso não temos no Brasil. OU melhor, não tem valor para uma universidade brasileira.
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Outro fato levado em consideração é a quantidade de AP courses que Julia fez aqui nos EUA. Quase todas as matérias que fez são AP ou pre-AP, o que significa uma dificuldade acadêmica maior. Tá mais ou menos explicado nesse post aqui.
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Outra coisa interessante: aqui o aluno não passa para o curso que escolhe. Aqui, o aluno entra na Faculdade. Não é o curso que mais interessa, e sim a Instituição. A concorrência existe  para entrar na faculdade, e não no curso. Inclusive ele pode demorar até dois anos para declarar qual o seu "major', que seria o que entendemos por curso superior. Isso significa que ele pode prestar para aquela faculdade e ser  admitido com um "Undeclared Major" - quando ele ainda não sabe qual curso quer. Ele tem dois anos para decidir-se. Isso ocorre porque os dois primeiros anos de Faculdade são iguais pra todo o mundo. Não interessa se vc faz Engenharia ou Teatro, sua grade curricular será muito semelhante.
Os amigos e familiares já perguntam: Passou pra quê?? (porque essa é a nossa cultura brasileira). Aqui, a pergunta é: Passou aonde?? (porque isso é o que mais interessa, a instituição). Bem, aos curiosos, aviso que ela declarou o seu major em Biologia. E aí vem a outra grande diferença.
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Nos Estados Unidos, MEDICINA não tem acesso direto. Você não sai do Ensino Médio e vai direto pra uma Faculdade de Medicina. Medicina aqui é pós-graduação. Você só pode ser médico SE antes se formou em algum outro curso, como Biologia, Bioquímica, Psicologia, Enfermagem, etc… que são cursos de acesso direto da High School.
fonte: Google images

Outros cursos que são pós-graduacão nos EUA: DIREITO, FARMÁCIA, ODONTOLOGIA, MEDICINA VETERINÁRIA,  e FISIOTERAPIA. Para todos esses, precisa-se de um curso de 4 anos antes - e um diploma.
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Como ela quer fazer Medicina, o Major dela em Biology é acompanhado de um currículo especial: o PRE-MEDICINE. É voltado para os alunos de Biologia que querem ser médicos. Nem todos tem essa pretensão, mas para os que têm, esse é o curso recomendado. Então, pode-se dizer que ela começa já sua formação em Medicina - que durará 8 anos, sendo os 4 primeiros de pré-medicina e os próximos 4 de Medicina propriamente dita.
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Outra curiosidade é que aqui  nos EUA, TODAS AS UNIVERSIDADES SAO PAGAS, quer sejam públicas ou privadas. Existem excelentes universidades dos dois lados, sendo as mais famosas e mais conhecidas mundialmente as instituições privadas. Quem nunca ouviu falar de Harvard, Yale, Princeton, Brown, Duke, Baylor?  Todas são particulares.  Universidades públicas, embora não muito famosas fora dos EUA, também podem ser igualmente fantásticas,  como a University os Texas, Lousiana State University, University of Pensilvania, Texas A&M, e por aí vai… Em geral, é mais fácil entrar nas públicas do que nas particulares. Mas, isso depende da faculdade em questão.
fonte: Google images

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Julia foi admitida na Baylor. Uma das top 20 faculdades de Medicina do país. Com bolsa parcial por mérito acadêmico.
As cores da faculdade são o verde-e-amarelo ( será um sinal??) e o mascote é o urso negro norte-americano. O grito de guerra deles é o "Sic'em Bears." Algo como "Ursos!! Ao ataque!!"
 É… não faz muito sentido em português…Mas, eles levam isso muito a sério!

fonte: Google images

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Só sei que estou muito feliz.
É ou não é motivo para se orgulhar??



Sic'em, Bears!

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Outono, seu lindo!

Já falei que amo o Outono?

Se ainda não, ainda está em tempo.
Embora o outono tenha chegado há mais de um mês ( 23 de setembro é a data oficial), é no mês de outubro que ele se faz sentir com mais presença, pelo menos aqui em Houston. Os termômetros finalmente acusaram uma temperatura mais amena semana passada : 9 º C ( pra maioria dos brasileiros isso é, na verdade, um frio danado). Depois de um verão escaldante e prolongado, nada como sair de casa e sentir uma brisa fresquinha. Aliás, dizem que Houston tem quatro estações: quase Verão,Verão, Ainda Verão e Natal. É mais ou menos por aí...
Mas pra quem vem de um lugar que é só verão o tempo todo, eu consigo enxergar a beleza na mudança das estações.  O que pra eles é considerada uma mudança sutil, pra mim, é um espetáculo da Natureza.
Na última semana de setembro, pude contemplar a última florada da maioria das árvores. A cidade se coloriu de cor-de-rosa, como numa tentativa de manter a  primavera já perdida nos meses anteriores... Eu contemplei com gratidão a oportunidade de enxergar a beleza das coisas...
Finalmente, no início de outubro, a árvore que estava ali, em frente a escola o ano todo, toda verdinha, de repente, estava assim. E foi nesse dia que eu declarei o Outono chegando pra mim.


 O que eu amo do Outono , é a sensação de renovo que ele me dá. A sensação de que tudo que está desgastado em nós, precisa ser removido, trocado. Não há espaço para sentimentos envelhecidos e atitudes ultrapassadas. O inútil deve ser substituído, dando lugar ao novo;  as ideias que não foram adiante precisam ser renovadas. Velhas atitudes não nos levam a novos destinos... 
E é essa poesia que enxergo no outono tímido de Houston. Uma ou outra árvore mixuruca se colorindo de laranja e eu já fico toda cheia de filosofia... A velha história de trocar as folhas (ideias) e manter as raízes(princípios), sabe? Bem, funciona pra mim.

Também é a época da colheita.  Tempo de celebrar os frutos, que em última análise, simbolizam o alimento. Esse é um costume milenar, de outras civilizações, mas que foi muito bem adaptado para cultura norte-americana. É aí que entram as abóboras, como ícone da estação. E eu aprendi a amá-las! Quando começam a colocar as abóboras pela cidade, meu coração se enche de uma alegria inexplicável! Tudo por causa de umas abóboras! Eu devo ser mesmo muito besta...

A tradição das colheitas enche a cidade de abóboras, maçãs, espantalhos, e tudo relacionado ao tema dos frutos. Em breve na quarta quinta-feira de novembro, teremos o feriado Thanksgiving, que praticamente encerra o Outono, na maior celebração familiar dos Estados Unidos. 

Também é uma época de chuvas - e eu amo chuva. Tempo de usar botas, casacos, cachecóis, mas tudo de leve, sem  aquela necessidade de tanta roupa uma em cima da outra pra não morrer de frio.

Tempo em que somem as baratas - a gente não acha umazinha sequer. Tem coisa melhor?

Nessa época, proliferam na cidade os Pumpkin Patches - colheita de abóbora. Fui no ano passado com as meninas na  Dewberry Farm no maior estilo mãe americana (post aqui). Esse ano, fomos a família inteira em outra fazenda, a Blessington Farms. Aproveitamos pra fazer umas fotos profissionais e registrar a visita da minha tia e meus primos gringos. Já virou uma tradição familiar a ida ao Pumpkin Patch - quero ir todo ano!





(Eu que fiz as camisetas das crianças.)



Esse ano o Outono nos trouxe bons frutos. Colhemos o que plantamos. Posso dizer que conseguimos nossas abóboras. E também as maçãs, os pêssegos, e tudo que se pode colher nessa época. Só temos  a agradecer a oportunidade de trocar nossas folhas e saborear os frutos de Deus em nossas vidas. 


Já falei que amo o outono?

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

3x4 (para os que ainda não me conhecem)




Cristiane Araújo Tuma Santos

Esse é seu nome, mas ela usa Cristiane Tuma desde sempre. E acha muito estranho aqui ser Cristiane Santos. Para os íntimos, Tchu.
Se acaso perguntarem quem é ela, digam que ela é brasileira, 35 anos, casada há 17, mãe de três meninas e médica hematologista.
Digam que ela escreve mas não é escritora, tem blog, mas não é blogueira. Digam que costura mas não é costureira, cozinha, mas não é cozinheira. E por aí vai…
Digam que ela tem sonhos. E foi em busca desses sonhos que ela veio parar aqui, na Terra do Tio Sam.
Digam que os planos dela incluíam um período sabático de um ano - que já dura quase dois.
E se perguntarem por que Houston, digam que foi por causa do Medical Center (porque ela nunca quis abandonar a Medicina) mas que nesses dois anos, ainda não pisou os pés lá. Aliás, já pisou sim, uma boa quantia de vezes, mais até do que gostaria, como mãe e não como médica.
Digam que, `as vezes, ela se incomoda um pouco com a “longura” desse período de descanso em que faz de tudo, menos descansar. É voluntária na escola, na biblioteca,  líder de oração, aluna de francês, motorista e tradutora.
Digam que ela é de Goiânia, e deixou pra trás cinco empregos, sendo dois consursos públicos, a Diretoria de um Hemocentro Regional, um cargo de Professora da Faculdade de Medicina  da PUC-GO e um consultório lotado;  mas que não olha pra trás. Digam que ela ama sua família e seus amigos que ficaram no Brasil e essa é a única coisa de que sente falta.
Digam que ela é cristã praticante, que frequenta assiduamente duas igrejas (uma brasileira e uma americana). Frisem que ela sabe que isso não a torna melhor do que ninguém. Frisem bem. Mas, ela espera refletir nos seus atos aquilo que acredita no seu coração.
Digam que ela  tem sido sombra enquanto o cônjuge é a figura  - e ela é relativamente bem-resolvida com isso (mas faz terapia pra não pirar.)
Digam que essa é ela  em 3x4 -  se acaso perguntarem.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Preciosas Promessas

"Tornai-vos, pois, praticantes da palavra e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos."
 Tiago 1:17

Curto e grosso.

Bom fim de semana a todos!

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

O sistema de recompensas

Esse país funciona na base da recompensa. O que eu acho ótimo, diga-se de passagem. Tudo aqui precisa ser conquistado. Desde pequenininho.
Explicando: Você só pode jogar video-game SE arrumar sua cama ( isso é meio óbvio, mas o "você" em questão costuma ser uma criança de 5 anos); você só pode assistir TV SE ajudar a tirar a mesa, você  só pode comer o cookie SE provar o brócolis, você só pode isso SE aquilo... Em geral, uma tarefa cumprida vem sempre recompensada por algo que a criança queira.
Pode parecer chantagem, MAS é recompensa.
Recompensa pelo esforço me parece algo muito justo.

O sistema de recompensas é vigente nas casas e  nas escolas nas mais variadas formas.
Uma forma muito comum é o uso de adesivos em pequenas tabelas. A criança ganha um adesivo para bons comportamentos, até completar um númer X definido pelos pais. Assim que o alvo é atingido, tem direito a um prêmio também definido pelos pais. Aqui em casa, são estrelinhas.  E tudo funciona na base da estrela.  Bom compotamento = ganha uma estrela. Mau comportamento= deixa de ganhar a estrela. Usei o método com o potty training ( terino para o uso do vaso e retirada das fraldas) da Laura - cada vez que usava o vasinho, ganhava uma estrela. A cada 5 estrelas - uma fileira completa - ela ganhava um pequeno prêmio (de um dólar ou menos). A cada tabela completa - 25 estrelas - um prêmio melhorzinho, como uma Barbie, por exemplo.

Nas escolas, todo bom comportamento é premiado, geralmente com adesivos.
A escola da Bia tem um sistema interessantíssimo chamado"classdojo",( tem uma opção do lado esquerdo que dá pra escolher português), em que os pais podem acessar o report semanal do comportamento da criança. São várias categorias, como trabalho em equipe, obediência `as regras e participação. Esse sistema é de adesivos virtuais e o mais interessante é que a própria criança se avalia e "se dá " o adesivo virtual no quadro, que na verdade é uma touch screen, seja o adesivo bom ou ruim. Por exemplo: a professora dá uma ordem e a criança não obedece. Na hora da pontuação, a professora pergunta `a criança se aquilo foi correto, a criança reflete e assume que não, e ela mesma "se dá" um adesivo negativo. Auto-avaliação - Eu acho isso fantástico!

No final da semana, as crianças têm acesso a uma "treasure box", uma caixa do tesouro com pequenos prêmios para escolher. Existem três níveis de prêmios, conforme a performance naquela semana. Quem teve mais de 80% de pontos positivos ganha os prêmios "melhorezinhos" ( Bia escolheu um par de  óculos escuros). Crianças com performances piores, têm acesso a prêmios inferiores. E aí, muita gente pode discordar. E eu até gostaria de ouvir a opinião dos discordantes, porque eu sou muito a favor.
Eu acho que o esforço tem que ser recompensado, que o bom comportamento tem que ser estimulado. São pequenos, eu sei, mas é de pequenino que se torce o pepino ( é esse mesmo, o ditado?)

O episódio dos óculos foi especificamente interessante. Quando cheguei para buscar a Bia, ela estava toda fashion com seus óculos novos, "rosa-choque", recém adquiridos da treasure box. Laura viu e quis um também. Expliquei que aqueles eram da Bia. A professora, que é uma graça de pessoa, notou e trouxe um pra Laura também. Quando a Laura recebeu, desandou a chorar. Eu fiquei sem saber o que estava acontecendo, mas ela se fez entender: "PURPLE IS NOT MY FAVORITE COLOR!Buáááá" Quase morri de vergonha! Mas, em meio aos meus "Sorry" pra professora, e "Laura não faça isso", "Agradeça!" e "blá, blá, blá", eis que a Bia tirou seus óculos e trocou com a Laura ( PINK tem sido a cor favorita da caçula nas últimas semanas...) A professora ficou tão impressionada que não hesitou - abraçou a Bia e deu mais dois adesivos virtuais no report card dela, pela generosidade com a irmãzinha. Reforço positivo, como dizem.

Na escola da Laura, outro exemplo. Ela andava chorando ao acordar do naptime. Chorando não. Berrando compulsivamente -  coisa que ela não faz com muita frequência, mas  quando "precisa", sabe fazer com maestria. Então, a professora resolveu dar um adesivo pra cada vez que ela acordasse sem chorar. E assim, ao acordar, a professora a relembrava do adesivo. Quando chorava, não ganhava. E assim, parou de chorar, pra poder ganhar os adesivos. Ao final de 5 adesivos, ganhou um ursinho de plástico da professora e uma fantasia de Ariel da mamãe ( exagerei no presente, mas eu ia comprar de qualquer jeito).

Na escola da Julia tem sistema de recompensas também. Alunos que tiram uma quantidade x de notas A na High School (serve para os outros níveis também) se formam com honras.   Recebem as honras nominalmente em seus diplomas e durante a cerimônia -  "summa cum laude", "magna cum lade". O esforço é recompensado. E eu acho isso muito positivo.

No Brasil, dizer que o aluno é esforçado é quase um xingamento. O chique é ser "inteligente", "ter facilidade", ser "brilhante'. É bem conhecida a frase de Einstein ( e nem sei se é dele mesmo ou se é filosofia de internet, mas está valendo):  "O sucesso* é 10% de inspiracão e 90% de transpiração."
Implementar o sistema de recompensas é privilegiar a transpiração. Isso é bom pra nossas crianças. Acho que transmite a mensagem de "depende de você", "você está no comando", "você pode ser/fazer melhor a cada dia". E acho que é isso que buscamos em todas as áreas da nossa vida. Melhor começar cedo.

Um amigo brasileiro que mora aqui deu a ideia pra sua irmã, que é professora em escola no Brasil. Ela não pôde colocar em prática. Não foi considerado "politicamente correto" pelos diretores da escola...

Há controvérsias sobre o assunto, eu sei, e espero ouvir posições diferentes nos comentários.

Acabei de ter uma ideia maravilhosa nesse sentido e corri pra escrever esse post,  antes que eu desista.
Vou montar uma tabela para estimular as meninas pequenas a experimentar novos sabores de alimentos. Meus 10% de inspiracão!

Enfim, a tabela consistirá em alimentos novos a serem experimentados. Vai seguir o mesmo conceito: a cada alimento experimentado, uma estrela. : ao final de 5 estrelas, um pequeno prêmio. Ao final de 25, um prêmio melhor. Não precisa gostar do alimento, nem "raspar" o prato. Só quero que experimentem. Vamos ver seu eu consigo seguir com os 90% de transpiração.

No final do desafio, conto pra vocês. Se eu conseguir, quero um prêmio pra mim também. Já até sei o que será...

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Ansiedade Precoce


Cena 1
Bia chorando e resmungando.
M=Que houve, Bia?
B=Você vai no meu casamento?
M=Sim, mas acho que está um pouco cedo pra falarmos disso.
B=Eu sei, eu sei, só quando eu crescer.
M=Ah, bom. Sim, vou.
B=Promete?
M=Sim
B=Então me abraça.
(Nessa hora me deu até medo de não ir, do tanto que ela abraçou forte, como que fazendo questão absoluta da minha presença) E continou.
B=Meu marido vai ser americano ou brasileiro?
M=Não sei. Por que?
B=É que eu não entendo tudo em inglês. Não sei falar todas as palavras...
M=Mas até lá, você vai aprender.
B=E se eu não entender o que ele estiver me falando?
M=Você vai entender. Você entende tudo que seus colegas te falam?
B=Entendo.(apenas para explicar pra ela que a sua fluência em inglês é adequada para uma criança de 4 anos e meio.)
M=Então, você vai entender tudo que seu marido te falar. Não se preocupe.

P.S.: A conversa foi toda em inglês.


Cena 2
Bia chorando  e resmungando. Sim, eu sei, isso é bem frequente.
M=Que foi, minha filha?
B=Vai doer, mamãe, vai doer muito. E chora mais alto
M=  O que  está doendo?
B= Não, está doendo, mas vai doer. E chora mais forte.
M=O que vai doer, meu amorzinho?
B=Quando o médico tirar o neném da minha barriga.
M=AHMM???
B=Eu quero tanto ser uma mãe! Tanto, tanto! Mas, pro neném sair, o médico tem que tirar não tem?
M=Tem.
B=E ele tem que cortar a barriga da mãe?
M=Tem (achei melhor  confirmar e deixar só essa opção, por enquanto.)
B=Então!!! Vai doer demais! (Choro, choro, e mais choro)
M= Não vai. O médico vai te dar um remedinho pra não doer.
B= Não vai doer nadinha?
M= Bem, vai doer um pouquinho, mas quando vc olhar pro seu neném, você vai amar ele tanto, tanto, que aí nem vai sentir dor. ( A parte do amor é  toda verdade, a parte do "esquece da dor" é só poesia para a  menina mais doce e sensível que eu conheço).